• 22dez

    GAZETA DO POVO

     

    Obra no porto é o centro do primeiro atrito entre Cida e Ratinho Junior

     

    Equipe de transição pediu que contrato de dragagem, no valor de R$ 403 milhões, não fosse assinado, mas atual gestão preferiu oficializar a despesa

     

     


    A dragagem é o procedimento realizado para retirar o sedimento do fundo do mar e permitir o acesso de navios de grande calado  FOTO:- Jonathan Campos/Gazeta do Povo

     

    No discurso, a relação parecia harmônica entre a gestão de Cida Borghetti (PP) e do futuro governador Ratinho Junior (PSD).

    Mas a tensão que vinha crescente desde o final da campanha eleitoral – e que se acirrou nos últimos dois meses – transbordou nesta sexta-feira (21), quando foi assinado o contrato de dragagem de acessos aos portos de Paranaguá e Antonina.

    O governo futuro não queria que a despesa fosse feita, no valor de R$ 403 milhões, e a gestão atual não abriu mão de oficializar o contrato. A história tem dois lados, cada um com argumentos que considera contundentes.

    Ratinho Junior
    A equipe de transição tentou barrar a assinatura do contrato da dragagem, enviando um documento na quinta-feira (20), pedindo que o processo fosse suspenso.

    Segundo o futuro secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex de Oliveira, o grupo já havia sinalizado bem antes a preocupação com a despesa, mas decidiu formalizar a questão.

    “Não estamos falando de algo pequeno, mas de um contrato de quase meio bilhão de reais”, declarou.

    Ele disse ainda que a próxima gestão tem total consciência de que o governo atual é legítimo e autorizado a tomar decisões até o fim do mandato, mas que não entende um gasto tão relevante, mesmo depois de questionado, feito “no último dia útil, no apagar das luzes”.

    Sandro Alex ainda complementa que a questão fica ainda mais complexa diante do fato de que inconformidades foram comunicadas à atual gestão e deveriam, no entender da equipe de transição, ensejar a suspensão do projeto.

    O primeiro argumento é de que a assinatura aconteceu em regime de urgência, sem justificativa.

    Sandro Alex alega que a tramitação foi estranhamente rápida e não contou com a assinatura do diretor responsável.

    “A urgência é para o porto, para o estado ou para a governo que termina?”, questiona.

    O pedido de empenho teria sido feito de forma equivocada e fora dos padrões.

    Além disso, o processo teria sido dado como concluído antes de terem sido respondidos questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

    Sandro Alex afirma ainda que foram reunidos indícios de inconformidades na licitação, com direcionamento para a empresa que já atua em dragagens na área de acesso ao porto.

    “Vamos dizer que o governo está de boa-fé, que é algo bom, mas se há dúvidas, primeiro elas deveriam ser sanadas”, avalia.

    O levantamento também considera que há dúvidas quanto ao ganho operacional com a dragagem.

    O futuro secretário ainda não vê motivação para que uma decisão tão importante seja tomada a 10 dias do fim da gestão.

    “O governo teve todo esse tempo e foi fazer no último dia.”

    Ele acrescenta que a contratação poderia ser feita no ano que vem, até porque a licença ambiental concedida estabelece que o serviço só poderá ser feito a partir de março, por causa da preservação das espécies marinhas.

    A equipe de Ratinho Junior ainda vai avaliar se tomará alguma medida jurídica para reverter a assinatura do contrato.

    Cida Borghetti
    O governo estadual enviou uma nota, em resposta aos questionamentos feitos pela Gazeta do Povo – contudo, nada foi mencionado sobre as suspeitas de direcionamento.

    O texto começa alegando que a assinatura do contrato é um ato de gestão que encerra um processo licitatório iniciado em janeiro de 2018, e que cumpriu todas as exigências legais e administrativas.

    Também afirma que a contratação está embasada tecnicamente, com todas as licenças ambientais emitidas pelo IBAMA, e tem o acompanhamento dos órgãos de controle, em especial auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná, além de audiência pública, reuniões com a praticagem, armadores, operadores portuários, agências marítimas e capitania dos portos.

    A concorrência foi concluída no mês corrente e a homologação do processo está publicada no Diário Oficial do dia 19 de dezembro de 2018, restando a assinatura do contrato nesta sexta-feira (21).

    Segundo o governo, os serviços vão garantir calado que servirá à competitividade e a estabilidade dos Portos do Paraná, aos operadores e investidores, assegurando o trânsito de navios de grande porte com as dragagens de manutenção dos canais de acesso, bacias de evolução, berços públicos e fundeadouros pelos próximos cinco anos.

    A nota ainda afirma que a solicitação da equipe de transição do governador eleito Ratinho Junior, enviada no dia 20, não foi acompanhada de justificativa ou embasamento técnico – e que ocorreu após a publicação da homologação da licitação no Diário Oficial (19/12).

    “Ressalta-se ainda que a equipe de transição do governador eleito Ratinho Jr foi oficiada para justificar o motivo da solicitação e até o momento não o fez”, diz o texto.

    A posição do governo continua argumentando que a expedição da ordem de serviço caberá à próxima gestão, com a prerrogativa de revogar ou anular o certame.

    “A governadora Cida Borghetti reafirma o compromisso de cooperação e transparência no processo de transição iniciado em novembro”, conclui o texto.


    Fonte: Redação, Ministério dos Transportes e Appa. Infografia: Chantal Wagner/Gazeta do Povo.

  • 11maio

    ISTOÉ – Luisa Purchio ([email protected])

    Símbolo da indústria automobilística do País, a região do ABC, em São Paulo, é o espelho dos equívocos da política econômica do governo Dilma, que resultaram em demissões em massa e cortes de investimentos

     

     

    A região do ABC, bloco da Grande São Paulo formado por sete municípios (os principais são Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul) teve um papel vital no desenvolvimento econômico do Brasil.

    Desde que a Volkswagen se instalou em São Bernardo, no final da década de 50, muitas outras empresas foram atraídas para o lugar, inclusive montadoras concorrentes da própria Volks.

    Com o passar dos anos, o ABC se tornou um dos principais polos automobilísticos das Américas, produzindo milhões de carros e gerando riqueza para o País.

    De uns tempos para cá, o vigor local foi substituído pelo desânimo. Na segunda-feira 4, a Volks anunciou que 8 mil trabalhadores da fábrica de São Bernardo entrarão em férias coletivas.

    No mesmo dia e na mesma cidade, a General Motors decidiu conceder licença, por tempo indeterminado, a 420 empregados.

    Os problemas se repetem em diversas outras empresas e só se diferenciam nas medidas adotadas: algumas preferiram demitir, outras optaram pelo afastamento dos funcionários.

    Nos últimos 12 meses, o setor metalmecânico (que compreende metalúrgicas, montadoras , fabricantes de autopeças e componentes eletrônicos) do ABC cortou 37 mil postos de trabalho, o pior resultado em muitos anos.

    Símbolo máximo da indústria automobilística nacional, o ABC é agora o retrato acabado da crise brasileira.

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    TUDO PARADO
    Estoque cheio de veículos no pátio da Volks em São Bernardo (acima) e mobilização de funcionários da empresa contra a crise: pior cenário em muitos anos

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    Na terça-feira 5, Jaime Ardila, presidente da General Motors para a América do Sul, deu uma declaração que dimensiona o problema.

    Segundo Ardila, a crise atual é pior do que a de 2008, quando o mercado internacional sofreu um recuo sem precedente. “Hoje está mais difícil arrumar a situação”, afirmou. O cenário é temeroso.

    Nos primeiros quatro meses do ano, o número de licenciamentos de veículos caiu cerca de 20% na comparação com o mesmo período do ano passado – é a pior margem em 8 anos.

    Até agora, por falta de vendas, 250 concessionárias fecharam as portas no País inteiro, mas até o final do ano esse número pode chegar a 800 se o mercador continuar parado do jeito que está.

    “A baixa confiança do consumidor é uma das principais razões para o que vivemos”, diz Luiz Moan Yabiku Junior, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

    De acordo com o balanço divulgado na quinta-feira 7 pela entidade, 4,6 mil funcionários perderam seus postos de trabalho no primeiro quadrimestre de 2015, número que, segundo todas as projeções, tende a aumentar.

    As montadoras argumentam que as medidas anunciadas na semana passada, como licenças e férias coletivas, são essenciais para evitar atrasos nos salários e novos cortes.

    Os problemas enfrentados pelas indústrias do ABC são emblemáticos. Foi lá que o Partido dos Trabalhadores começou a ser forjado, no movimento sindical liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, que anos depois se tornaria presidente.

    Sob Lula, os empregados das fábricas se organizaram e contribuíram de forma significativa para a redemocratização do País.

    Em 1979, uma greve histórica liderada por Lula em São Bernardo do Campo mobilizou 170 mil trabalhadores, numa rara demonstração da força popular que começou a incomodar uma ditadura agonizante.

    A ironia é que, agora, as dificuldades que ceifam empregos e investimentos no ABC foram criadas pelo próprio PT, em decorrência das políticas econômicas equivocadas da presidente Dilma Rousseff.

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    Ainda mais curioso é o fato de as centrais sindicais instaladas no local serem, 35 anos depois das greves, contrárias às decisões tomadas pela equipe econômica do governo de Dilma Rousseff, sucessora e apadrinhada de Lula.

    “Somos céticos às medidas de reajuste fiscal”, disse à ISTOÉ Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e que é filiado ao PT desde 1985.

    “A presidente não poderia iniciar seu segundo mandato tirando direitos dos trabalhadores.” Entre as medidas está o aumento do período de carência para quem pede seguro desemprego e a exigência de maior tempo de trabalho para receber abono salarial.

    “Os reajustes são uma pancada no trabalhador, que está sofrendo ao ter que pagar os aumentos na conta de energia elétrica e de água”, diz Marques.

    Os erros da política econômica do primeiro mandato do governo Dilma estão sendo sentidos em diversos setores da economia.

    Na quarta-feira 6, o IBGE divulgou queda de 3,5% na produção industrial em março em relação ao mesmo mês do ano passado. Foi o 13º resultado negativo consecutivo.

    Apesar da enxurrada de indicadores ruins, as montadoras acreditam que é possível recuperar lentamente o ritmo das vendas já no final de 2015.

    Para isso, contam com as novas diretrizes do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Melhorar a situação fiscal e manter o pagamento dos juros da dívida pública são formas de retomar a credibilidade do País frente ao setor privado”, diz o economista Volney Aparecido Gouvêa, professor da Universidade de São Caetano do Sul, no ABC.

    “É importante também acelerar os programas de concessão de infraestrutura, que incentivam investimentos empresariais”, diz ele.

    O setor de veículos estima que, em 2015, a queda na venda de carros será de 18% em relação a 2014. No mercado de caminhões a projeção é ainda mais pessimista, de redução de 41%.

    André Beer, consultor para a indústria automobilística que trabalhou durante 48 anos na General Motors, espera uma contração ainda maior.

    “É um milagre a indústria registrar queda nas vendas de 20%”, diz ele. “Era para ser muito maior. Precisamos de medidas que incentivem a indústria de automóveis, como redução de impostos e do custo do crédito.”

    Por ora, tudo indica que as montadoras do ABC – e todas as outras instaladas Brasil afora – continuarão com o pé no freio. 

    Fotos: MÁRCIO FERNANDES/AE; Wesley Passos/Sigmapress, Eduardo Knapp/Folhapress; Daniel Sobral/Futura Press 

  • 05maio

    REUTERS

    O McDonald’s anunciou nesta segunda (4) um plano de reestruturação que inclui o corte de US$ 300 milhões custos até 2017 e o aumento de franquias na tentativa de reanimar suas vendas.

    A cadeia de fast food vem sofrendo com o abandono de hambúrgueres e fritas pelos consumidores dos EUA, que passaram a buscar alimentos vistos como mais saudáveis.

    Sob o plano do novo presidente-executivo, Steve Easterbrook, a companhia será reorganizada em quatro segmentos, agrupando mercados com características semelhantes.

    Os dois maiores, respondendo 40% da receita operacional, são os EUA e os “grandes mercados internacionais”, entre os quais Austrália, Canadá, França e Alemanha.

    Os mercados de alto crescimento –China, Itália, Polônia, Coreia do Sul, Espanha, Suíça e Holanda– respondem por 10% da receita operacional, enquanto os “mercados fundacionais” incluem cerca de cem outros países.

      Brian Snyder/Reuters  
    Luminoso do McDonald's em ferro-velho em Phoenix, EUA
    Luminoso do McDonald’s em ferro-velho em Phoenix, EUA

     

    “Ter grupos de mercados semelhantes controlados por uma mesma pessoa criará urgência e rapidez”, diz Easterbrook, e ajudará a reduzir a burocracia do McDonald’s.

    A companhia também vai acelerar a transferência de restaurantes, elevando o total de unidades franqueadas para 90% em 2018, ante os 81% atuais, e abrirá mil novas casas por ano.

    Analistas, no entanto, questionaram se Easterbrook fez o suficiente para acompanhar a revolução nos gostos dos consumidores, que ele admite que sua empresa não conseguiu acompanhar.

    “Nos últimos cinco anos, o mundo se moveu mais rápido fora da empresa que dentro dela”, disse ele, em vídeo de 23 minutos. “Não vou hesitar diante da necessidade de reordenar nossa companhia.”

    O presidente-executivo britânico, que substituiu Don Thompson em março, disse que o plano para fazer do McDonald’s “uma companhia de hambúrgueres moderna e progressista” reconhecia a realidade de que “nosso desempenho vem sendo ruim”.

    As ações do McDonald’s fecharam em baixa de 1,7%. Analistas consideraram o plano pouco detalhado, dadas as expectativas acumuladas desde a indicação de Easterbrook.

    “Acreditamos que o grande desafio será seduzir a geração milênio e reverter o resultado de vendas nas lojas já estabelecidas”, diz Efraim Levy, analista da S&P Capital IQ.

    Cadeias tradicionais de fast food como o McDonald’s têm perdido clientes para os chamados restaurantes “fast casual”, como a cadeia de comida mexicana Chipotle.

    Easterbrook já havia anunciado diversas medidas para reanimar a marca, o que inclui reformular o cardápio dos restaurantes, novas campanhas de marketing e a redução do uso de antibióticos nas galinhas usadas para produzir seus alimentos.

  • 23fev

    GAZETA DO POVO –  André Gonçalves, correspondente

    Grupo criado em 2013 diagnosticou crise do PR

    Richa teria sido informado de que o cenário já indicava perspectiva de falta de recursos para o pagamento de pessoal na época

    FOTO:- Daniel Castellano/Gazeta do Povo

    Mauro Ricardo Costa, secretário da Fazenda: pasta criou grupo de trabalho sobre as contas do estado em 2013. | Daniel Castellano/Gazeta do Povo

    Mauro Ricardo Costa, secretário da Fazenda: pasta criou grupo de trabalho sobre as contas do estado em 2013

     

    Um grupo de trabalho da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa) fez um levantamento das contas da gestão Beto Richa (PSDB) cerca de um ano antes da eleição de 2014.

    Segundo fonte, o relatório final produzido pela equipe diagnosticou a crise financeira do estado e foi apresentado ao governador, seguido de um plano de pagamento das dívidas com fornecedores.

    Durante a campanha pela reeleição, Richa defendeu que o caixa estava “em ordem”, o que garantiria um resultado melhor no segundo mandato.

    A reportagem solicitou o material à assessoria de imprensa da Sefa, que negou sob a justificativa de que “não há obrigatoriedade de tornar o documento público” e que “as informações são de uso exclusivamente gerencial”.

    Formalizada na quinta-feira passada, a recusa ocorreu às vésperas do início da tramitação de uma nova versão do pacote de austeridade do governo.

    Na contramão da decisão de não divulgar o documento, o atual secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, disse em entrevista à Gazeta do Povo, em 13 de fevereiro, que as dificuldades de aprovar as medidas decorreram de “uma deficiência de comunicação”.

    “Talvez tenha havido uma dificuldade de transmitirmos a situação real que passa o estado”, disse Costa, que assumiu o cargo em janeiro.

    O grupo foi criado pela portaria 22 da Sefa, de 15 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial número 9.075. O ato assinado pelo então diretor-geral da secretaria, Clovis A. Rogge, nomeia quatro servidores para o grupo.
    O objetivo era analisar o fluxo financeiro e previsões de receitas e despesas.

     

    Para cumpri-lo, foram estabelecidas quatro tarefas. A penúltima era analisar a execução dos programas/ações sob a responsabilidade das secretarias, fornecendo informações “a fim de que as devidas correções de ritos e atos sejam adotadas”.

    A última, “fornecer relatórios e planilhas com as devidas recomendações, bem como informações precisas acerca da execução dos trabalhos, das situações e fatos encontrados e seus resultados”.

    O resultado teria sido o mapeamento detalhado de todos os gastos do estado – com informações analíticas de quando, onde e quanto foi aplicado durante os quase três primeiros anos da gestão Richa.

    Segundo uma fonte que acompanhou os trabalhos, foram listados todos os contratos com fornecedores, por tipo de contratação (serviço, obra pública, fornecimento de bens, etc.).

    Junto com o relatório final, Richa teria sido informado de que a situação já indicava a perspectiva de falta de recursos para o pagamento de pessoal.

    Em dezembro daquele ano, o governo enfrentou dificuldades para pagar o 13.º salário do funcionalismo. Em janeiro de 2014, a então secretária de Fazenda, Jozélia Nogueira, tornou público que a dívida com fornecedores era de R$ 1,1 bilhão.

    O número contrastava com o dado posterior de que, na comparação com as 27 unidades da federação, o Paraná foi a que teve o maior aumento de receita corrente líquida, entre dezembro de 2010 e abril de 2014.

  • 22mar
    Equipe AE – Agência Estado

     

    Rio – “Do jeito que as coisas foram postas, minha única alternativa é o silêncio”.

    O desabafo foi feito nesta sexta-feira, 21, ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, pelo ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, apontado pela presidente da República, Dilma Rousseff, como responsável pelo relatório que subsidiou a compra da refinaria de Pasadena (EUA).

    O negócio é alvo de investigação por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas.

    A Petrobrás pagou US$ 1,18 bilhão pela refinaria.

    Ex-diretor da estatal está de férias na Europa - Alaor Filho/Estadão

    Foto:- Alaor Filho/Estadão
    Ex-diretor da estatal está de férias na Europa

     

    O executivo, que atualmente ocupa a diretoria financeira da BR Distribuidora, não comenta o caso. Em 2006, quando o negócio foi aprovado, Dilma era ministra da Casa Civil e comandava o conselho de administração da petroleira.

    Em nota, a presidente informou que só apoiou a compra de 50% da refinaria porque recebeu “informações incompletas” de um parecer “técnica e juridicamente falho”.

    Ao lado de Cerveró, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso na quinta-feira no Rio pela Polícia Federal (PF), participou da elaboração do negócio que garantia vantagens à empresa belga Astra Oil em detrimento da Petrobrás na operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

    A acusação foi feita quinta por Sílvio Sinedino, que já foi conselheiro, deixou o cargo em 2013, e reassume agora para novo mandato de um ano.

    Em entrevista à Globo News, Carveró confirmou que está em férias no exterior, sem precisar o local, e disse que ainda tem duas semanas antes de retornar ao Brasil.

    Ele afirmou que as férias já estavam agendadas desde antes da divulgação da notícia do envolvimento da presidente Dilma Rousseff com a aprovação da compra da refinaria.

    Perfil

    Funcionário da Petrobrás desde 1975 e com formação em engenharia química, Cerveró assumiu o posto de diretor internacional da companhia no início de 2003, primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

    Ele foi indicado pelo senador Delcídio Amaral (PT), dentro da cota petista de cargos na estatal. Também recebeu a bênção de José Dirceu, que naquele ano chefiava a Casa Civil.

    Em 2008, em meio a uma disputa política entre PT e PMDB na Petrobrás, Delcídio perdeu a queda de braço e Cerveró teve de deixar o cargo, que foi depois ocupado por Jorge Zelada.

    O seu substituto seria indicado do PMDB. O ex-diretor foi então deslocado para a diretoria financeira da BR Distribuidora.

    Delcídio negou na quarta ser o responsável pela indicação de Cerveró.

    “Em 2003 fui consultado pelo governo sobre o nome de Cerveró para a diretoria e não vi nenhum óbice, era um funcionário de carreira da empresa”, afirmou o petista, que também é ex-diretor da Petrobras.

    “No que se refere à tramitação de projetos, acho pouco provável que algum processo chegue ao conselho sem estar devidamente instruído para liberação dos diretores e conselheiros”, afirmou o senador.

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