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  • 01jul

    BLOG DO JOSIAS /UOL

     

    Amorim cospe no prato em que já não pode comer

     

     

    Ex-chanceler do governo Lula, Celso Amorim ainda não leu o acordo celebrado entre o Mercosul e a União Europeia. Mas não gostou. 

    Acha que a aliança comercial chegou em má hora. “O momento é o pior possível em termos da capacidade negociadora do Mercosul, porque os dois principais negociadores, Brasil e Argentina, estão fragilizados política e economicamente”, disse ele à BBC.

    Curioso, muito curioso, curiosíssimo.

    Amorim comandou o Itamaraty durante os dois mandatos de Lula. Já teve a oportunidade de classificar o seu ex-chefe, momentaneamente preso em Curitiba, como o presidente mais extraordinário da história republicana.

    Mas o ex-chanceler não foi capaz de costurar o acordo com a União Europeia nesses oito anos em que imagina ter compartilhado de uma exuberância política e econômica propiciadas por Lula. E não foi por falta de tentativa.

    Em 2004, segundo ano de Lula no Planalto, Amorim desperdiçou parte do seu tempo à negociação de um acordo do Mercosul com a União Europeia. Deu em nada.

    Ele alega que, nessa época, o setor industrial considerou que o acerto não era vantajoso.

    Por quê? Os benefícios oferecidos para a área agrícola não eram suficientes para compensar as concessões feitas à turma da indústria. Como se agora a situação fosse diferente.

    Num ponto, a crítica de Amorim soa paradoxal. O ex-chanceler avalia que alguém fez papel de bobo. Mas parece ter dúvidas sobre quem levou a melhor.

    Num instante, o ex-ministro de Lula manifesta o temor de que os negociadores europeus tenham passado a perna nos sul-americanos.

    Acha que a União Europeia teve pressa em fechar o acordo “porque sabe que estamos em uma situação muito frágil. E quando se está em uma situação frágil, se negocia qualquer coisa.”

    Noutro ponto, Amorim avalia que a turma do Mercosul é que deu uma rasteira nos europeus. Para ele, não passa de conversa mole o compromisso assumido por países como o Brasil de respeitar cláusulas que preveem a proteção ambiental, as metas do Acordo de Paris e os direitos trabalhistas.

    “Qual é o valor disso? A gente não cumpre nem as normas da OIT. Me espanta que os europeus acreditem nisso. Se acreditaram e aceitaram, é porque estavam com muita pressa e com muita vontade.”

    Amorim realça que não é contra a ideia de um acordo do Mercosul com a União Europeia. Não, não, absolutamente.

    O que o preocupa são os pormenores diabólicos. “Recebo a notícia com um pé atrás porque o diabo mora nos detalhes, e a minha suspeita é que os detalhes não devem ser bons.”

    De fato, num acordo tão vasto como o que acaba de ser celebrado, decerto haverá detalhes passíveis de aperfeiçoamento.

    Não é por outra razão que a vigência da aliança comercial depende de acertos complementares e da aprovação dos legislativos dos países signatários.

    A coisa só deve engrenar daqui a uns dois anos. Entretanto, em meio às dúvidas, há na praça três certeza absolutas:

    1) O governo Lula não teve interesse genuíno em associar o Mercosul à União Europeia.

    2) Na gestão de Dilma Rousseff, o interesse foi ainda menor. A prioridade de madame era empurrar a Venezuela e seus interesses tóxicos para dentro do bloco sul-americano.

    3) Ao criticar o acordo impulsionado sob Michel Temer e assinado sob Jair Bolsonaro, Celso Amorim, ex-chanceler do governo Lula e ex-ministro da Defesa da gestão Dilma, apenas cospe num prato em que já não pode comer.

     

    ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

    Publicado por jagostinho @ 15:26



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