Numa entrevista ao vivo, que durou quase duas horas aos jornalistas Rogério Galindo e João Frey para o portal da Gazeta do Povo, o empresário Tony Garcia foi demolidor ao acusar ao ex-governador Beto Richa de não apenas saber, mas de participar efetivamente do esquema de propinas investigado pelo Gaeco no âmbito da Operação Radio Patrulha.

Tony assumiu que foi dele a responsabilidade de ter “colocado em pé” o projeto Patrulha do Campo e que procurou os empresários que participaram do programa para que, ganhando a licitação promovida pelo governo em 2012, repassassem parte do faturamento como “ajuda” às futuras campanhas políticas de Beto Richa.

Mas ressaltou: ele foi encarregado por Beto de articular o esquema, mas saiu do processo quando os empresários participantes – especialmente Celso Frare, dono da locadora Ouro Verde – passaram a não cumprir seus compromissos e não respeitar prazos de pagamento.

Além disso, outros membros do governo, como o primo-distante Luiz Abi Antoun e o secretário do Cerimonial Ezequias Moreira, passaram a tumultuar os entendimentos.

Foi neste ponto que Beto Richa voltou a pedir a Tony Garcia – segundo disse na entrevista à Gazeta – que outra vez se encarregasse de cobrar os compromissos assumidos pelas empresas de “ajudar” com 8% dos faturamentos que recebiam do governo. Richa se referia a esses pagamentos como “tico-tico”, conforme áudio que Garcia entregou ao Gaeco em sua delação.

Tony acusou Beto de agir com desonestidade e de jogar na fogueira amigos antigos que sempre o ajudaram, citando como exemplo o primo Luiz Abi e o ex-diretor da Educação Maurício Fanini – o primeiro envolvido na Operação Publicano e em fraudes a licitações, e o outro como pivô da Operação Quadro Negro.

Beto passou a se referir a ambos como “criminosos”.

“Comigo o Beto não vai fazer isso. Não vou deixar.” Disse ter provas de tudo quanto afirmou ao Gaeco.

E que sabe (também com provas) de outros esquemas de corrupção no governo Beto que, “na hora certa” e se obrigado, relatará às autoridades.

Garcia disse lamentar que Beto Richa tenha envolvido a própria família, como Fernanda e Pepe Richa – pessoas que, segundo ele, foram vítimas da ganância e da soberba do ex-governador, que não poupou nem mesmo a mulher e o irmão.