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  • 02jun

    TRIBUNA PR – PARANÁ ONLINE

    Música composta por paranaense Dalvan, em 1986, é assustadoramente atual !

     

    Átila Alberti / Tribuna do Paraná

     

    A música caipira, verdadeira música popular brasileira, produziu algumas obras de rara beleza poética e, em muitos casos, com grandes críticas sociais, aos sistemas políticos, à corrupção e aos comportamentos lesivos à boa convivência humana. 

    Tião Carreiro e Pardinho, por exemplo, foram exemplos neste quesito, com letras altamente politizadas, mas com uma linguagem popular e acessível para o seu público.

    Nascido em Planaltina, interior do Paraná, Dalvan nunca foi tão “pop” como outros nomes de sua geração, mas quando compôs a música “Massa Falida” mudou de patamar.

    Se não em fama, sim em prestígio e respeito por sua visão de mundo. Composta em 1986, a música se tornou uma referência ao se tratar de letras/críticas bem escritas.

    Foi usada, inclusive, pelo ex-presidente Lula, em 2003, em um pronunciamento à nação, pois ela traduziria um sentimento de “basta” na corrupção e má administração pública

    Ironia à parte, hoje Dalvan – que fez dupla com Duduca, morto na década de 1980 – pode ser comparado a um “Simpson” caipira, considerando que o desenho norte-americano ficou famoso recentemente por fazer previsões que se concretizaram.

    Dando uma boa lida na letra de “Massa Falida” podemos entender, achar graça e lamentar tal comparação. 

    Em tempos de pedidos por intervenção militar

    Massa Falida (ouça a canção logo abaixo)

    Eu confesso, já estou cansado
    De ser enganado com tanto cinismo
    Não sou parte integrante do crime
    E o próprio regime nos leva ao abismo

    Se alcançamos as margens do incerto
    Foram os decretos da incompetência
    Falam tanto, sem nada de novo
    E levam o povo a grande falência

    Não aborte os teus ideais
    No ventre da covardia

    Vá a luta empunhando a verdade
    Que a liberdade não é utopia

    Os camuflados e samaritanos
    Nos estão levando a fatalidade
    Ignorando o holocausto da fome
    Tirando do homem a prioridade

    O operário do lucro expoente
    E a parte excedente não lhe é revertida
    Se aderirmos aos jogos políticos
    Seremos síndicos da massa falida

    Não aborte os teus ideais
    No ventre da covardia
    Vá a luta empunhando a verdade
    Que a liberdade não é utopia

     



    Publicado por jagostinho @ 09:54



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