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  • 07dez

    REINALDOBLOG DE REINALDO AZEVEDO – VEJA.COM

     

     

    “Ela nunca confiou em mim”, teria dito Temer.

    Ou: A estranha frase de Dilma

     

    A presidente não pode tentar cassar os direitos que a Constituição assegura não a Michel Temer, mas ao vice-presidente da República

     

     

    No sábado, em viagem a Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff disparou uma de suas frases esquisitas.

    Não chegava a ser um cachorro atrás de uma criança, mas não era um primor de sentido, embora a gente tenha entendido aonde ela queria chegar.

    Mandou ver: “Espero integral confiança do Michel Temer e tenho certeza de que ele a dará. Conheço o Temer como político, como pessoa e como grande constitucionalista”.

    A gente não diz esperar confiança de alguém. Talvez ela tenha querido dizer “lealdade”, mas a palavra certa, como costuma acontecer, fugiu-lhe antes que fosse capturada pela sintaxe.

    Notem que a presidente evocou até a condição de constitucionalista de seu vice, como a querer dizer: “Ele sabe que o pedido de impeachment não se sustenta…”.

    Bem, por constitucionalista que de fato é, o peemedebista então sabe não haver nada de errado com a denúncia. Adiante.

    A Folha informa nesta segunda que Temer afirmou, a pessoas que lhe são próximas, o seguinte: “Ela nunca confiou em mim”. Referia-se, obviamente, a Dilma.

    Se disse ou não, querem saber?, pouco importa. Uma coisa é inequívoca: a presidente, de fato, nunca confiou no seu vice.

    Ao contrário: mais de uma vez, fez questão de deixar claro que não confiava.

    A crise com a base, especialmente com o PMDB (nos tempos em que até Renan Calheiros fazia oposição), levou Dilma a entregar para Temer, em abril, a coordenação política.

    Em agosto, quatro meses depois, impossibilitado de trabalhar, ele entregava o cargo.

    E quem opunha obstáculos à coordenação? Ninguém menos do que o então chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

    Os palacianos passaram a cochichar para a presidente que o vice conspirava contra ela; que atuava para tentar lhe tomar o lugar etc.

    E pronto! Temer entregou o cargo.

    Quando aconteceu, todas as pessoas razoáveis anteviram um acirramento da crise política.

    Não porque Temer fosse se comportar como incendiário, o que não é do seu perfil, mas porque, justamente, se tolhiam os instrumentos de um bombeiro.

    Com a saída, como se nota, tudo piorou.

    Ora, o que Dilma e os palacianos gostariam que Temer fizesse agora?

    Que prometesse atear fogo às vestes se ela sair?

    Que concedesse entrevistas chamando o impeachment de golpe — justamente ele, que vai sucedê-la na hipótese de um impedimento?

    Ora… É claro que ele não pode fazê-lo. E não pode justamente em razão de seu papel institucional.

    Diante das mais descabidas pressões, o que se viu foi uma advertência: Eliseu Padilha (ex-Aviação Civil), próximo a Temer, pediu demissão do cargo.

    Foi, como já escrevi aqui, uma advertência para que as pressões cessassem.

    Surtiu efeito. A entrevista de Ricardo Berzoini na Folha desta segunda já esta mais sóbria.

    O governo que lute no Congresso, com as armas da democracia.

    Temer tem de se preservar como aquilo que é, por vontade da Constituição, não de Dilma: alternativa de poder.

    Se ela confia ou não no peemedebista, problema dela.

    Dilma só não pode tentar cassar os direitos que a Constituição assegura não a Michel Temer, mas ao vice-presidente da República.



    Publicado por jagostinho @ 13:03



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