Publicidade


      Red Apple Cosméticos

      CPV - Centro Paranaense da Visão

      Hospital Cardiológico Costantini

      Hotel Carimã

Twitter @blogdojota


  • 28set

    VEJA.COM

     

    ‘Dilma não governou até agora e não vai governar até o final’

     

    Jurista Hélio Bicudo, que assina pedido de ‘impeachment’, explica por que avalia que a presidente não deve terminar o mandato

     

    Hélio Bicudo

    O jurista Hélio Bicudo: ‘Não acho que o Lula tenha condições de dar palestras em outros países, ainda mais ganhando o que ganha. Isso é para lavar dinheiro’(Heitor Feitosa/VEJA.com)

     

    Aos 93 anos, o jurista Hélio Bicudo participou da resistência à ditadura militar e dos movimentos pela volta da democracia no Brasil.

    Engajou-se na campanha das “Diretas Já” e foi um dos primeiros a se filiar ao Partido dos Trabalhadores.

    Pela legenda, elegeu-se deputado federal e vice-prefeito da capital paulista na gestão de Marta Suplicy (2001-2005).

    Foi também uma das primeiras vozes a se levantar contra os desvios que resultaram nos descalabros do governo Lula e acabou abandonando o partido há dez anos, quando o mensalão puxou a fila de série de escândalos que manchariam para sempre a história da legenda.

    “O PT desmereceu as diretrizes traçadas em seu início e se tornou um veículo para enriquecimento ilícito”, afirma o jurista.

    Ao lado do também jurista Miguel Reale Júnior e da advogada Janaína Paschoal, Bicudo assina o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff entregue há pouco mais de uma semana ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

    O documento é considerado o mais robusto e bem fundamentado na pilha de pedidos para que o mandato de Dilma termine antes do prazo.

    Bicudo recebeu o site de VEJA em sua casa, na última quarta-feira. Leia a entrevista.

    Por que apresentar um pedido de impeachment antes da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as pedaladas fiscais ou do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)?

    >>>   Não acho que haja vinculação entre esse pedido e os procedimentos que estão em curso nessas instâncias.

    Todos podem correr paralelamente. Um pedido de impeachment é, sobretudo, uma questão de atitude, para além do embasamento jurídico.

    Pode-se fazer um pedido de afastamento da presidente por incapacidade de governar? Acredito que sim.

    E a atuação de Dilma até hoje mostra que ela não tem condições de exercer o mandato. Mas é claro que nesse pedido há embasamento jurídico: as pedaladas estão aí para mostrar que há fatos concretos contra a presidente.

    O pedido foi feito tendo em vista os delitos que ela cometeu no exercício da Presidência.

    O senhor avalia então que Dilma sabia dos esquemas descobertos pela Operação Lava Jato?

    >>>   Acredito que ela, como presidente da República, deveria saber. Dilma tem de estar perfeitamente consciente daquilo que interessa ao país do ponto de vista político e jurídico.

    A presidente não pode estar ausente de fatos que interessam ao processo de esclarecimento do escândalo.

    Alegar ignorância é dar chance para o impeachment. Se ela sabia, tinha todos os meios para impedir o prosseguimento do esquema.

    Se deixou correr, o problema é dela.

    O senhor crê que há possibilidade de Dilma deixar o poder até 2018?

    >>>   Ela não governou até agora e não vai governar até o final.

    A substituição da Dilma dentro de um processo democrático é aquilo que o país espera. O Brasil está paralisado.

    Não vejo possibilidade de renúncia, pelo histórico dela, mas seria uma boa coisa, abrir as portas para uma nova gestão.

    Hoje temos uma presidente que não governa e o país precisa de pessoas que governem.

    O pedido assinado pelo senhor é considerado o único com chances de seguir adiante no Congresso, e por isso foi apoiado por políticos de oposição.

    >>>   Não tratei com a oposição. Não sabia qual era a posição desses políticos e continuo fora dessa questão, porque é uma questão partidária.

    Nosso pedido não é partidário. É um pedido de cidadãos brasileiros que se viram enganados pela presidente e querem fazer valer seu direito de cidadania.

    Acredita que a saída de Dilma já seria suficiente para amenizar a crise política e econômica?

    >>>   Evidentemente, a figura de quem vai assumir na hipótese de impedimento da presidente [no caso, o vice, Michel Temer] já desafoga bastante o problema político, mas a saída dela vai determinar um novo momento político.

    É preciso esperar para ver como os atores desse momento vão atuar. Acho difícil dizer ‘vai acontecer isso ou aquilo’.

    O impeachment acende um estopim, mas não se sabe o que ocorre depois.

    Não há risco de turbulência social?

    >>>   Acho que a saída da Dilma seria o momento da sociedade pensar mais profundamente o problema Brasil, deixando de lado as questões políticas. É o momento de a Nação pensar a si própria e encontrar um caminho.

    Michel Temer seria capaz de conduzir esse processo?

    >>>   Não é fácil dizer. Mas Temer não poderia desmerecer a história do PMDB.

    É preciso que, uma vez aceito o impeachment, as forças políticas permitam a discussão para o encaminhamento do Brasil, para além da questão político-partidária.

    É preciso encontrar um caminho para novas eleições gerais.

    Mas como, se o vice assumiria o Planalto?

    >>>   Há um caminho constitucional. É possível criar um instrumento para isso através de um plebiscito. Caminhando nesse sentido, as coisas se esclarecem.

    A atual crise é resultado da inabilidade política de Dilma?

    >>>   Há um conteúdo pessoal grande. Dilma é uma pessoa muito autoritária e não vê no exercício democrático a maneira mais hábil de chegar à finalidade da instituição política.

    Ela é muito centralizadora e não está preparada para o exercício da Presidência da República, haja vista o que está acontecendo.

    Como ela abandonou a direção? As coisas correm ao lado dela e ela não quer perceber…

    Por que o senhor avalia que Lula tentou se desvencilhar de Dilma quando a crise se agravou?

    >>>   A princípio, houve uma orquestração para que Lula se mantivesse no poder até com outra pessoa no Planalto.

    E essa pessoa era a Dilma. Ela foi um instrumento do Lula. Agora, ele tenta se desvencilhar com vistas a 2018.

    Ele quer voltar como a solução para os problemas do Brasil: o que ela não conseguiu, ele conseguirá fazer.

    Lula só não se lançará candidato se avaliar que não tem chances de vencer.

    Como encara as afirmações de que o senhor estaria sendo manipulado?

    >>>   É a velha história de quem não tem argumentos. Manipulado por quem?

    Tenho um passado que está à vista de todos.

    Não é o estilingue do PT que vai fazer com que eu mude de pensamento. Ao contrário.

    E as acusações de que os favoráveis ao impeachment são golpistas?

    >>>   Essa coisa de golpe é golpe de quem não quer deixar o poder democraticamente. O impeachment não é golpe, está na Constituição.

    Onde está o golpe quando se atua de acordo com a lei?

    Qual sua maior decepção com o PT?

    >>>   É o fato de que o partido se deixou dominar pelo lulismo. O uso de personalidades no exercício da política leva a uma ditadura.

    O sistema de personalismo não comunga com a ideia de democracia. Quando Lula chegou à Presidência, passou a se achar acima do bem e do mal.

    O projeto do partido de exercer o poder para o bem social foi transformado em um projeto personalista, para entregar a legenda a determinadas pessoas sob a égide de Lula.

    Ele hoje é o dono do PT. Quando conheci Lula, ele era um homem pobre. Hoje, é dono de uma fortuna. Como, sem trabalhar, as pessoas conseguem amealhar tanto dinheiro quanto Lula e seus filhos?

    Ele saiu do caminho do partido e o PT fez o que ele queria, desmerecendo suas diretrizes de início.

    Lula usou o prestígio dele para construir uma figura patriarcal, dono do partido e dos interesses da nação.

    O PT passou a ser um veículo para enriquecimento ilícito, de muitas pessoas no partido e fora dele.

    De Lula inclusive?

    >>>   Lógico.

    Acha que a Lava Jato pode levar Lula para a cadeia?

    >>>   Ele corre esse risco sim. Veja as questões das palestras no exterior. Não acho que o Lula tenha condições de dar palestras em outros países, ainda mais ganhando o que ganha. Isso é para lavar dinheiro.

    O senhor vê futuro para a legenda?

    >>>   O PT perdeu a posição que deveria ter na discussão sobre os destinos do país. Sob o comando de Lula, o partido se deixou envolver por um personalismo de que a população não gosta.

    O partido passou a fazer o exercício da política para os que compõem a cúpula da legenda.

    Não acho que o PT acabou, mas perdeu muito de seu apelo.



    Publicado por jagostinho @ 09:12



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

4 Respostas

WP_Cloudy
  • badanha Disse:

    O que falta para esse cidadão. Ninguem avisou ele que chegou a hora do sepultamento.

  • MARCÃO Disse:

    ESTE CIDADÃO É UM PATRIOTA E QUEM DEVERIA IR PARA O INFERNO É A DILMA E O LULA E VC BUNDÃO PETISTA

  • Marlene Disse:

    Mas que grosseria deste comentário de badanha. Sem gosto até no apelido. Idiota e bobão. Deve estar recebendo para escrever a favor do PT e contra os que são anti-petistas como sou. Vai para o inferno, besta quadrada !

  • gregório Disse:

    Sem baixarias gente. Mas, convenhamos podiam escolher um cara mais lúcido para encabeçar a lista pelo impeachment da governAnta Dilma, não acham?

Deixe um comentário

Por favor, atenção: A moderação de comentário está ativa e pode atrasar a exibição de seu comentário. Não há necessidade de reenviar o comentário.