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    Setores do PT se aproximam de Cunha contra Mercadante, Cardozo e Levy

     

    Líder do PT na Câmara Sibá Machado se reuniu com o presidente da Casa na quarta-feira. Muitos viram ação como ‘conspiração’

     

     

    O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se encontra com trabalhadores e sindicalistas no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, no bairro da Liberdade, região central da capital paulista, durante a manhã desta sexta feira (21)
    Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), avalia que os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) estão por trás das denúncias feitas contra ele na Operação Lava Jato(Miguel SCHINCARIOL/AFP)

     

    Com o apoio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), setores do PT tentam pegar carona na reforma do primeiro escalão do governo para derrubar os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Joaquim Levy (Fazenda).

    A articulação, com o aval de 30 dos 64 deputados petistas, irritou a presidente Dilma Rousseff.

    Sob a alegação de que queria discutir alternativas ao pacote fiscal e uma estratégia para evitar oimpeachment de Dilma, o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), convocou uma reunião na noite de quarta-feira, em seu gabinete, com os líderes do PMDB, PR, PTB, PROS, PSD e PC do B, todos da base aliada. Antes, havia tomado café da manhã com Cunha.

    O encontro ocorreu no gabinete da liderança do PT e, na ocasião, Sibá surpreendeu os interlocutores ao dizer que, na opinião dele e de muitos integrantes da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no PT, Mercadante, Cardozo e Levy deveriam deixar o governo.

    Deputados entenderam que o petista queria o aval dos aliados para pressionar Dilma na reforma ministerial. Muitos viram o movimento como uma “conspiração”.

    Rompido oficialmente com o governo, Cunha tem atritos com Mercadante desde sua campanha para a presidência da Câmara, no início do ano.

    Alvo da Operação Lava Jato, o presidente da Câmara dos Deputados avalia, ainda, que tanto Mercadante como o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, estão por trás das denúncias que levaram a Procuradoria-Geral da República a denunciá-lo ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

    “Jamais um ministro da Justiça, num estado de Direito, deve orientar investigações, dizendo que os inimigos devem ser atingidos e os amigos, poupados”, afirmou Cardozo.

    “Mas, no mundo político, muitos não entendem o papel do ministro da Justiça.”

    Em conversas reservadas, deputados da CNB reclamam da perda de espaço na reforma e admitem que, se Dilma fizesse um gesto de mudança mais ampla no ministério, abriria caminho para o acordo com Cunha, a fim de barrar um processo de impeachment na Câmara.

    Cunha confirmou o encontro com Sibá, mas negou a articulação para pressionar Dilma.

    “Não quero tirar nem botar ninguém. Esse tipo de movimento belicoso não é comigo”, disse ele.

    De acordo com o presidente da Câmara, Sibá quer discutir projetos alternativos para o pacote fiscal.

    Uma das ideias é transformar parte da dívida da União em títulos que poderiam ser negociados com investidores estrangeiros.

    Sibá negou que tenha defendido a saída dos companheiros da equipe.

    Admitiu, porém, que muitos correligionários estão “insatisfeitos” com a reforma.



    Publicado por jagostinho @ 14:04



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