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  • 29ago

    REUTERS

     

    Morreu ex-arcebispo que iria ser julgado pelo Vaticano por abuso sexual de menores

     

    Josef Wesolowski, de 67 anos, seria o primeiro membro do clero a ser julgado pelo Vaticano por abuso sexual de menores e posse de material pornográfico.

     

     

    Wesolowski aparecia “disfarçado” com roupas de turista e um boné de baseball, e abordava rapazes LUIS GOMEZ/REUTERS

     

    O ex-arcebispo Josef Wesolowski, que seria o primeiro membro do clero a ser julgado pelo Vaticano por abuso sexual de menores e posse de material pornográfico, morreu na noite desta sexta-feira, um mês depois de ter sido hospitalizado devido a um problema de saúde não especificado.

    Wesolowski estava acusado de crimes cometidos entre 2008 e 2013, quando era o embaixador do Vaticano na República Dominicana, e alegadamente pagou para manter relações sexuais com menores.

    A polícia de Santo Domingo abriu uma investigação depois de denúncias de pagamentos feitos pelo núncio a jovens para participarem em sessões de masturbação ou relações sexuais. 

    De acordo com o relato dos menores, Wesolowski costumava frequentar um passeio marítimo que é uma conhecida zona de prostituição de Santo Domingo.

    Aparecia “disfarçado” com roupas de turista e um boné de baseball, e abordava rapazes – alguns eram engraxadores de sapatos e outros eram prostitutos – a quem oferecia dinheiro em troca de serviços sexuais.

    As acusações foram transmitidas à Santa Sé e o assunto foi reputado como “extremamente grave”.

    O então arcebispo foi discretamente removido do cargo e chamado de volta a Roma antes de ser inquirido pelas autoridades dominicanas – uma decisão polémica mas que segundo a interpretação da Santa Sé não “obstruiu” a justiça uma vez que Wesolowski estava “protegido” pela sua imunidade diplomática.

    Além de abuso sexual de menores, o ex-prelado também foi acusado da posse de pornografia infantil: esse material terá sido encontrado entre os seus pertences quando já se encontrava em Roma.

    Jozef Wesolowski poderia enfrentar uma pena de seis a doze anos de prisão, que provavelmente iriam ser cumpridos num estabelecimento prisional italiano (o Vaticano não dispõe de cadeia).

    Outras possibilidades poderiam passar pela extradição para a República Dominicana ou para a Polónia, o seu país de origem.

    A Santa Sé qualificou o processo – que seria o primeiro julgamento de crimes sexuais dentro do Vaticano – como “delicado” e confirmou que o inquérito envolvia um elevado grau de cooperação internacional, nomeadamente com as instâncias judiciais da República Dominicana.

    Há dois meses, o Vaticano disse que as acusações seriam examinadas pelo “órgão judicial competente da Justiça canónica”, que poderia solicitar perícias técnicas e inquirições de testemunhas para “uma análise mais escrupulosa das provas”.

    Publicado por jagostinho @ 14:45



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