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    ‘Acabou o mito’, diz Roberto Jefferson sobre Dirceu

     

    Ex-deputado que denunciou o mensalão e também foi condenado com o ex-ministro petista afirma que ‘a Justiça é implacável’

     

     

    Ex-deputado Roberto Jefferson deixa o Instituto Penal Francisco Spargoli Rocha, em Niterói, Rio de Janeiro
    Ex-deputado Roberto Jefferson deixa o Instituto Penal Francisco Spargoli Rocha, em Niterói, Rio de Janeiro(Fábio Motta/Estadão Conteúdo)

     

    O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), que cumpre pena em regime domiciliar desde maio passado, disse nesta segunda-feira não ter motivo para comemorar a prisão do ex-ministro e ex-deputado mensaleiro José Dirceu (PT), investigado na Operação Lava Jato.

    “Não me regozijo, não tenho sentimento de revanche, de ressentimento. Tenho pena dele. Acabou o mito”, afirmou. “Sei o que é estar lá [na prisão]”, disse Jefferson.

    Em 2005, Jefferson denunciou o mensalão e apontou Dirceu como o comandante do esquema de suborno de parlamentares fiéis ao governo Lula.

    O petebista teve o mandato cassado em setembro daquele ano. Em novembro, a Câmara cassou o mandato de Dirceu.

    “Não é fácil para ele. Já tem 69 anos, casou-se recentemente, tem uma filha pequena. A família se extingue. Ainda será levado para o Paraná, longe de casa. Tem esposa nova, que precisa do marido. Não tenho revanchismo. Sinto por ele, mas a Justiça é implacável”, disse Jefferson.

    Condenado a sete anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa, Dirceu passou a cumprir prisão domiciliar em outubro do ano passado e desde então vive em Brasília com a mulher, Simone Pereira, e a filha caçula, Maria Antônia, de seis anos.

    Em fevereiro do ano passado, Jefferson começou a cumprir a pena de sete anos e 14 dias, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

    Depois de 14 meses, recebeu autorização para cumprir o restante da pena em casa. Jefferson rejeita o rótulo de delator. “Delação é coisa de canalha”, costuma dizer.

    “É a terceira prisão da vida de José Dirceu, não é brincadeira. O juiz Sergio Moro deve ter provas contundentes. Ele não joga para a plateia. Aquela rapaziada do Ministério Público é muito séria, sem extremismo”, elogiou Jefferson.

    Antes da prisão pelo mensalão, Dirceu, líder estudantil nos anos 1960, foi preso em 1968 e trocado, no ano seguinte, pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado no Brasil.

    “O Executivo e o Legislativo estão desmoralizados e o Judiciário, muito sólido. É quem alicerça a democracia hoje. Os homens mais ricos do Brasil, os políticos mais poderosos, os burocratas estatais mais influentes estão presos. O povo está vendo que não ficaram impunes”, disse Jefferson, presidente de honra do PTB.

    Na avaliação do petebista, as prisões dos investigados fragilizam as manifestações contra a corrupção e de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff.

    “O juiz Sérgio Moro esvazia as passeatas do dia 16 de agosto [data marcada para uma série de manifestações em todo o país]. O povo planeja ir para a rua pedir justiça, mas a justiça está sendo feita”, diz.

    Proibido de participar de encontros políticos, reuniões públicas e de sair à noite, Jefferson, de 62 anos, diz que o Executivo e o Legislativo, extremamente desgastados, parecem “o roto falando do esfarrapado”.

    O ex-deputado não engrossa o coro dos que defendem a saída da presidente Dilma.

    “Não adianta pregar ruptura institucional, porque não há líderes nacionais. Tem o Fernando Henrique Cardoso, mas já está com 84 anos”, afirma Jefferson.

    Publicado por jagostinho @ 14:45



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