Publicidade


      Red Apple Cosméticos

      CPV - Centro Paranaense da Visão

      Hospital Cardiológico Costantini

      Hotel Carimã

Twitter @blogdojota


  • 18maio

    repassando6

    CONEXÃO BRASÍLIA – ANDRÉ GONÇALVES – GAZETA DO POVO

    Até um pitbull sabe que governar com bons ventos na economia é muito mais fácil do que em tempos de crise. Dinheiro no bolso faz toda diferença para o bom humor do eleitorado. Isso ajuda a explicar a incrível trajetória da popularidade de Beto Richa (PSDB).

    Três meses antes de abandonar a prefeitura de Curitiba para disputar o governo do estado, o tucano contava com uma aprovação espantosa.

    Pesquisa Datafolha divulgada no dia 28 de dezembro de 2009 apontava que 84% dos curitibanos diziam que a gestão dele era boa ou ótima.

    Os que consideravam a administração regular eram 10% e ruim ou péssimo, 5%. De zero a dez, Richa recebeu uma nota 7,9.

    A sondagem abrangia dez capitais. O paranaense era disparado quem tinha os melhores números. Segundo colocado, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), ganhou nota 6,4 e alcançou um índice de ótimo e bom de 50% – 34 pontos porcentuais a menos que Richa.

    Em março de 2015, o instituto Paraná Pesquisas mostrou um cenário bem diferente. Após quatro anos e três meses como governador, 76,1% dos paranaenses desaprovavam a gestão do tucano.

    Situação que deve ter se deteriorado muito mais após a operação policial que acabou com 213 feridos no Centro Cívico, dia 29 de abril.
    Outra pesquisa, sobre o cenário socioeconômico de Curitiba na década passada, mostra o que levou a esse efeito-gangorra.

    Ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal, Marcelo Neri é autor de um estudo que mostra dados impressionantes sobre a capital paranaense.

    O material desenvolvido para o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas e intitulado “Os emergentes de Curitiba” cita que a pobreza na cidade caiu 53,4%, entre 2004 e 2009.

    Na mesma toada, a renda per capita subiu 47% (de R$ 819,38 para R$ 1.203,62), entre 2003 e 2009, bem acima da média nacional de 32%. Pelo índice de Gini, a desigualdade na cidade caiu, no mesmo período, 10,7%, ante 4,45% da média nacional.

    Os números comprovam que, se a década de 2000 foi ótima para o país, foi ainda melhor para a capital paranaense. Vale lembrar que Richa foi prefeito entre janeiro de 2005 e março de 2010, ou seja, pegou em cheio o período de bonança.

    A questão é: o quanto ele realmente colaborou para que isso acontecesse?

    Nem prefeito nem governador têm instrumentos de regulação direta da macroeconomia. Assim como é presunção achar que o então presidente Lula fez tudo sozinho (apesar das políticas de distribuição de renda terem colaborado).

    A verdade é que Richa foi prefeito em um período de ouro, em que a economia mundial conspirou a favor do Brasil (puxada pelo crescimento da China) e particularmente pró-Curitiba.

    Eis que a ressaca da crise econômica mundial – e das trapalhadas econômicas petistas – bateu forte no primeiro mandato de Dilma Rousseff.

    Ainda assim, o Paraná sentiu bem menos esses efeitos. A receita do estado continuou crescendo (muito mais que a média das demais unidades da federação), mas a situação já não era das mais confortáveis.

    Richa é fruto eleitoral daquela época de pibão e euforia da classe C.

    Navegar entre marolinhas foi tranquilo.

    Na tempestade, a história tem sido bem diferente.

    Publicado por jagostinho @ 14:24



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

Deixe um comentário

Por favor, atenção: A moderação de comentário está ativa e pode atrasar a exibição de seu comentário. Não há necessidade de reenviar o comentário.