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  • 18maio

    GAZETA DO POVO  – Diego Antonelli

    O jornal curitibano que flertou com Hitler

    Criado em 1902, o jornal Der Kompass , que circulou em Curitiba, assumiu nos anos 30 posicionamento favorável ao nazismo

    JORNAL NAZISTA

    O mundo ainda celebrava o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) quando uma nova ameaça começou a surgir em terras germânicas.

    A ascensão do Partido Nazista, em 1933, dava indícios de que a paz estaria com os dias contados. Não por acaso, o imperialismo alemão, comandado por Adolf Hitler, foi um dos fatores que levaram à eclosão da Segunda Guerra Mundial na década de 1940.

    Enquanto a incerteza e o clima de apreensão tomavam conta deste período entre guerras, era através do jornal católico Der Kompass (A Bússola, em português) que os imigrantes alemães que viviam em Curitiba se informavam.

    Durante as quatro décadas, o periódico, que era publicado em alemão, nunca se posicionou claramente contra o nazismo. Nem mesmo mediante as imposições do Estado Novo (1937-1945), chefiado pelo então presidente Getúlio Vargas.

    Criado em 1902, A Bússola chegou a assumir, nos anos 1930, um posicionamento favorável ao nazismo, segundo a historiadora Petra Henning, que pesquisou o periódico.

    “Pois não havia motivos para se colocar contra, já que, neste período, o nazismo representava o reerguimento da ‘pátria-mãe’ e as festas organizadas pelo partido promoviam a manutenção da identidade alemã”, explica.

    As festas e encontros promovidos pelos partidários nazistas eram bem aceitos pelos alemães e, em alguns casos, possuíam até o apoio do governo local.

    “Por isso, a publicação de notícias sobre esses eventos era comum, como forma de informar à comunidade o que ocorria entre os alemães”, relata a pesquisadora.

    Por meio do jornal, os alemães tinham informações, por exemplo, sobre os encontros realizados pelo Círculo Paranaense do Partido Nazista.

    Mudança

    O Der Kompass, no entanto, estava entre a cruz e a espada. Ou melhor, entre a suástica e Vargas. Petra explica que devido às repressões decorrentes da Lei de Nacionalização, de 1938, o jornal sofreu diversas mudanças.

    “Passou a se autodenominar um jornal teuto-brasileiro e não mais alemão. Em alguns momentos ele deixou de noticiar eventos importantes para os alemães, como o aniversário de Hitler em 1938, para recordar um importante feriado brasileiro, o de Tiradentes”, afirma.

    O mais importante de todos esses fatos foi que o jornal se viu obrigado a se manter alheio às atividades do Partido Nazista no Brasil.

    “Por mais que o jornal quisesse demonstrar simpatia (ou talvez a não oposição) pelo Partido Nazista, ele foi forçado a se manter neutro pelo Estado Novo, para que continuasse sendo publicado.

    Porém, não se pode dizer que o jornal se colocou contra o nazismo. Sua postura foi de neutralidade durante os últimos anos”, relata a pesquisadora.

    Jornal teve sede queimada durante a Primeira Guerra

    A sede do jornal Der Kompass foi apedrejada, invadida e parcialmente queimada em 1917, durante a Primeira Guerra, quando a Alemanha e o Brasil se colocaram em lados opostos.

    A historiadora Pâmela Fabris explica que, até abril de 1917, o jornal funcionou normalmente.

    “No entanto, naquele mês a Alemanha bombardeou navios brasileiros, o que fez com que o Brasil deixasse de ser neutro na guerra. A partir deste período, o Der Kompass passou a sofrer ataques.”

    Pâmela conta que em abril e outubro daquele ano, a sede do periódico foi apedrejada. Segundo o jornal Commercio do Paraná, publicado em 11 de abril de 1917, um desses ataques ocorreu durante uma manifestação de aproximadamente 500 pessoas.

    “Na redação do ‘Der Kompass’, próximo à igreja dos franciscanos, os manifestantes praticaram depredações, apedrejando o edifício, cujas janelas vieram quase todas abaixo”, diz o texto do periódico.

    Pâmela relata ainda que, em outubro, houve um princípio de incêndio no jornal, provocado pela multidão.

    “Embora o ano de 1917 se caracterize como um importante período de conflitos entre o jornal e parte da sociedade curitibana, é importante ressaltar que esta não era a primeira vez que o jornal se envolvia em polêmicas com parte da sociedade local”.

    “Portanto, neste sentido, cabe apontar que também faz parte da história de imigrantes alemães e seus descendentes em Curitiba o envolvimento em uma série de confrontos oriundos das mais diversas motivações, como políticas, religiosas, étnicas e de classe”, salienta a historiadora.

    Após o corte de relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha, cidades como Santos, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba presenciaram dezenas de conflitos que tinham como alvo casas comerciais, residências, fábricas e instituições pertencentes a pessoas de origem germânica.

    Jornal circulou também em SC e RS

    O Der Kompass circulou em Curitiba entre 1902 e 1941. Era enviado, também, para outros estado, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Durante os quase quarenta anos em que circulou, o jornal teve sua periodicidade variada. Em alguns momentos era publicado semanalmente, em outros, duas ou três vezes por semana.

    “Inicialmente era escrito apenas em alemão, porém, com a chegada do governo Vargas e a campanha de nacionalização, alguns textos passaram a ser traduzidos para o português, principalmente as manchetes.

    Em boa parte, dos quase 40 anos em que o jornal circulou, ele foi publicado em caracteres góticos”, afirma Petra.

    Segundo ela, o Der Kompass trazia, principalmente, notícias sobre a cidade de Curitiba e sobre a Alemanha, trazia também muitos anúncios de emprego e serviços e contos ficcionais.

    Publicado por jagostinho @ 18:49



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