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  • 24mar

    OUTONO PT
    *Luiz Felipe Pondé

    Há que se ter uma certa grandeza, mesmo no pecado, e o PT se revelou incapaz até de pecar com elegância
    Temos que reconhecer: chegamos ao fim de uma era.

    O PT vive seu outono. Melhor voltar para o pátio da fábrica onde nasceu e de onde nunca deveria ter saído.

    Há que se ter uma certa grandeza, mesmo no pecado (o desejo de poder é o pecado máximo de toda a política), e o PT se revelou incapaz até de pecar com elegância.

    Este outono do PT não se deve apenas às manifestações contra seu governo.

    Essas manifestações, diferentes das patrocinadas pelo “PT e Associados”, manifestações com todos os tiques de política de cabresto e mazelas sindicalistas (passeata chapa branca), trazem algo de novo para o cenário, que deixa o “PT e Associados” em pânico.

    A tendência é a elevação da violência por parte da militância.

    O Brasil perdeu o medo do PT e da esquerdinha pseudo.

    As pessoas descobriram que o mal-estar com essa turminha não é coisa de “gente do mal” (não é coisa de gente do mal, é coisa de gente bem informada), como a turminha pseudo diz, mas sim que somaram 2 + 2 e deu 4: o PT é incompetente para governar.

    Afundou quase tudo em que tocou, seja municipal, estadual ou federal (e a Petrobras).

    Mas essa morte do PT significa mais do que o fim de um partido que será esquecido em cem anos.

    O fim do PT significa que o ciclo pós-ditadura se fechou.

    No momento pós-ditadura, a esquerda detinha a reserva de virtude política e moral, assim como de toda a crítica política e social.

    Ainda que a história já tivesse provado que todos os regimes de esquerda quebram a economia (como o PT quebrou a nossa) ou destroem a democracia (como os setores mais militantes do partido gostariam de fazê-lo).

    Vide o caso mais recente e mais próximo, a Venezuela: economia destruída (e com petróleo!) e democracia encerrada de uma vez por todas.

    Como será que nossa diplomacia, ridícula como quase tudo que o governo do PT toca, reagirá ao fato de ele, Maduro, ter se dado plenos poderes para matar e torturar em nome do socialismo?

    Resta pouco espaço para o governo. A tendência é que a presidente fale apenas a portas fechadas para plateias seletas por medo de tomar mais uma panelada.

    Com a economia em frangalhos, fica difícil para a presidente enterrar o petrolão em consumo, como seu antecessor o fez durante o escândalo do mensalão.

    Quando as pessoas estão felizes comprando é fácil fazer vista grossa à corrupção. Quando o bolso esvazia, o saco fica cheio.

    Dizer que a corrupção da Petrobras nada tem a ver com o partido no poder é piada.

    A ganância do novo rico (o PT) aqui mostra seus dentes: querendo enriquecer rápido, meteu os pés pelas mãos e com isso sacrificou a imagem de redentor que o partido tinha para grande parte da classe média.

    Ele ainda detém o controle de parte da população mais pobre (como a Arena no final da ditadura), mas logo perderá esse trunfo.

    É verdade que ainda muitos professores, estudantes, artistas, jornalistas e intelectuais permanecem sob a esfera de influência da “estrela mentirosa”.

    Mas isso também vai passar na hora em que muitos deles perderem o medo de serem chamados de “reacionários”.

    Reacionário hoje é quem se fecha ao fato de que a história andou e as pessoas já não têm mais medo do PT e da sua turminha.

    Infelizmente, o governo, diante da história que arromba a porta, parece um grupo de náufragos num barquinho, fugindo da traição que perpetrou, xingando a água, dizendo que as ondas são fascistas e que a tempestade é mal-intencionada.

    Não, quem discorda hoje do governo federal não é gente “fascista”, é gente que viu que o projeto do PT para o Brasil acabou.

    É gente educada, bem preparada, autônoma e que está de saco cheio do tatibitate do PT.

    Sem líderes significativos, sem propostas que criem a credibilidade necessária para sair da lama, a melhor coisa que o PT pode fazer é pedir licença e sair de cena.

    Não acho que haja justificativa (ainda) para o impeachment, e devemos preservar as instituições. Mas a água passa debaixo da ponte.

    Quatro anos é tempo bastante para se afogar na vergonha. E, aí, a humildade será mesmo essencial, não? Sim, mas o PT é pura empáfia.

    *Luiz Felipe Pondé, escritor, filósofo e ensaísta, é doutor em Filosofia pela USP e professor do Departamento de Teologia da PUC-SP e da Faculdade de Comunicação da FAAP.

    Publicado por jagostinho @ 13:51



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