Publicidade


      Red Apple Cosméticos

      CPV - Centro Paranaense da Visão

      Hospital Cardiológico Costantini

      Hotel Carimã

Twitter @blogdojota


  • 23mar

    EDITORIAL DA REVISTA ISTOÉ – Carlos José Marques, diretor editorial

    DILMA ESCURA

    Está tão acelerado o processo de esfacelamento do Governo que é difícil acompanhar o ritmo dos eventos que inviabilizam seu funcionamento.

    Ministro que sai atirando contra o Congresso, vazamento de documento sugerindo uso dirigido e ilegal da publicidade oficial, erros em cascata na resposta às ruas, um “salve-se quem puder” como poucas vezes se viu no Planalto.

    A presidente parece estar à frente de um desgoverno e para entornar de vez o caldo experimenta queda vertiginosa na sua popularidade.

    Pelo que se pode depreender da última pesquisa Datafolha, Dilma chegou ao ponto em que quase ninguém a aprova. Nem mesmo os aliados. Muito menos aqueles que a elegeram.

    A rejeição saltou para impressionantes 62% enquanto a sua aprovação desceu ao nível de 13%. São indicadores recordes.

    Algo jamais imaginável para quem se encontra ainda em início de gestão. Seus números só são comparáveis aos do presidente Collor às vésperas da renúncia.

    E se esse não é um sinal claro, evidente, de que ela está conduzindo o País por um rumo errado, não há mais como sensibilizar os sensores palacianos e, nessa toada, Dilma irá comandar sob o estigma da ilegitimidade.

    Uma coisa desde já é certa: caiu por terra o mito do Brasil dividido, que embalava as ilusões do Governo e do PT para se perpetuar no poder.

    Hoje Dilma não seria a escolhida da ampla massa de eleitores. Muitos mudaram de opinião e agora formam fileiras contra ela.

    A desculpa frágil de uma orquestração das elites, dos “ricos”e “coxinhas”, desabou frente a óbvia demonstração dos números estatísticos e das manifestações que galvanizam brasileiros do Oiapoque ao Chuí.

    No levantamento Datafolha, pela primeira vez, a maioria do público de baixa renda e com menor escolaridade classifica sua gestão como ruim ou péssima.

    Os protestos do domingo, 16, já haviam dado um eloquente alerta – o que, para a maioria dos mandatários, seria mais do que suficiente para despertar preocupações e atitudes convincentes de humildade e compreensão do recado.

    No caso de Dilma serviu apenas e tão somente para repisar promessas de diálogo que ela nunca coloca em prática e para desengavetar um surrado projeto anticorrupção.

    A presidente até aqui foi incapaz de assumir um mea-culpa, de admitir publicamente os erros. Provavelmente não irá fazê-lo.

    E tamanha soberba tem irritado qualquer um que dela se aproxima. Sua falta de habilidade política, pouca paciência e muito de prepotência para ouvir a sociedade está levando o segundo mandato a um ponto de inoperância absoluta.

    Poucos acreditam em um desfecho positivo do processo. Seja nas rodas palacianas, nos corredores do Congresso, nas conversas de simpatizantes, aliados, amigos ou opositores, Dilma é vista como a antítese da governante que comanda em nome do interesse geral.

    Isolada e sob pressão intramuros do Planalto ela parece não perceber isso. Se atira aos mais desabusados rompantes de ciclotimia, considera a crise passageira e continua a distribuir ordens que não negocia com ninguém, tal qual uma soberana que se enxerga inabalável, absoluta e senhora da verdade.

    Ledo engano. Seria recomendável, em seu próprio proveito, um certo resguardo do mau humor, pitadas de modéstia e menos descaso e preconceito contra a horda de insatisfeitos que teima em desqualificar como uma minoria de burgueses brancos. 

    Publicado por jagostinho @ 11:43



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

Deixe um comentário

Por favor, atenção: A moderação de comentário está ativa e pode atrasar a exibição de seu comentário. Não há necessidade de reenviar o comentário.