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  • 23mar

    VEJA.COM –  Jennifer Ann Thomas

    O neurocientista Ken Kiehl defende que, assim como deficientes físicos necessitam de fisioterapia, doentes mentais, a exemplo de psicopatas, têm de trabalhar o cérebro para combater a doença

     

    Kent Kiehl
    Para o neurocientista americano, a psicopatia é uma herança genética(VEJA.com/Divulgação)

    Kent Kiehl, neurocientista americano da instituição Mind Research Network e da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, é autor do livro The Psycopath Whisperer (sem tradução em português; 19 dólares na Amazon), resultado de vinte anos de estudo com psicopatas presos.

    Na entrevista a seguir, Kiehl explica como a psicopatia se desenvolve como uma característica genética e quais são os caminhos para combatê-la e, assim, diminuir seus efeitos.

    Há quem nasce psicopata?

    >>>   Estudos recentes, como os que conduzi, sugerem que a maior parte das variantes para traços de psicopatia é genética. Um exemplo é a metodologia que faz uso de gêmeos.

    Normalmente, ambos os irmãos marcam a mesma pontuação, seja ela alta, ou baixa, no teste usado para identificarmos um psicopata.

    Com essa técnica, sabemos que ao menos 50% dos traços de psicopatia são relacionados ao DNA.

    Mas isso não é uma sentença definitiva para a vida, pois é maleável. Há várias oportunidades para remodelar as pessoas.

    É possível diagnosticar um bebê como psicopata?

    >>>   Uma criança, sim. Existem psiquiatras que tentam identificar a doença em pacientes com 5 anos.

    Todos têm a esperança de que, mesmo no caso de um jovem que aparenta ser de alto risco para a sociedade, os pais possam buscar caminhos para resolver, ou ao menos aliviar, o problema se agirem cedo.

    Como alguém consegue exercitar o cérebro para ir contra a genética?

    >>>   Assim como uma deficiência física precisa de fisioterapia, a mente necessita de exercícios.

    Partimos do princípio que a psicopatia tem a ver com redução de empatia e excesso de impulsividade. Então, desenvolvemos jogos de computador que estimulam a empatia e reduzem a impulsividade.

    O paciente ganha no game se conseguir esperar, planejar e pensar sobre as atitudes cuidadosamente. Esse tipo de trabalho reduz, em muito, os traços típicos desse desvio mental.

    O psicopata consegue perceber sozinho que é um psicopata?

    >>>   Usualmente, não. Por sofrer de falta de empatia pelo outro, o psicopata não percebe como o seu modo de vida influencia as pessoas.

    Aliás, nem como ele afeta a própria vida. Durante o tratamento, porém, quando o psiquiatra explana sobre os atos do psicopata, ele consegue se reorientar para não repetir os erros.

    Temos de educar e treinar a mente do paciente.

    Como fazer isso?

    >>>   A melhor opção é o reforço positivo. Ou seja, reduzir a punição e aumentar os agrados quando o paciente age corretamente.

    Pesquisas comprovam que essa estratégia é mais eficiente em indivíduos com essas características.

    Quem tomaria essa atitude corretiva, baseada no incentivo, não na punição?

    >>>   Pais, professores, babás, quase todos do convívio do indivíduo podem agir.

    É preciso trabalhar com o paciente, principalmente quando é uma criança, em todos os momentos de sua vida. Cabe ao psiquiatra treinar aqueles que fazem parte da vida do psicopata.

    É possível reinserir um psicopata na sociedade, mesmo um com histórico de crimes?

    >>>   Isso depende muito da linha filosófica e social do sistema criminal de cada país.

    Acredito que os dados falam por si. Sem planejamento, não dá.

    Exemplo: 80% dos prisioneiros voltam ao sistema penitenciário dentro de três a cinco anos se não passaram pelo devido tratamento psiquiátrico.

    O ponto da minha pesquisa é que, já que eles serão soltos depois de cumprirem as penas, devemos elaborar tratamentos, estudos, programas de monitoramento, tudo para minimizar as chances de essas pessoas voltarem a cometer crimes consequentes de escolhas erradas de suas mentes perturbadas.

    Publicado por jagostinho @ 18:53



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