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  • 21mar

    FOLHA.COM – GRACILIANO ROCHA DE SÃO PAULO

    ‘Dirceu me levou a Chávez e o dinheiro começou a sair’, diz empresário do PR

     

    Pedro Ladeira – 4.nov.14/Folhapress
    O ex-ministro José Dirceu
    O ex-ministro José Dirceu 

    No segundo semestre de 2011, o dono da Consilux Tecnologia, Aldo Vendramin, bateu à porta do ex-ministro José Dirceu para ganhar acesso privilegiado ao gabinete do então presidente Hugo Chávez (1954-2013) e tentar evitar os recorrentes atrasos de pagamento do governo venezuelano.

    Sediada em Curitiba (PR), a empresa ganhou contratos e aditivos de US$ 416 milhões para construir casas populares numa versão do Minha Casa, Minha Vida na Venezuela.

    Entre 2011 e 2013, a Consilux pagou R$ 1,22 milhão para o petista desatar o nó político na república bolivariana.

    “O José Dirceu me levou três vezes para conversar com o Chávez pessoalmente e depois disso o dinheiro começou a sair mais rápido”, diz o empresário.

    As atividades de Dirceu entraram no radar da Operação Lava Jato por suspeitas de que pagamentos feitos à a JD Assessoria e Consultoria Ltda., sua empresa, seriam, na verdade, uma forma disfarçada de propina por empreiteiras citadas no esquema de corrupção da Petrobras.

    Com a quebra de sigilo autorizada pela Justiça, Receita Federal concluiu que a empresa de consultoria do ex-ministro, recebeu R$ 29,3 milhões entre 2006 e 2013.

    Em nota, José Dirceu afirmou ter prospectado negócios para seus clientes no exterior e negou ter tratado de qualquer assunto relacionado à Petrobras.

    A seguir os principais trechos da entrevista:

    *

    FOLHA – Que serviço a JD Assessoria e Consultoria prestou para a Consilux?

    >>>   ALDO VENDRAMIN – Trabalhar na Venezuela não é simples. Estamos na Venezuela desde 2006 construindo casas populares, mas trabalhar lá não é simples. Tivemos bastante problema com fluxo de caixa, pagamentos que atrasavam e contratamos a consultoria do ex-ministro.

    Para fazer o quê exatamente?

    >>>   O José Dirceu nos aproximou do governo [do então presidente Hugo] Chávez. Ele tinha um trânsito muito grande com ministros e com o próprio presidente.

    Ele conhece todo mundo e a gente estava numa situação complicada com os atrasos de pagamento. Às vezes, faziam a medição e levavam muito tempo para liberar o pagamento.

    Ele foi muito eficiente.

    Como?

    >>>   Ele me levou três vezes para conversar com o Chávez, e depois disso o dinheiro começou a sair mais rápido. Continuaram atrasando, mas menos.

    Antes destas conversas, o governo levava seis, oito meses para pagar. Depois que o Dirceu entrou no circuito, isso caiu pra dois, três meses.

    Um lobby, então.

    O que o ministro [Dirceu] me disse quando começou com a gente foi: “estou defendendo uma empresa brasileira no exterior”.

    Algumas pessoas vieram me questionar, por causa dos problemas judiciais dele [à época, réu no mensalão], por que eu não contratava um outro escritório de advogado.

    Mas, com o sucesso que ele teve lá, você contrataria outro?

    A consultoria também ajudou a ganhar os contratos?

    >>>   Não, os contratos nós já tínhamos de antes. Em 2005, o [então governador do Paraná, Roberto] Requião levou uma comitiva de empresários para Caracas.

    Foi quando a gente viu a oportunidade de entrar no ramo de casas populares.

    Mas a Consilux é uma empresa de tecnologia de trânsito, radares, lombadas no Brasil.

    >>>   É, mas vimos a oportunidade de diversificar e entramos bem no mercado venezuelano de habitação. Conseguimos depois dessa essa viagem com o Requião.

    >>>   O Dirceu não teve nada a ver com a nossa entrada lá. Só nos atendeu muito depois, a partir do final de 2011.

    Como o sr. encarou o vazamento da lista dos clientes da JD durante a investigação da Lava Jato?

    >>>   Não tenho nada a ver com Lava Jato. O ex-ministro apenas nos atendeu num caso específico e foi muito bem.

    Publicado por jagostinho @ 09:12



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