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  • 23set

    FOLHA.COM

    Na TV, Dilma usa dados incorretos e é contestada sobre economia

    Em entrevista concedida ao jornal “Bom Dia, Brasil”, da TV Globo, a presidente e candidata Dilma Rousseff (PT) utilizou dados e informações incorretas e foi contestada pelos jornalistas. O programa foi gravado neste domingo (21) no Palácio da Alvorada e transmitido nesta segunda-feira (22).

    O embate mais forte se deu quando a petista foi questionada sobre a piora da inflação em seu governo e seus ataques à proposta de um Banco Central independente , da adversária Marina Silva (PSB).

    Em suas respostas, Dilma disse que o Banco Central americano, o Federal Reserve, independente, enfrenta ameaça de deflação –inflação abaixo de zero, um sintoma de recessão econômica. Conforme apontou a jornalista Míriam Leitão, espera-se uma inflação em torno de 2% neste ano nos EUA.

    A presidente e a entrevistadora também divergiram quando Míriam afirmou que a Alemanha, a despeito da crise europeia, deverá crescer 1,5% neste ano, acima do 0,3% esperado no Brasil. Dilma disse que a Alemanha está crescendo 0,8%. Essa, no entanto, é a taxa de expansão no segundo trimestre do ano.

    A presidente também se equivocou ao dizer que a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), feita pelo IBGE, não apura desemprego. Com metodologia diferente da pesquisa mensal de emprego também do IBGE, a Pnad calculou desemprego de 7,1% em todo o país no primeiro trimestre do ano, enquanto a pesquisa tradicional, limitada às seis principais regiões metropolitanas, apurou taxa de 4,9% em abril.

    Dilma disse ainda, sobre o desemprego, que “ninguém tem no mundo taxa de 4,9%”. Vários países têm taxas semelhantes ou inferiores, casos de China, Japão, Rússia, Coreia do Sul, Áustria, Suíça, Tailândia e outros.

    Durante a entrevista, Dilma afirmou que a redução da participação dos bancos públicos inviabilizaria a realização de obras de infraestrutura no país. A presidente também afirmou que o Brasil está na defensiva na área econômica e depende de uma melhora na economia dos Estados Unidos para voltar a crescer.

    Ao tentar explicar seu raciocínio, Dilma citou o banco central americano e disse que a sua independência está baseada no máximo emprego, estabilidade no curto prazo e juros moderados no longo prazo enquanto no Brasil, o Banco Central lida exclusivamente com o controle da inflação.

    A campanha petista vem atacando a proposta de banco central independente defendida por sua adversária Marina Silva (PSB). Para conter seu crescimento nas pesquisas de intenção de votos, a propaganda eleitoral de Dilma diz que se isso acontecer, aumentará a pobreza no país, levando as pessoas a ficarem “com o prato vazio”.

    “Tudo o que eu falo está no programa da candidata. Ela diz que vai tornar o Banco Central independente. Ora, isso é colocar um quarto poder no país. [] Estou alertando. Reduzir o papel dos bancos públicos”.”

    O que significa? Quero saber como vão financiar a infraestrutura no Brasil. Se for comparar com juros de mercado ninguém faria obras de infraestrutura no Brasil. Isso não é medo, é real. Não sai rodovia, não sai metrô, não sai VLT”, afirmou Dilma.

    Questionada sobre se estava satisfeita com o crescimento econômico brasileiro, Dilma apenas respondeu: “não”. “O Brasil está na defensiva para proteger os empregos, salários e investimentos. Protegemos isso porque apostamos em uma retomada, em que vamos mudar de defensiva para ofensiva”, disse.

    No entanto, para que isso aconteça, Dilma afirmou que o país depende de um crescimento dos Estados Unidos. “A gente tem de ver como que evolui a crise. […] Os Estados Unidos evoluindo bem eu acho que o Brasil pode entrar numa outra fase, que precise de menos estímulos. Pode ficar entregue à dinâmica natural da economia e pode, perfeitamente, passar por uma retomada”, disse.

    MUDANÇA DE AMBIENTE

    A entrevista ao “Bom Dia Brasil” foi gravada em um local descaracterizado no Palácio da Alvorada. A biblioteca da residência oficial, onde Dilma gravou a maioria das sabatinas e entrevistas concedidas durante a campanha eleitoral, foi abandonada depois que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), José Dias Toffoli, criticou o uso do local.

    Em entrevista à revista “Época”, o ministro disse que a utilização da biblioteca por Dilma é uma “vantagem indevida”. Neste domingo (21), a candidata ironizou a avaliação e disse que seria uma “sem-teto” se não pudesse usar a residência oficial da Presidência para dar entrevistas.

    “Eu só quero lembrar que todos meus antecessores usaram o palácio, até porque caso contrário eu serei uma sem-teto, não terei onde dar entrevista. Não tenho casa, não pode ser no Alvorada, serei sem-teto e irei para rua dar entrevista. Não tenho outro local”, disse Dilma em uma entrevista coletiva realizada na tarde de domingo (21).

    Ela afirmou ainda que se o problema fosse a biblioteca, então não mostraria mais a biblioteca. 

    Publicado por jagostinho @ 12:06



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Uma resposta

WP_Cloudy
  • aurélio Disse:

    Nunca votei no PT e nem em Lula. Mas hoje acho que o ex-presidente fez um governo muito bom, de olho na população mais carente implantou políticas sociais afirmativas e usou os bancos estatais para financiar e estimular o consumo interno. Lula, por não ser da “academia”, não perdeu tempo com discussões teóricas sem fim, implantou e pronto! Penso que precisamos ter governantes com perfis diferentes. Alguns períodos com presidentes como Lula e outros períodos com presidentes como Fernando Henrique. Assim teremos ações de efeito imediato e políticas que assegurem o presente o futuro do país. Políticas industriais e outros políticas públicas, que atraiam investimentos e gerem empregos de verdade. Nenhum governante faz essas coisas ao mesmo tempo, daí a importância do rodízio no poder. P.S. A presidente Dilma é muito limitada, parece capataz de fazenda. Está lá para baixar o porrete e não pensar muito!

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