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  • 08set

    GAZETA DO POVO/JOSÉ CARLOS FERNANDES

    Daniel Castellano/Gazeta do Povo

    Daniel Castellano/Gazeta do Povo / A turma da Rua Humberto Ciccarino e as plaquinhas agora famosas: vizinhos mais unidos

    A turma da Rua Humberto Ciccarino e as plaquinhas agora famosas: vizinhos mais unidos

    “Vocês vão ter de se virar”. A frase foi dita há um ano, por um PM, durante uma reunião comunitária no Boqueirão, em Curitiba. Discutia-se segurança pública. A declaração, claro, causou uma ponta de revolta.

    “Pois não é que a gente se virou?”, ri o autônomo Luiz Osmar Hauer, 58 anos. Ele foi um dos que saíram do encontro ressentidos com o policial, mas matutando o que poderia fazer para reduzir o índice de assaltos a residências na região.

    A resposta estava numa rua próxima, na qual funciona um sistema de proteção administrado pelos próprios moradores. Não tem segredos. As famílias do quarteirão se cotizam, compram alarmes e controles remotos – investimento que oscila entre R$ 100 e R$ 500.

    Depois fazem um pacto de cavalheiros – o de que um vai ajudar o outro a cuidar das casas. Por fim, botam na frente da moradia uma plaquinha, com a logomarca do projeto.

    Os nomes variam. Vão de “Vizinho Solidário” a “Vizinhos de Olho” ou “Vizi­­nhos em Alerta”, esse escolhido por Hauer e outros moradores da Rua Humberto Ciccarino, no Boqueirão.

    Não há um levantamento oficial de quantas propostas semelhantes funcionam na cidade, desde 2005, quando começaram – inclusive com variações para o tema, a exemplo da versão “Mães da Praça de Maio”, aquela que vem acompanhada de panelaços.

    Todas as classes

    As “vizinhanças” são, sobretudo, iniciativas cidadãs. Pode-se afirmar que 13 dos 75 bairros da capital contam com pelo menos uma organização semelhante, do graúdo Jardim Social ao Tatuquara.

    O Boqueirão concorre a campeão – com seis ruas. Não há manual de instruções: trata-se de uma proposta em formação. Ninguém a teorizou. Tampouco se mediu sua eficiência.

    No entender dos consultados, as vizinhanças” devem ser entendidas como uma espécie de rede social. O Facebook é seu parente próximo. A associação das moradores, seu irmão.

    Para funcionar, é preciso que os filiados morem muito perto. Não basta que tenham endereço na mesma rua, precisam estar no mesmo quarteirão.

    Detalhe: se alguém pensa estar implantando um alarme para o seu quintal, apenas, “aquele abraço”. A natureza do projeto é coletiva. Mais: se alguém acha que a PM virá correndo assim que soem as “trombetas”, ledo engano.

    O som não passa de 110 decibéis, de acordo com a lei ambiental, e o sinal funciona como “sistema de pânico” – como se alguém perguntasse: “Vizinho, está acontecendo alguma coisa?”

    “É um sistema de alerta. Inibe, mas sem envolvimento, não adianta”, explica o eletrônico Vanderlei Matheus, 56, um dos membros da rede da Rua Humberto Ciccarino, formada por 29 associados.

    Só quem ouve o barulho são os mais próximos, a quem cabe ligar para a casa sob suspeita, averiguar se está tudo bem. Em seguida, telefonar para a polícia.

    “E nada de botar o peito no portão, se achando valente”, avisa o líder do movimento, o comerciante Gilmar Chiarelo da Luz, 47.

    Gilmar é um entusiasta da ideia. “O maior ganho é que agora sei o nome dos meus vizinhos. Sabem que podem bater palmas aqui e dizer ‘vou descer para a praia. Você olha o meu cachorro?’. Alguns deles eram muito reservados.”

    Em um ano, o alarme da soou uma única vez – e por engano – mas ninguém pensa em desligá-lo. Policialesco no princípio, o “Vizinhos em Alerta” acabou por mostrar que o maior problema da segurança é a falta de vínculo entre pessoas que vivem próximas.

    Não ter alguém para molhar a samambaia quando se viaja é termômetro de que as relações de vizinhança vão mal, o que agrava a sensação de insegurança.

    “Quando vê a plaquinha na porta, a ‘gatarada’ vai toda embora”, brinca o aposentado Nestor Claman, 70.

    A turma da rua do lado já veio perguntar como funciona. Mas é cedo para dizer que virou onda. O cachorro permanece o sistema de alerta mais empregado – para desespero dos carteiros.

    Publicado por jagostinho @ 11:44



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