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  • 25nov

    LUIS NASSIF ONLINE

    luis_nassifO Brasil atravessa um momento complicado, de perda de rumo.

    Nos últimos anos, a orquestração da opinião pública dependeu de dois discursos polarizadores:

    o da presidência da República e o da chamada velha mídia (os quatro grupos jornalísticos do eixo Rio-São Paulo que dominaram o mercado de opinião nas últimas décadas, assumindo o papel da oposição).

    Essa orquestração se dava em cima de uma partitura de fácil assimilação: a luta do “bem” contra o “mal”.

    Do lado da mídia, o “mal” era representado por um governo que ameaçava o país com o “chavismo”, o “castrismo”, o “bolivarianismo” e outros mitos da guerra fria.

    Do lado do governo e do PT, um país ameaçado pelo que ficou batizado como o PIG (Partido da Mídia Golpista), com pitadas conspiratórias de forças externas.

    ***

    Aí ocorre a implosão dos sistemas de controle no mercado de opinião e no Parlamento.

    No mercado de opinião, devido à explosão das redes sociais; no Parlamento, devido à falta de coordenação política e à formação de maioria a qualquer preço.

     ***

    Hoje em dia, os sinais da falta de rumo estão em todos os pontos.

    No governo Dilma Rousseff, a não ser a bandeira das políticas sociais, não se percebe um rumo político, não apenas nas políticas econômicas erráticas, mas em relação a temas políticos, morais, a políticas de direitos humanos contemporâneas.

    O senso de sobrevivência política se sobrepôs a qualquer princípio político.

    Na oposição midiática, não se vislumbra o mais leve sinal de propostas alternativas, apenas a crítica destemperada, radical, caricata de uma legião de Beatos Salú prevendo o fim do mundo e o extermínio do mal e o fim das políticas sociais.

    ***

    O resultado é o advento de propostas obscurantistas de todos os naipes.

    O Senado está a ponto de comprometer quinze anos de batalhas pela educação inclusiva.

    Basta uma manifestação ruidosa de defesa dos animais, para o Congresso colocar em risco todas as pesquisas de vacinas do país, anunciando a votação, em regime de urgência, de lei que proíbe testes clínicos em animais.

    Na Comissão de Direitos Humanos, um pastor homofóbico conduz os trabalhos e os mais ruidosos homofóbicos – como esse inacreditável Silas Malafaia – são disputados por políticos de todos os partidos.

    Por modismo, ganha força um movimento ambientalista contra qualquer forma de exploração racional de energia na Amazônia.

    ***

    Na disputa partidária, há uma ausência de grandeza, de generosidade, que transformou a disputa política em uma arena de gladiadores sem escrúpulos.

    Vendo Fernando Henrique Cardoso celebrar a desgraça dos adversários, à luz do calvário de José Genoíno, veio-me à memória Mário Covas.

    Se vivo fosse, provavelmente Covas sairia de São Paulo, iria até Brasília e, desavenças políticas à parte, levaria seu abraço a Genoíno.

    E todo militante tucano estufaria o peito, de orgulho do seu líder, como os petistas, quando Lula abraçou FHC no velório de dona Ruth.

    É uma fase de transição. O país não é mesquinho como parece ter se tornado nos últimos tempos.

    É questão de tempo para que novos ventos surjam trazendo de volta o discurso da mudança, da solidariedade e da pacificação nacional.

    Publicado por jagostinho @ 16:08



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