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  • 08nov

    EFE

    Mais do que uma necessidade do organismo, comer pode representar uma questão emocional, como explicou o psiquiatra Arthur Kaufman, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) à agência de notícias Efe.

    Segundo ele a comida, em todos os tempos, sempre esteve associada a sentimentos. “Bebemos e comemos para comemorar, mas também recorremos à comida quando estamos tristes –sobretudo às mais calóricas.

    Costumamos nos dar o direito aos excessos por achar que naquele dia merecemos. Quem nunca disse: comi tudo o que tinha direito?”, observa.

    Perder peso, nesse caso, envolve interferir em mecanismos emocionais desencadeados por questões pessoais.

    Dessa forma, diminuir a quantidade de comida ou mesmo eliminar determinado alimento da dieta pode não surtir efeito e, ao contrário, até piorar o quadro.

    Segundo Kaufman, é possível tratar distúrbios alimentares e emagrecer sem deixar de comer um doce ou tomar um refrigerante.

    “Há pessoas para quem a comida exerce o mesmo efeito –excitante ou calmante– da droga e ela é capaz de desenvolver um distúrbio alimentar que a leva a comer mesmo sem fome, por tristeza, alegria ou ansiedade”.

    Nesses casos, o tratamento deve ser focado no distúrbio alimentar e em sua causa emocional e não na doença “obesidade” em si, explica.

    SXC
    Segundo especialista é possível emagrecer sem eliminar doces e refrigerante
    Segundo especialista é possível emagrecer sem eliminar doces e refrigerante

     

    De acordo com o psiquiatra, a comida está associada a coisas boas não apenas pela questão da alimentação, mas porque as comemorações são sempre feitas com comida calórica: aniversários, celebrações e casamentos.

    “Ninguém comemora uma conquista ou se consola por uma perda comendo alface. Ela interpreta que por estar feliz merece comer o que quer, e o mesmo ocorre quando está triste”.

    Para ele, as pessoas associam as “guloseimas que os pais davam na infância” aos momentos de carinho e, se ficam tristes, relacionam o alimento ao momento bom do período da vida.

    “Ao não se sentir preenchida com esse carinho, aquela guloseima ‘volta’ porque a faz lembrar dos pais. É como se a mãe viesse trazendo a comida”, conta.

    Por isso, é um distúrbio difícil de tratar. É necessário desfazer essas associações e conter os impulsos que já estão automatizados no comportamento.

    “Indico aos meus pacientes que criem um ‘kit emergência’ para os momentos em que estiverem chateados, porque a tristeza é má conselheira”, sugere o especialista.

    Outra recomendação é não “fazer compras quando estiver triste ou com fome, porque é no supermercado que a pessoa começa a engordar”.

    O psiquiatra indica organizar um diário alimentar: anotar o que come de acordo com os dias, horário e quantidade, o local e o que está sentindo, e se comeu sozinho ou com alguém.

    “A companhia é importante porque há pessoas que nos deixam mais tensos e fazem com que comamos mais”, alerta.

    Publicado por jagostinho @ 18:54



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