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  • 15ago

    sergio_malbergier-70x70SÉRGIO MALBERGIER – consultor de comunicação. Foi editor dos cadernos “Dinheiro” (2004-2010) e “Mundo” (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial da Folha a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, “A Árvore” (1986) e “Carô no Inferno” (1987). 

    Liguei a TV no final da tarde gelada e lá estavam cenas de pavor e choque. Lentos e furiosos, motoristas tentavam fugir de manifestantes mascarados que espalhavam sacos de lixo pelas vias e policiais que os perseguiam durante protesto perto da Câmara Municipal de São Paulo.

    Sou entusiasta das manifestações. Dada a nossa história de iniquidades, só a ação disruptiva, esse novo jargão para revolução, pode confrontar o também histórico bovinismo nacional.

    Outras formas de enfrentamento, via voto ou ação judicial, têm se mostrado excessivamente lentas.

    As surpreendentes manifestações de junho foram o que secretário de Defesa do governo Bush Donald Rumsfeld chamou de “unknown unknowns” (coisas que não se sabe que não se sabe), muito mais difíceis de lidar do que os “known unkowns” (coisas que se sabe que não se sabe).

    Os partidos políticos, principais alvos das passeatas de massa (as atuais, muito menores, começam a ser instrumentalizadas pelos partidos), não esperavam que as massas se mobilizassem nos grandes centros urbanos brasileiros contra a corrupção e por um Estado mais eficiente.

    Primeiro porque o grande mobilizador popular (o PT e seus satélites) está no governo. Segundo, o bovinismo.

    Mas alguma coisa aconteceu desde a posse de Dilma.

    O país estava num pra frente Brasil, quase eufórico, quando Lula passou a faixa presidencial à primeira presidente mulher e gerente.

    O PIB crescia a 7,5%, os investidores investiam, os empreendedores empreendiam, a renda e o emprego cresciam.

    De lá para cá, porém, demos um cavalo de pau.

    O crescimento despencou junto com a confiança, os escândalos políticos foram multiplicados pelo número de partidos, a coleta de impostos explodiu com a formalização da economia e o crescimento, mas a qualidade dos serviços públicos seguiu abaixo do aceitável.

    De quem é a culpa? De todos nós. Alguns por fazerem coisas, outros, por não fazerem.

    As multidões nas ruas em junho eram compostas basicamente pela classe média, essa camada social tão conservadora e bovina, mas que, quando se levanta, move o mundo.

    Por isso talvez Marilena Chauí, a grande dama da intelligentsia petista, tenha dito recentemente nas comemorações de 10 anos do PT no poder:

    “Eu odeio a classe média. A classe média é o atraso de vida. A classe média é estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. A classe média é uma abominação política, porque ela é fascista, uma abominação ética, porque ela é violenta, e ela é uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante” !.

    O ódio de Chauí é coerente. Se existe grupo capaz de ameaçar a era PT, é a classe média brasileira.

    Ela saiu das ruas, que voltou para os novos e velhos profissionais do protesto.

    Mas, como cantava Chico Buarque, é bom se preparar para quando ela voltar…

    Se voltar.

    Publicado por jagostinho @ 09:22



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