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  • 28jun

    BLOG DO FERNANDO GABEIRA 

                                                                                                                                         gulliver-980x360

    A proposta do governo de realizar um plebiscito para a reforma política é uma tentativa de dar ao movimento das ruas um final empolgante como uma reunião de condomínio.

    É o sonho dos burocratas do PT. Mas será difícil colocá-lo em funcionamento.

    No princípio, a palavra plebiscito seduz, como quase todas as medidas anunciadas, a maioria uma cortina de fumaça.

    A ideia do plebiscito foi lançada para se tornar uma bomba de gás entediante que vai aos poucos dissipando todo mundo.

    Lembro-me que participei de inúmeras discussões sobre reforma política e, no final, até nós estávamos um pouco cansados do tema.

    O ideal é apresentar os principais temas da reforma, votá-los sob vigilância da eleitores e submetê-lo a um referendo com uma simples pergunta.

    O líder desse processo é Aloisio Mercadante que disse o seguinte: faremos apenas perguntas concretas.

    Isso me abalou. Afinal é o Ministro da Educação e considera uma pergunta concreta ter o voto distrital puro ou voto distrital misto.

    É um tipo de proposta feita para enganar os que a avaliam apressadamente.

    O plebiscito pode parecer mais democrático mas não é essa a intenção. Continuamos com um problema: como os deputados vão votar o que a maioria da população espera?

    A resposta para isso foi dada durante a semana. A pressão popular sobre pontos específicos faz o Congresso ceder.

    É preciso ter muita clareza sobre quais os pontos que realmente respondem à crise desencadeada pela revolta popular e aqueles que são jogados na mesa para entorpecer o debate.

    Qual reforma política partindo do PT vai ter dois pontos fundamentais: mais dinheiro para o PT e maior controle do processo político.

    Não sou pessimista. A oposição se desgastou menos que o governo. Ela tem condições de criticar esse pacto nacional enganador e o truque do plebiscito.

    Em primeiro lugar, precisa fortalecer sua agenda para um pacto: redução de ministérios, auditoria dos gastos na Copa e propostas menos bombásticas para educação e saúde.

    Em segundo lugar, precisa fortalecer a alternativa do referendum, no qual a população aceita ou não a reforma aprovada no Parlamento.

    Ficaremos com o poder de revogar o revogável, Mercadante, sem precisar revogar o irrevogável como você costuma fazer.

    Precisamos de um itinerário para sair da crise imediata e levar o país até 2014, para que aí surjam também propostas mais consistentes de mudança.

    O PT continuará tentando tirar vantagem da situação. Mas não há magia que ressuscite a imagem do país satisfeito com a economia e tolerante com a corrupção.

    Havia uma pedra no meio do caminho.

    Publicado por jagostinho @ 16:29



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Uma resposta

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  • Míriam27 Disse:

    Bem colocado. Mas a insatisfação popular, continuará a tremer o chão dos petistas.

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