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  • 06jun

    ELIO GASPARIELIO GASPARI –  nascido na Itália, veio ainda criança para o Brasil, onde fez sua carreira jornalística. Recebeu o prêmio de melhor ensaio da ABL em 2003 por “As Ilusões Armadas”.

    Madame Natasha tem horror ao uso de expressões que não querem dizer nada e, com um significado vago, destinam-se a empulhar a plateia, complicando a conversa. Dor de cabeça vira cefaleia.

    A doutora Dilma louvou duas operações militares e policiais que fazem parte do “Plano Estratégico de Fronteiras”.

    Outro dia, ao justificar o perdão de uma dívida de US$ 900 milhões de cleptocratas africanos, disse que “o engajamento com a África tem um sentido estratégico”.

    A Presidência da República, assim como diversos governos estaduais, tem uma Secretaria de Assuntos Estratégicos.

    Quase todos os ministérios tem programas de “gestão estratégica” e o do Planejamento oferece o software Geplanes, destinado a “monitorar o desempenho dos objetivos estratégicos”.

    Trata-se de puro blá-blá-blá, destinado a confeitar promessas ou, na melhor das hipóteses, desejos. Dizer que a economia brasileira crescerá 4% num determinado ano nada tem de enunciado estratégico.

    É apenas um objetivo, quando não, pura mentira. A empolação destina-se apenas a envernizar o comissário que anuncia o rio de mel.

    Em 1812, o marechal russo Kutusov enfureceu seus generais porque a certa altura deixou Napoleão Bonaparte escapulir com suas tropas.

    Por mais que detestasse o corso, achava que a destruição de seu exército e sua eventual captura favoreceriam os interesses da Inglaterra.

    Preferiu fritá-lo, deixando que chegasse a Paris, onde os franceses forçaram-no a abdicar e um príncipe russo ocupou a cidade. Kutusov tomou uma decisão estratégica.

    Não se pode confundir esse tipo de conduta com coisas mais imediatistas. Por exemplo: quando ocupava uma diretoria da Caixa Econômica, o doutor Moreira Franco queria ser ministro e aceitou a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência.

    Pensava em coisa melhor. Em março passado tornou-se secretário de Aviação Civil. Foi apenas astucioso.

    Juscelino Kubitschek jamais anunciou estratégias. O que ele apresentou ao país foi um “Plano de Metas”. Eram trinta.

    Duplicou a produção de energia, aumentou em 70% o número de leitos em hospitais e, onde foi mal, incrementou em apenas 40% a produção agrícola.

    JK nunca disse que o apoio de seu governo ao colonialismo português na África era uma estratégia, pois era só oportunismo.

    A diferença entre uma meta e uma estratégia está no fato de que uma pode ser cobrada e a outra pode ser transferida para o próximo governo, a quem se acusará de ter abandonado um plano que tinha tudo para dar certo.

    O trem-bala Rio-São Paulo da doutora Dilma é considerado um projeto estratégico. Deveria ficar pronto para a Copa do Mundo, talvez um pouco depois.

    Seria inteiramente financiado pela iniciativa privada e custaria US$ 9 bilhões. Já custou à Viúva R$ 63,5 milhões, ainda não saiu do papel, mas já pariu uma estatal e terá os Correios como “sócio estratégico”.

    Indo até Campinas, há transportecas que estimam seu custo em US$ 17,5 bilhões. Não há empreiteiro que fale em menos de US$ 25 bilhões.

    A conta? Irá quase toda para a Viúva. “Estratégia”? Apenas uma falsa promessa.

    Madame Natasha não espera que se cumpram as promessas. Pede apenas que deixem o idioma em paz.

    Publicado por jagostinho @ 16:04



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