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  • 27jan

    FOLHA.COM

    Sob o céu azul, um casal passeia de barco pelo canal cercado de arquitetura europeia. De pé, o gondoleiro conduz o barco lentamente enquanto canta um trecho de ópera italiana.

    Com a exceção dos turistas, tudo na cena acima é falso, do teto pintado para provocar a ilusão de um dia eterno ao aspirante a tenor filipino. Mas a inspiração não veio direto da Europa.

    O cassino Venetian é uma cópia de outra cópia de Veneza: trata-se de uma versão vitaminada da matriz, em Las Vegas, cujas luzes ficam até algo apagadas diante da opulência e da escala de Macau.

    “Tudo é muito bonito aqui, principalmente a voz do gondoleiro”, deslumbra-se Chen Yang, 32, gerente de marketing vindo da cidade de Changsha, após o passeio acompanhado da namorada. “Achei que o Venetian fosse apenas um cassino, tive uma surpresa.”

    Controlado pelo grupo americano Sands, o Venetian Macao é o maior cassino do mundo: apenas a área para jogos tem quase 28 mil m2, o equivalente a quase quatro campos de futebol. “Somos o dobro de Las Vegas”, exagera a relações-públicas que nos ciceroneou, Andrina Leong.

    Os caça-níqueis e as mesas de jogo estão no epicentro de um complexo com 5.800 quartos de hotel, 600 lojas, 50 restaurantes e uma arena para 15 mil pessoas.

    O foco do turismo em Macau, uma ex-colônia portuguesa, são os chineses, maioria absoluta entre os 178 milhões de turistas que estiveram no Venetian desde sua inauguração, em 2007 -média próxima a 82 mil visitantes diários.

    No ano passado, o faturamento dos 35 cassinos chegou a R$ 77,5 bilhões, 13,5% a mais do que no ano anterior, enquanto a economia do país asiático deve expandir 7,5% no mesmo período.

    Las Vegas fica pequena na comparação: o montante é superior à soma do faturamento de todos os cassinos dos EUA em 2011 (último dado disponível), R$ 72,6 bilhões.

    JOGO E MAIS NADA

    Se depender dos novos investimentos, a tendência de crescimento forte deve continuar. A Sands quer chegar até o final deste ano com 9.000 quartos de hotel, e os novos projetos incluem ainda a construção de uma réplica da torre Eiffel, com metade do tamanho original.

    Outra empresa peso pesado do setor, a MGM, conseguiu neste mês autorização para abrir o seu segundo cassino em Macau. O projeto de US$ 2,4 bilhões prevê cerca de 1.600 quartos de hotel e 500 mesas de jogo.

    O incrível fluxo de turistas -25,6 milhões entre janeiro e novembro do ano passado- justifica tanta ambição e é o que sustenta a minúscula Macau, um conjunto de península e ilhas no sul da China com apenas 29,5 km2 e população de 550 mil.

    Colonizada pelos portugueses no século 16, Macau foi devolvida à China em 1999. Assim como Hong Kong, a ex-colônia é considerada uma região administrativa especial e tem leis próprias.

    As questões de política externa e defesa são responsabilidade do governo chinês. Mas o governo local tem autonomia em decisões econômicas e até consulares -ao contrário da China continental, o brasileiro não precisa de visto para entrar no território.

      Michael Perini  
    Foto do Cassino Chinês à noite
    O cassino Venetian, em Macau, iluminado durante a noite

     

    “Macau não produz nada, a não ser jogo”, afirma o chef gaúcho Lucio Leal, 42, há cinco anos trabalhando no premiado restaurante de carnes FogoSamba. O endereço é Piazza San Marco, ao lado do canal.

    A jogatina está crescendo tanto que o governo chinês tem imposto restrições ao turista da chamada China continental (que exclui Macau, Hong Kong e Taiwan), que precisa de uma espécie de visto para entrar em Macau.

    Os moradores de Guangdong (Cantão), a província chinesa populosa e rica, vizinha a Macau, por exemplo, só podem visitar a cidade uma vez a cada três meses. E, desde novembro, a idade mínima para jogar nos cassinos subiu de 18 para 21 anos.

    RINHA DE GRILOS

    O jogo é um negócio em Macau pelo menos desde meados do século 19, na época portuguesa. No período colonial, um dos principais centros de apostas eram as populares rinhas de grilos. Os insetos campeões viviam em caixas ricamente adornadas e eram enterrados em túmulos aparatosos.

    A febre dos cassinos começou a subir por volta de 2002. Na época, foram aprovadas regras mais flexíveis tanto para os cassinos quanto para a visita de chineses continentais. Até hoje, é a única cidade do país onde o jogo é permitido.

    Assim como ocorre na vizinha Hong Kong, a horda de turistas chineses continentais provoca críticas entre os locais, de hábitos ocidentalizados e renda per capita mais alta.

    As reclamações mais comuns são o desrespeito nas filas e os hábitos de higiene. Nas vias públicas, avisos trilíngues (o português ainda é uma das línguas oficiais, leia quadro ao lado) advertem que “cuspir na via pública é punível com multa de 600 patacas [R$150]”, nome da moeda local que ainda sobrevive.

    O turista comum viaja em grupos conduzidos por um guia carregando uma pequena bandeirinha. Não é difícil ver ali idosos ainda vestindo um “terno Mao”, espécie de uniforme na China. Geralmente, fazem apenas um “day tour” e comem em restaurantes baratos.

    Na outra ponta, milionários chineses gastam rios de dinheiros em salas exclusivas e quartos de luxo. Muitos também usam Macau para lavar suas fortunas e manter suas patacas longe da vigilância do Partido Comunista.



    Publicado por jagostinho @ 16:51



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