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  • 18jan

    devaneios 2

    Noite silenciosa. Este silêncio conforta-me. Gosto dele. Sempre gostei.

    Mas, de tempos para cá, ele me assusta. Perturba-me.

    E daí a insônia vem. Ah, a insônia. Seja bem vinda. Fazia tempo que não dava o ar de sua graça.

    Por que este ar de espanto? Será que envelheci tanto assim?

    Está sabendo que nesta vida moderna surgiu muita droga para combater você ?

    Até eu uso. Porém, nesta noite você venceu. Nada me faz dormir.

    Que bom revê-la. Assim, pelo menos tenho com quem conversar.

    Pois, a minha gatinha, a Leka, aqui do meu lado, só quer saber de ração e um bom sono. 

    Com você, dona insônia, posso me desabafar. É uma grande confidente. E só ouve. Não fala.

    Assim que eu gosto. Confesso que estava com saudades de você. Até por que sem você, vem o sono final.

    E este é o meu tormento da vez. Não é fácil. As veredas se estreitam e tudo vai afunilando.

    Mas, mudemos de assunto.

    Sabe, querida, que tantos anos se passaram, e me vejo como uma obra inacabada?

     Ou um peça mal utilizada? Um instrumento mal tocado? Ou seria um desperdício ou um supérfluo? Sei lá. 

    Quando vejo tanta incompetência grassando por aí, posando de poderosos e tão vazios por dentro, mentirosos, artificiais, hipócritas e mal agradecidos, me questiono se valeu a pena ser o que até hoje fui.

    Mas o que eu fui ? Ou sou? 

    Tenho muitas dúvidas sobre mim mesmo. Mas, uma certeza se desenha nitidamente no meu espelho da vida.

    Dê uma olhada e veja se não tenho razão. Olha eu aqui. Sou ou não um ingênuo?

    Isso para ser suave comigo mesmo. Pois, na verdade sou um tolo. Perfeito idiota.

    Pois só entes com essa definição ainda acreditam na palavra dada, no amor ao próximo, na disponibilidade para com os outros e no esperar reciprocidade.

    Sei que você está espantada, querida insônia ! Mudei muito, né? Mas garanto a você.

    Não mudei nada. Os outros mudaram. 

    Você sabia, acho que sabe sim, mas as palavras amizade e amor estão fora de moda.

    Amigos é para se guardar no peito, disse o poeta, mas em mim sobra espaço largo no meu.

    Pelo seu olhar (sim, minha insônia amiga tem olhar) percebo que quer saber se sou bom pai.

    Sou, minha querida. Pelo menos imagino que sim. Se eles são bons filhos? De verdade, quer saber? 

    Respondo com uma frase: não mereço os filhos que tenho. A interpretação é por sua conta, velha amiga.

    Mas já vai?  É cedo !  Nem amanheceu ainda ! Ah, entendi, estou amargo demais. Nem você me aguentou. 

    Deve ser a idade. Se já lá para trás me chamavam de rabugento, imagine agora!

    Enfim, apareça quando quiser. A minha casa vazia é sua.

    Estarei aqui divagando sobre a minha farta inutilidade, sempre abençoada pela minha enorme ingenuidade.

    O mundo que mude. Eu não mudo. Morro, mas não mudo !

     

     

     



    Publicado por jagostinho @ 09:28



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