Publicidade


      Red Apple Cosméticos

      CPV - Centro Paranaense da Visão

      Hospital Cardiológico Costantini

      Hotel Carimã

Twitter @blogdojota


  • 23dez

     

    RUTH DE AQUINO é colunista de ÉPOCA [email protected] (Foto: ÉPOCA)

    Se você estiver lendo esta página, é um sinal de que o mundo não acabou no dia 21 de dezembro. Mas a profecia (Marco) Maia do Juízo Final foi levada a sério pelo Congresso.

    Nossos representantes da Câmara e do Senado decidiram antecipar o fim dos tempos… de trabalho. Entraram em greve branca e bateram o pezinho, recusando-se a votar qualquer coisa, até mesmo o Orçamento de 2013.

    Reconheceram que existe um juízo final – do Supremo e da Constituição. Já é um bom presságio.

    Não resistiu a uma noite e um dia aquela pantomima toda – de arcas gigantes para a resistência ao STF e calhamaços de 463 páginas com questões essenciais, proteladas e esquecidas ao longo de 12 anos.

    Alguém deve ter avisado aos congressistas que ainda não é fevereiro, mês de Carnaval e desfiles alegóricos. Tiraram as máscaras. É dezembro, é Natal.

    Hora de parar tudo porque faz muito calor, e a preguiça remunerada dos deputados e senadores é mais sagrada que os royalties do petróleo ou os coleguinhas condenados no mensalão.

    Hora de aproveitar o 14º e 15º salários pagos por nós e usufruir todas as ajudas extras que tornam o Congresso brasileiro um dos mais caros do mundo. 

    Eu queria decretar recesso de colunas políticas. Sério. Queria aliviar a pressão e apostar na tolerância. Queria escrever uma carta ao Papai Noel, com pedido de educação para todos, pois isso sim é urgente.

    É inaceitável que quase metade dos adultos brasileiros, de 25 anos ou mais, não tenha concluído o ensino fundamental, como acaba de revelar o IBGE. Educação é o primeiro passo para a cidadania plena e o voto consciente. 

    Queria também desejar a você, leitor, e a sua família 3.060 votos de paz e felicidade – mas os 3.060 vetos atravessaram minhas boas intenções.

    O ridículo da situação me obriga a pedir ao Papai Noel no ano que vem um Congresso mais ativo e menos guloso. Um Legislativo que não se desmoralize publicamente.

    Os números traduzem a irresponsabilidade infantil do Senado. A gráfica imprimiu 416.700 páginas para compor cédulas que acabaram todas no lixo.

    Gráfica e marcenaria trabalharam em regime de plantão para construir cenário e o enredo da escola de samba que parou no meio da avenida.

    As dez urnas estavam enfileiradas, como testemunhas toscas da loucura parlamentar. E nós, como sempre, pagamos toda a encenação.

    Pedimos então ao Papai Noel que o Congresso não rasgue contratos estabelecidos – porque fica feio. Que não se apresse a votar apenas para inchar os gastos públicos, abrir vagas sem concurso, aumentar seus próprios salários e reduzir para três dias semanais o expediente em Brasília.

    Que entenda que quem cassa os direitos políticos de congressistas não é o Supremo Tribunal Federal, mas a conduta equivocada e criminosa de cada deputado ou senador. Uma sociedade que se bateu pela Ficha Limpa rejeita condenados como seus representantes.

    Torço para que esteja certa a autora do livro 2012, las profecias del fin del mundo, a jornalista mexicana Laura Castellanos. Ela entrevistou antropólogos e historiadores. O apocalipse em 21 de dezembro não foi, segundo ela, previsto pelos maias.

    A visão do fim do mundo com a chancela de uma civilização antiga acabou se tornando muito popular. Uma peça de marketing com um benefício concreto: rever valores.

    Segundo o livro de Castellanos, as profecias maias não se concentram em catástrofes. Elas preveem “o despertar da consciência e o renascimento de uma nova humanidade, mais equitativa”.

    Queria acreditar. Talvez, no íntimo, acredite. Nada como olhar a perspectiva do fim como um recomeço. Tenho lido artigos de colegas que, com a chegada da velhice, se tornaram arautos do apocalipse. O pessimismo e a desesperança incomodam.

    Tenho medo de que os jovens se contaminem. Alguns desistem de ter filhos, porque sonhavam com um mundo melhor. Mas a violência, os massacres, a ignorância, a fome, as guerras, os genocídios – tudo isso sempre existiu. Não é invenção de agora.

    Também me irrita a mania de alguns velhos – jornalistas ou não – de achar que o mundo acabará quando eles morrerem. É muito egocentrismo.

    É fácil achar que o baile é ruim só porque somos barrados nele, por extinção de prazo de validade. Se hoje chegamos aos 90 anos, temos não só o direito, mas a obrigação de sonhar. Pelos filhos, netos e bisnetos.

    Como os parlamentares também têm família, sugiro um retiro espiritual ou moral para expurgar os pecados e pensar nas lições do ano que termina.

    Em 2013, já temos uma notícia boa e uma notícia ruim. José Sarney sai de cena. Renan Calheiros entra em cena.

    O Senado troca seis por meia dúzia.

    Reclame, mas não seja chato. Melhor ser um indignado otimista do que um resignado deprimido.

    Já escrevi isso aqui antes. Vale repetir antes que o mundo acabe.



    Publicado por jagostinho @ 09:36



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

Deixe um comentário

Por favor, atenção: A moderação de comentário está ativa e pode atrasar a exibição de seu comentário. Não há necessidade de reenviar o comentário.