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  • 16dez

    Delúbio Soares (*)
    Uma das mais desenvolvidas regiões do país, com importantíssima concentração econômica, agricultura pujante, indústrias de ponta, impressionantes indicadores sociais e de desenvolvimento humano, o Sul experimentou nos anos 90 uma situação inédita.

    Foram anos duros, com empobrecimento de parcelas consideráveis da sua população, aumento de carências sociais e perdas de vulto, com a quebra de diversas empresas tradicionais, acarretando uma série de problemas até então desconhecidos ou ausentes desde décadas.

    Gaúchos, paranaenses e catarinenses se viram às voltas com o crescente desemprego, aumento da violência urbana, quebras nas produções agrícola e industrial, fechamento de bancos e indústrias nascidos na região e um crescente desprestígio nas mais altas esferas do poder.

    Situação impensada e inaceitável para uma região que sempre contribuiu de forma decidida e forte para o desenvolvimento nacional.

    Os governos neoliberais da década perdida, naqueles difíceis anos, foram de tal forma negativos para o sul brasileiro, que não encontramos na crônica política, econômica ou social daquela época um fato sequer, apenas um, por mais desimportante que seja, que aponte uma iniciativa de retomar o desenvolvimento, de amparar os produtores, de dar ao Sul o que é do Sul, de devolver ao seu povo um pouco do muito que ele ofertou ao progresso e à grandeza do Brasil.

    Tempos de absoluto desrespeito aquela importante região.

    O Sul, desde as revoluções heroicas dos três séculos mais recentes, defendeu nossa integridade territorial à ponta de sabre e golpes de coragem. Nossas fronteiras foram preservadas menos por obra da Coroa ou da Federação do que pela invulgar bravura dos gaúchos.

    Juntando-se a movimentos igualmente históricos, como a Cabanagem, no Pará, os Guararapes, em Pernambuco, o 2 de Julho, na Bahia, os brasileiros do Sul foram fundamentais para que o Brasil de hoje surgisse de tais movimentos libertários. O compromisso dessa gente com a liberdade é parte de sua identidade, dos valores bem guardados desde suas raízes.

    Desde 2003, com a posse do presidente Lula e a formulação de políticas sustentáveis de desenvolvimento para a região, a marcha batida para a recuperação sócio-econômica do Sul se faz notar em uma série de fatos e números, recolocando a região na posição de pioneirismo, inovação e vanguarda que sempre a caracterizou.

    Os centros urbanos regionais da região Sul, especialmente Porto Alegre e Curitiba (os dois maiores), passaram a receber maior atenção do governo federal, traduzida em volume considerável de recursos e na implementação de projetos consolidados no PAC, o “Programa de Aceleração do Crescimento”.

    Não houve qualquer setor da problemática urbana que não fosse contemplado com ampla discussão com a sociedade civil e os agentes econômicos, diagnóstico profundo e preciso das realidades encontradas e todo o cronograma de desembolso que tem sido fielmente cumprido pelo governo da presidenta Dilma Rousseff.

    Desde o metrô para Curitiba, obras viárias em Porto Alegre, até as de infraestrutura e saneamento básico em cidades com crescente população. Rigorosamente todos os reclamos foram levados em consideração, e as necessidades têm sido atendidas no mais vigoroso programa de retomada econômica desde os anos JK.

    No Rio Grande do Sul, cuja imensa importância social e econômica foi desconhecida pelos governos anteriores aos de Lula e Dilma, as medidas de apoio decidido aos que produzem se fizeram sentir de forma especial.

    Uma economia baseada na pecuária, seguida da agricultura de subsistência, depois comercial – monocultura e policultura voltadas ao mercado consumidor – e a fortíssima industrialização iniciada em meados da primeira metade do século XX.

    A notável presença dos pequenos produtores na equação da riqueza regional proporcionou as condições indispensáveis para a criação de milhares de boas indústrias voltadas para o setor agropecuário.

    A produção agrícola se compõe primordialmente das culturas de soja, trigo, arroz e milho. Na pecuária, destacam-se as modernizadas produções de bovinos, ovinos, eqüinos, cavalo crioulo e suínos.

    Já no setor industrial se destacam as empresas que trabalham com o couro em geral, calçadistas, alimentícias, têxteis, madeireiras, metalúrgicas, químicas, de fertilizantes e implementos agrícolas, com destaque para a excelência técnica, a sofisticação de seus produtos e a altíssima aceitação dos mesmos nos mercados nacional e internacionais.

    Santa Catarina e o Paraná não ficaram atrás. Mesmo com desencontros e governos não alinhados com as administrações de Lula e Dilma, jamais foram discriminados ou preteridos, merecendo atenção e apoio dos governos petistas.

    A agroindústria catarinense, baseada na sólida presença minifundiária no centro e oeste do Estado, recuperou-se da péssima fase enfrentada nos anos 90, quando empresas faliram diante do olhar indiferente do governo FHC, o mesmo que imediatamente financiou multinacionais com fundos do BNDES para que assumissem as mesmas empresas.

    Caso emblemático foi o de grande grupo argentino, apadrinhado por Carlos Menem, que assumiu um dos três maiores frigoríficos locais e, sem colocar um real, protagonizou nova e suspeita quebradeira deixando o prejuízo para os contribuintes, além de uma crise de imensas proporções sociais e econômicas no oeste catarinense.

    Hoje, Santa Catarina se desenvolve nos sólidos pilares e sua vocação histórica: o turismo em sua bela capital, as indústrias em Joinville, Criciúma e Blumenau, os portos de Itajaí e São Francisco, a florescente indústria eletro-eletrônica e a pujança de sua agroindústria.

    O Paraná, que amargou perdas consideráveis com a desaparição de grandes corporações genuinamente paranaenses, as privatizações danosas de seu banco estadual e diversas rodovias, a tentativa frustrada de privatização de estatais bem-estruturadas e lucrativas como sua energética, a Copel, tem merecido atenção e apoio irrestrito por parte dos governos do PT.

    O que o governo FHC sonegou aos paranaenses ou tirou do Paraná, tem sido reparado com uma política de repotencialização daquela importante e querido Estado.

    Os indicadores sócio-econômicos paranaenses apresentaram sensível melhora nos anos Lula e Dilma. Expectativa de vida, alfabetização, acesso à internet, escolaridade, habitação, são setores que comprovam tal realidade.

    A exceção se dá na questão da violência urbana, que sob a égide do governo tucano local tem disparado de forma impressionante, jamais vista pela população.

    O Sul é o retrato de um Brasil rico e poderoso que foi enormemente prejudicada pelas políticas neoliberais do governo tucano, enfrentando uma decadência social e econômica jamais vista.

    Hoje, após uma década de apoio, incentivo, parceria e, especialmente, respeito pela terra e sua gente, volta a assumir a posição protagônica e excepcional que sempre mereceu.

    Hoje já não se compreende como o Brasil poderia estar na extraordinária situação em que se encontra, como a sexta economia mundial, se uma de suas mais ricas regiões não estivesse, também ela, no alto patamar desenvolvimentista que historicamente sempre lhe foi destinado.

    Torres Garcia, o genial artista plástico uruguaio reverenciado em todo o mundo, fundador da célebre “Escuela del Sur”, que influenciou e influencia as artes plásticas em todo o mundo, foi quem nos alertou para que, ao invés de mirarmos para a Europa rica e colonial e os Estados Unidos poderoso e imperialista, voltássemos nossos olhares para a riqueza de nossa região, dos países do Cone Sul: “nosso norte é o sul”.

    (*) Delúbio Soares é professor
    www.delubio.com.br
    www.twitter.com/delubiosoares
    www.facebook.com/delubiosoares
    [email protected]



    Publicado por jagostinho @ 18:58



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