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    REVISTA VIVER/CURITIBA

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    Em casa

    Ele construiu sua trajetória com cores próprias e traço firme. A partir de agora tem a missão de fazer história por aqui

    POR Márcia Oleskovicz Fruet  / FOTOS DE BRUNNO COVELLO

    Passava das 17h do dia 7 de outubro quando o Ibope divulgava os números da boca de urna do primeiro turno. Reduziam-se os nomes na disputa à Prefeitura de Curitiba.

    O sonho de complementar o trabalho que fora feito pelo pai há trinta anos se encerrava ali, com dois pares de tênis gastos e dez quilos a menos.

    “Fomos até onde nossos pés puderam ir”, me disse um Gustavo sereno, conhecedor dos reveses da política e com a tranquilidade de nada ter feito contra a sua consciência. Dobrou a bandeira da sacada. Depositou sobre a mesa.

    De fato, os meses anteriores foram de disciplina franciscana. Após três mandatos de deputado federal, Guga voltou a dar aulas de Direito em Curitiba e palestras acadêmicas sobre gestão pública, ética e atividade parlamentar.

    Auditórios lotados prenunciavam que algo de novo havia na cabeça e na postura da juventude. O desejo da mudança, da participação, de protagonizar sua própria história dentro da cidade.

    Gustavo tem espírito jovem. Titulou-se mestre e doutor muito cedo pela Universidade Federal do Paraná e cultivou em si a indignação pregada por Norberto Bobbio, aquela necessária, que não nos deixa acomodar.

    Afora as aulas, a dedicação em andar nas ruas, em conversar com as pessoas nos ônibus, nas igrejas, no comércio. Sempre fez da função um prazer. Onde se encontra mais realizado. E estudou, sempre.

    Em doze anos de Congresso Nacional, percalços e duras missões. Participou da perda de mandato de quatro parlamentares, no plenário e no Conselho de Ética, feito que não se orgulha.

    “É sempre desconfortável tirar o mandato de alguém que, como eu, foi eleito pelo voto popular.” Nunca tripudiou. Nas Comissões Parlamentares de Inquérito, questionou de modo firme, incisivo, mas respeitoso.

    Esse equilíbrio lhe rendeu a admiração de seus pares e de todo um país, que acompanhou os desdobramentos da CPMI dos Correios com o interesse de quem se sentia violado em seus direitos.

    É bem verdade que também trouxe alguns cabelos grisalhos, dos poucos que tem. Mas agora, no maior julgamento de desvio de dinheiro público que o Brasil já assistiu, dá orgulho saber que esse trabalho ajudou a mudar a história do país.

    Emocionante voltar ao plenário da Câmara dos Deputados, quase dois anos depois, e receber o abraço não só dos parlamentares, mas a sinceridade do carinho dos copeiros, seguranças, faxineiros, funcionários.

    “Torcemos muito pelo senhor em Curitiba!” É. Valeu a pena.

    Gustavo tem um quê de menino do interior, que ruboriza com facilidade e dispensa salamaleques. Um pão na chapa com manteiga e café coado na hora são banquetes.

    Faz o melhor café de que tenho notícia e esse ofício desempenha em casa com maestria! É um “ouvidor de histórias” e pode dispensar horas com quem tem o que contar da vida. Também escreve a sua, com cores próprias, traço firme. Uma história que, a partir de 2013, passa a se confundir ainda mais com a de Curitiba.

    Benditos erros dos institutos de pesquisa!

    Márcia Oleskovicz Fruet é jornalista e esposa de Gustavo Fruet



    Publicado por jagostinho @ 09:34



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