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  • 09dez

    GAZETA DO POVO/ANDRÉ PUGLIESI

    Edu Brasil posa com a camisa que ganhou do Coxa pelos 48 anos de rádio, 28 deles no clube – Foto:- Albari Rosa/Gazeta do Povo

    Atenção para a oferta profissionais, estudantes e entusiastas do rádio esportivo. Vende-se: microfone, gravador, guarda-chuva e cadeirinha de plástico.

    O kit tem longo tempo de uso, mas encontra-se em ótimo estado e o preço é camarada. Quem tiver interesse, basta entrar em contato com Edu Brasil.

    Depois de 32 anos de reportagem no gramado – 28 deles como setorista do Coritiba – um dos “decanos da mídia esportiva do Paraná” (como a turma gosta de falar) resolveu se aposentar. Correr atrás de boleiro e tomar chuva no lombo, nunca mais.

    “Acho que chega, né? Já dei a minha contribuição”, sentencia Eduvaldo Correia Brasil, curitibano, 67 anos, 48 deles viajando pelas ondas longas e curtas.

    Mas os ouvintes admiradores do vozeirão podem ficar sossegados. Não será desta vez que a Dona Odete terá realizado o sonho de ver o marido no domingo de pantufas no apê da Rua Brigadeiro Franco.

    A partir do Campeonato Paranaense do ano que vem, Edu será comentarista – vai sentar lá no alto, na cabine, ou no conforto do estúdio dentro da rádio. Decisão de mudar de posto que não partiu dele. Mas tomada num acordo com a diretoria da Rádio Banda B.

    “Havia a necessidade de ter mais um analista. E vou continuar no rádio, que é a minha grande paixão, convivendo com todo mundo da mesma maneira, uma rotina parecida. Agora comentando as partidas, um novo desafio na minha carreira”, diz.

    Medo de se arrepender? “Tenho um pouco. Mas é preciso seguir em frente, renovar”, revela o pai de Manoel e Márcio.

    Um passo importante numa trajetória iniciada em 1964, na Colombo. Enquanto cursava Contabilidade, foi ser radioescuta – ficava de ouvido nas emissoras de outros estados para pescar e informar os resultados dos jogos pelo país.

    Função exercida até o início dos anos 80, quando acabou convidado por Capitão Hidalgo para seguir o extinto Colorado na Universo.

    Na Vila Capanema permaneceu até 1984, quando aceitou o convite do narrador Lom­bardi Júnior (falecido em 1994) e foi para a Rádio Clube Paranaense.

    “Passei a cobrir o Coritiba no ano seguinte. E fui pé-quente, pois comecei já trabalhando no título brasileiro de 1985. Estava no Maracanã na decisão com o Bangu e fiz os bastidores da festa do clube no hotel Plaza, em Copacabana. Desde então, nunca mais saí do Alto da Glória”, recorda.

    Trabalhar com o futebol serviu também para livrar-se da frustração de não ter conseguido ser atleta. “Fiz teste no Britânia, era zagueiro. E adivinha quem eu tive de marcar? O [Dirceu] Krüger. Fui sparring dele”, relembra.

    Hoje, vencidas cinco décadas, a dupla integra a história do Coxa. O Flecha Loira é o craque mais lendário. Por sua vez, o repórter mais celebrado é o “Cabeça Branca” – apelido de Edu, conferido por Antônio Lopes, numa das passagens do técnico, ex-delegado, pelo Couto Pereira.

    Passados tantos anos, a atividade de repórter esportivo (de rádio, principalmente) mudou completamente. Não faz muito tempo, era possível entrevistar os boleiros dentro do vestiário, “ensaboneteados” em baixo do chuveiro – neste caso, a restrição até que tem um lado positivo.

    Mas na Era das assessorias de imprensa, dos gestores de imagem etc, nada pode.

    “Está muito radical. Não temos contato nenhum mais. As entrevistas são iguais para todos. Antes a gente fazia amizade, criava uma intimidade com os atletas e, consequentemente, com o clube”, fecha Edu, se preparando para mudar de posto.

     



    Publicado por jagostinho @ 18:09



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Uma resposta

WP_Cloudy
  • Mazalotti Disse:

    Eduvaldo Correia Brasi(o Edu Brasil), exemplo cada vez mais raro, no futebol paranaense e do Brasil. Merece nosso recomenhecimento! Lembro-me também do KRAMER, do plantão esportivo da antiga Rádio Clube Paranaense (a B 2). Informando todos os resultados de jogos estaduais, nacionais e até internacionais! Somente com anotações em cadernos (conforme ele mesmo falava). Parece que morreu, junto com a B-2…! * Comentário de um TRICOLOR da Vila CAPANEMA!

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