Publicidade


      Red Apple Cosméticos

      CPV - Centro Paranaense da Visão

      Hospital Cardiológico Costantini

      Hotel Carimã

Twitter @blogdojota


  • 02dez

    BLOG DE JOSIAS DE SOUSA

    Deve a conduta sexual ser levada em conta na hora de avaliar o desempenho de um chefe de Estado? A resposta é obviamente negativa.

    O político –como o advogado, o jornalista, o operário, o gari ou qualquer outro— não está livre de ser emboscado pelos impulsos biológicos.

    É tolice associar as pulsões sexuais ao desempenho funcional de uma pessoa. No caso de um presidente, deseja-se um bom gestor, não um santo.

     

    Informações de alcova sempre se imiscuíram no cotidiano da política. Nos EUA, uma pulada de cerca pode fulminar uma carreira promissora.

    O caso com uma estagiária da Casa Branca quase custou a Clinton a Presidência. Houve conjunção carnal ou ficou só no charuto?, perguntaram-se os americanos durante meses a fio.

    Antes de Clinton, para ficar apenas nos presidentes, houve Kennedy, que se dividia entre Jacqueline e Marilyn. Houve também Roosevelt, que oscilava entre Eleanor e uma secretária.

    Na França, só à beira da morte Mitterrand trouxe à luz a amante Anne Pingeot, reconhecendo a filha que tivera com ela.

    No Brasil, os travesseiros e os lençóis frequentam a biografia de homens públicos desde o Império. Dom Pedro 1o impôs a marquesa de Santos à imperatriz Leopoldina.

    João Pinheiro Neto contou em livro detalhes do amor secreto que Juscelino nutria por Maria Lúcia Pedroso. Os diários de Getúlio mencionam uma “bem-amada.”

    Em 89, Collor mergulhou a campanha presidencial na sarjeta ao trazer para o centro da disputa Lurian, a filha de uma aventura amorosa de Lula.

    A baixaria foi ao verbete da enciclopédia como um lance torpe. Eleito, Collor teria a hipocrisia desnudada quando se descobriu que ele se recusava a emprestar o nome a um filho que tivera fora do casamento.

    Ironicamente, o esquema político que deu suporte a Lula na sucessão de 1998 recorreria ao mesmo expediente sujo. O PDT, partido de Brizola, vice na chapa do PT, levou à sua página na internet um artigo sobre o ‘filho’ de FHC com uma jornalista.

    Só recentemente, após a morte de Ruth Cardoso, um exame de DNA revelou que a paternidade presumida era falsa.

    De repente, ganha o noticiário o relacionamento extra-funcional de Lula com Rosemary Noronha, a Rose, chefe exonerada do escritório da Presidência em São Paulo.

    Muita gente sabia, inclusive repórteres. Mas a coisa jamais fora guindada às manchetes. Por quê? No Brasil, diferentemente do que ocorre em países como os EUA, a vida privada dos políticos não é tida como tema de interesse público. E é ótimo que seja assim.

    O que fez de Rose um assunto incontornável não foi o relacionamento dela com Lula. O que converteu Rose em notícia foi a descoberta de que ela usava a intimidade com o chefe para acomodar malfeitores e familiares na folha do governo e para acomodar nas costas da Viúva negócio$ e vantagen$ pessoais.

    Responsável pela introdução de Rose no universo rentável do petismo, José Dirceu apressou-se em fazer sua própria leitura do episódio. Uma leitura enviesada.

    Para ele, está em curso a “Operação Mensalão 2”. Heimm?!? É “um novo udenismo, que age como no passado, de novo a serviço do conservadorismo e dos privilégios de certa elite que não se conforma e não aceita as mudanças empreendidas no país pelos governos do PT, porque teme perder seu poder e riqueza, acumulada à sombra e às custas do Estado.”

    Condenado a dez anos e dez meses de cadeia, Dirceu está na bica de perder a liberdade. Tomado pelas palavras, já perdeu também o senso de realidade.

    Deve-se a denúncia que levou ao Rosegate ao udenismo de um ex-auditor do TCU. A coisa foi esmiuçada numa investigação da elitista Polícia Federal, em parceria com o conservador Ministério Público.

    Rose é, hoje, uma indiciada por corrupção passiva, tráfico de influência e falsidade ideológica. Quem mandou a super-assessora e os protegidos dela para o olho da rua foi Dilma Rousseff.

    Agiu assim por temer que sua boa imagem fosse tisnada pelas evidências de que uma quadrilha acumulava poder e riqueza à sombra e às custas do Estado.

    Dirceu ainda não se deu conta, mas o companheiro Lula tornou-se, de novo, devedor de explicações. Nada a ver com a forma como distribui sua afeição.

    O que a plateia espera é que o ex-soberano diga meia dúzia de palavras sobre a facilidade com que Rose virava as maçanetas oficiais.

    O que precisa ser explicado é por que Lula gastou a tinta de sua caneta para nomear os protegidos de sua protegida. O velho bordão do ‘eu não sabia’ ofende a inteligência média.



    Publicado por jagostinho @ 10:47



Os comentários NÃO representam a opinião do Blog do Jota Agostinho. A responsabilidade é EXCLUSIVA do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

Deixe um comentário

Por favor, atenção: A moderação de comentário está ativa e pode atrasar a exibição de seu comentário. Não há necessidade de reenviar o comentário.