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  • 26mar

    ESTADÃO/EVANDRO FADEL

    Passados 15 anos da intervenção no Banco Bamerindus, ocorrida em 27 de março de 1997, o ex-controlador

    Zé Eduardo:- " FHC é traidor"

    José Eduardo de Andrade Vieira, 73 anos, ainda não superou as mágoas, sobretudo contra o ex-presidente FHC e o ex-ministro Pedro Malan.

    Nos dias que se seguiram à intervenção, a artilharia do ex-banqueiro já tinha se voltado contra eles. As armas continuam fumegando até agora. Vieira considera-se traído por aqueles que tinham sido seus companheiros – ele foi ministro da Agricultura no governo FHC.

    Na quarta-feira, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) assinou acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR) comprometendo-se a pagar todos os credores da massa falida.

    Com isso, o MP-PR deve pedir a extinção de ação de responsabilidade que mantinha indisponíveis os bens dos ex-administradores do Bamerindus, incluindo os de Vieira.

    Ao mesmo tempo, o FGC acentuou que prepara o banco para a venda no mercado. Para o antigo dono, esse é o aspecto mais positivo.

    “É a comprovação de que o Bamerindus não estava falido, porque, se tivesse, ninguém iria comprar”, afirmou.

    Ex-senador, Vieira interrompeu a carreira política após a intervenção no banco e passou a administrar o jornal Folha de Londrina, do qual era sócio.

    Atualmente, duas filhas estão no dia a dia do jornal. Ele disse que raramente vai à sede em Londrina. Prefere ficar na Fazenda da Capela, em Joaquim Távora, distante 160 quilômetros, para supervisionar a criação de gado leiteiro e de corte, e a produção de milho. Da fazenda, ele conversou por telefone com o Estado:

    O que significa para o sr. o fim da ação que tornava indisponíveis os bens dos ex-administradores e ex-controladores do Bamerindus, a garantia de pagamento dos últimos credores e a preparação do banco para venda, após 15 anos de intervenção?

    Para mim, o principal aspecto é a comprovação de que o Bamerindus não estava falido, porque, se tivesse, ninguém iria comprar. É uma comprovação pública de que o banco sempre tinha saldo positivo. Ninguém iria comprar para ter prejuízo.

    Então, por que a intervenção?

    A intervenção foi mais política. Mostra quem eram Fernando Henrique e Pedro Malan. Não preciso falar nada.

    O sr. continua com mágoa?

    O interventor nomeado pelo BC vendeu aquele patrimônio enorme por US$ 8 milhões, sendo que empresa tinha em caixa mais de US$ 100 milhões. Foi uma dilapidação de meu patrimônio. Na vontade de mostrar a falência do grupo, jogaram fora os imóveis do Bamerindus, as agências foram vendidas para o HSBC pelo valor patrimonial. Eram 1,5 mil agências, vendidas a preço de banana. E ainda assim sobra dinheiro.

    O que representaram os 15 anos de intervenção?

    Não deixou de ser frustrante a gente ser traído por companheiros. Porque na realidade é isso, foi uma traição que eu sofri.

    Quem foi o traidor?
    O Fernando Henrique.

    O senhor esperava mais dele?

    Esperava. O banco estava em boas condições e tinha muito dinheiro para receber do Estado de Mato Grosso. O Pedro Malan segurou isso na gaveta por meses até decretar a intervenção no banco e, no dia seguinte, pagaram o Mato Grosso, que pagou o banco. Já nas mãos do HSBC. Por que comigo não andou para frente e, com outro, em 24 horas resolveram?

    O sr. teria vontade de se encontrar hoje com o Fernando Henrique Cardoso e o Pedro Malan para conversar sobre o assunto e esclarecer as questões?

    Não. Não tenho vontade nenhuma, não. Eles podem cuidar da vida deles.

    O sr. pensa em entrar com alguma ação para reparação de danos?

    Morreu, morreu, né?

    Que sensação o sr. teve no dia 27 de março de 1997?

    De frustração enorme. Como demorou muito e o Fernando Henrique não fazia nada, eu honestamente já estava desconfiado bastante de que o pior podia acontecer. Quando houve a intervenção foi uma confirmação do que eu já imaginava.

    Qual o sentimento que lhe vem quando vê que os clientes, acionistas minoritários e agora os administradores fizeram seus acordos?

    De alívio. Porque muita gente inocente foi sacrificada por uma questão política. O Paraná perdeu muito, perdeu os dois bancos que tinha, o Banco do Estado (Banestado) e o Bamerindus. Infelizmente a classe política do Paraná não reagiu como deveria ter reagido. Realmente foi uma perda não para mim, foi para o Estado, foi para o Brasil. Porque venderam para um banco lá fora que só fez besteira até hoje.

    Que besteira?

    Besteira no sentido de que o banco encolheu, o banco não cresceu. Já mandaram milhões lá para fora, mas a empresa diminuiu de tamanho. (O Bamerindus) era o segundo banco do Brasil. Em câmbio era maior que o Banco do Brasil. E hoje está lá, sei lá em que lugar no ranking. Perdeu muito, né?

    O sr. chegou a ser cogitado para disputar o governo do Paraná. De que forma a intervenção influenciou na carreira política?

    Até para presidente da República eu cheguei a ser cogitado. É por isso que o Fernando Henrique fez a intervenção. Por medo de eu concorrer com ele. Com a intervenção no banco, obviamente afetou minha credibilidade e eu fiquei sem recursos para qualquer coisa.

    Estava tudo indisponível?

    Se eu não tivesse a aposentadoria, eu ia passar fome. Eu tinha uma previdência privada.

    Se o sr. tivesse condições, iria adquirir o Bamerindus na venda que será feita pelo Fundo Garantidor de Crédito?

    Não. Não tenho nem idade para isso. Capacidade eu tenho. Já fiz mais de uma vez e poderia repetir. Mas não tenho vontade.

    Da forma que o Bamerindus está hoje…

    As notícias que foram publicadas é que o Bamerindus teria R$ 3 bilhões de créditos fiscais. Ele tem mais de R$ 6 bilhões. Sei lá por que falaram em R$ 3 bilhões.

    A estimativa é de que o banco possa ser vendido por um valor entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. É um preço justo?

    Hoje seria, porque o crédito fiscal não pode ser usado inteiramente num exercício. Vai precisar de vários exercícios. Mas aí depende do mercado, se há um interessado ou muitos.

    Publicado por jagostinho @ 11:08



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4 Respostas

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  • Míriam 8 Disse:

    Afirmação mais que real do Zé Eduardo.

  • Rui Disse:

    OH Zé !! Pq só agora vc diz isso? Se falasse antes , talvez muita gente n teria perdido seu dinheirinho !!!

  • Quintanilha Disse:

    O Zé do Chapéu está com muito ainda. Se eu fosse ele, só de raiva, comprava de volta o Bamerindus. E daria a presidência de honra para O FHC !!!!

  • jose augusto m cordeiro Disse:

    Fui funcionario do bamerindus e posteriormente do hsbc,e digo que o bamerindus era infinitamente mais honesto com seus colaboradores,a administraçao do hsbc e baseada em mentiras, porem querem passar a imagem de etica e seriedade,se alguem duvidar procure um bancario do hsbc e peçam esclarecimentos,espero que um dia todas as mentiras envolvendo o banco ingles sejam publicadas para que as pessoas possam conhecer a verdade.

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