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  • 18jul

    AROLDO MURÁ G. HAYGERT – REVISTA IDEIAS

     

    >Revista IDEIAS. Política, Economia & Cultura do Paraná

    Queria ser freira…  foi do PCdoB e agora é ministra de Dilma

     

    Uns a chamam de “alemãzinha”, uma maneira carinhosa, sem preconceitos, de identificar a loura “mignon”, pequena, neta de Bertoldo – este, sim, um autêntico germânico.

    É  integralmente curitibana. Filha de uma família de classe média “mais para baixa”, como ela se reporta às suas origens, Gleisi Hoffmann deveria chamar-se Grace, em homenagem à princesa Grace Kelly, de Mônaco.

    O cartorário, com “criatividade”( ou relaxo, muito comum entre   registradores civis), transformou-a em Gleisi. E assim ficou.

    Aos 14 anos queria ser freira. Era aluna do Colégio Nossa Senhora da Esperança, das irmãs Bernardinas, que fica ao lado do Colégio Medianeira, dos jesuítas, em Curitiba.

    Os pais disseram um “não” solene, e como a vocação carecia de solidez, a menina partiu para o ensino médio do Medianeira ampliando o que já vinha fazendo: militância social.

    Gleisi foi boa aluna, mas tinha os olhos fincados em realidades sociais, como a favela que ela e sua turma atendiam com ajuda material e orientações diversas para o dia-a-dia das famílias.

    GLEISI – LIDERANÇA PRECOCE

    No meu livro “Vozes do Paraná”, volume 2 editado em 2009, faço uma ampla abordagem de Gleisi, nascida em Curitiba, em 1965.

    Mas o essencial é lembrar que a liderança política e o perfil de militante partidária  nela nasceram cedo.

    No Medianeira, ajudou a reestruturar o grêmio estudantil, ao mesmo tempo em que se inseria no movimento secundarista, atuando na União Metropolitana de Secundaristas de Curitiba, na UPES, dos secundaristas do estado, na UBES, a entidade brasileira.

    GLEISI – ELETROTÉCNICA

    Terminados os estudos no Medianeira, e já engajada no PCdoB, foi levada pelo partido a matricular-se no Cefet, para fazer Eletrotécnica.

    Não tinha a menor vocação para a área, mas obedeceu às ordens do partido e por lá ficou por dois anos.

    Oficialmente, estava filiada ao MDB. Nas reuniões de formação, recebia orientação de alguns ícones de seu meio esquerdista de então, como os jornalistas Luiz Manfredini e Fábio Campana.

    E entre suas leituras prediletas, estava “Veias Abertas da América Latina”, livro que a levou a muitas discussões e dissertações.

    GLEISI – GREVE DO JALECO

    A prova de fogo da liderança da menina-moça deu-se lá pelos 17 anos, quando ela liderou a greve no hoje Cefet “contra o jaleco azul”.

    A palavra de Gleisi era, na verdade, contra qualquer tipo de uniforme, especialmente o jaleco azul.

    A greve deu certo, Gleisi acabou suspensa. Mas tinha que continuar “agitando” – e continuou por um tempo mais.

    Depois, sob pressão da mãe, fez vestibular na Faculdade de Direito de Curitiba, formou-se e começou uma carreira profissional em que se notabilizou –longe de radicalismos e de doenças infantis do esquerdismo, como ela mesmo diz – ao se tornar especialista em orçamento público.

    GLEISI – A CARREIRA

    Em 1988, começou a assessorar Jorge Samek, na Câmara Municipal de Curitiba; em seguida, aliar-se-ia a lideranças do PT que começavam a ganhar expressão no Paraná, fazendo parte de grupos de militantes, dentre eles, Gilberto Carvalho (secretário da Presidência), Edésio e Zélia Passos, Pedro Tonelli,  Jaime Graminha, Claus Germer, Lafaete Neves….

    Em 1989, acompanhou Samek e o grupo de históricos petistas na campanha de Lula à Presidência.

    A biografia de Gleisi está à disposição do país, mostrando uma ascensão previsível, em que o domínio de conhecimentos muito específicos, como orçamento público e finanças, levou-a a ser secretária de Estado em Mato Grosso do Sul, secretária Municipal em Londrina, com Edson Michelletti,  e depois diretora Financeira da Binacional Itaipu, no primeiro governo de Lula.

    GLEISI –  TRANSIÇÃO

    Não sei se há premonição guiando políticos com “estrela”. O certo é que Gleisi, abandonadas as “doenças infantis do esquerdismo estudantil”, como observa um antigo quadro petista,  foi sendo chamada para posições vitais.

    Uma delas, a que acabaria consolidando sua posição num quadro técnico muito especial, foi quando passou a fazer parte do grupo de transição de 2002 em Brasília.

    Ao grupo, coube preparar sugestões e avaliações técnicas para Lula assumir o Planalto.

    GLESI – SOBRE DILMA

    Daqueles dias, atuando no Grupo de Orçamento, ela registrou muitas boas lembranças. São dela algumas expressões que, oportunas, lembro agora, estão em “Vozes do Paraná”:

    “A ministra Dilma é absolutamente prática, e dona de um manejo intelectual diferenciado, sua palavra é toda de autoridade” (em 2009).

    Curiosamente, ao lado Dilma, o ex-ministro Antonio Palocci, a quem Gleisi agora substitui, foi um de seus interlocutores e referências mais próximas naqueles dias de preparo do novo Governo.

    GLEISI – ROMPENDO BARREIRAS

    O PT só teve uma vitória expressiva no Paraná, em âmbito estadual: foi a eleição de Gleisi ao Senado, ano passado.

    A tradição conservadora do eleitorado paranaense parecia rejeitar in limine qualquer candidatura em eleição majoritária de grande expressão se carimbada pela estrela vermelha do partido.

    O Partido dos Trabalhadores gozou sempre de inseparável identificação com radicalismos esquerdistas, na visão do eleitorado paranaense.

    Gleisi, ao se eleger senadora – com mais votos do que os dados a políticos tradicionais, como Requião, Fruet e Ricardo Barros – derrubou esse muro.

    Antes, já havia provado o seu carisma e o quanto é boa de voto, concorrendo a prefeito de Curitiba, contra Beto Richa, e ao Senado, derrotada por Álvaro Dias, mas com votação que se aproximou da do tucano.

    A que escola política pertence essa mulher que agora passa a compor com Gilberto Carvalho e Paulo Bernardo o trio de paranaenses ao lado de Dilma?

    Com certeza, Gleisi é dona de uma personalidade focada em alvos, caracterizada por opções políticas que hoje andam muito próximas das sociais-democratas.

    Nada mais a ver com as da menina-moça que quase colocou o futuro a perder “em obediência às determinações do PCdoB”, como observa um jornalista que esteve ao lado de Gleisi nos anos 1980.

    GLEISI – INFLUÊNCIAS

    Mãe de um menino, de 9,  e de uma menina, de 5, casada com Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, Gleisi  é a imagem da mulher moderna.

    Elegante, anda na moda, mas não é escrava dela. Considera-se “escrava”, como me disse certo dia, de suas duas crianças, com quem era vista com frequência em sessões de cinema infantis, em Curitiba.

    Sensível às realidades sociais, foi das vozes que dialogaram, durante a campanha de Dilma, com lideranças católicas e evangélicas que marcaram rejeição à candidata do PT no Brasil (e em particular no Paraná), em função de temas como o aborto.

    Foi uma constante interlocutora do pastor Piragine, campeão na campanha anti-PT em 2010.

    Ela mesma alertou o pessoal da campanha de Dilma – contrariando até mesmo pesquisas – que temas como o aborto afastavam os eleitores evangélicos e católicos da candidata Dilma.

    Às vezes, seus alertas foram solitários. Não esconde que quer governar o Paraná. Poderá candidatar-se já nas próximas eleições. Mas não tem nada certo – ou se tem, não conta.

    Até porque agora sua visão terá de ser nacional, como a “gerente” do Governo.

    Nos próximos dias, vamos sentir a sinergia que o trio paranaense ao lado de Dilma poderá gerar em benefício do Paraná.

    O que nos perguntamos é se essa mulher obstinada, afável, organizada, ainda terá tempo para um de seus deleites – a leitura de certos livros-cabeça, como “Deus e a Ciência”, do acadêmico francês Jean Guitton e dois astrofísicos russos.

    Ou se pelo menos poderá atender aos filhos com a leitura de livros infantis, como as histórias infantis começadas, anos atrás, com “Os Três Porquinhos”.

    O que os amigos de Gleisi têm certeza é de que a jovem que se iniciou no mundo das causas comunitárias – e sob codinomes, para fugir da repressão – está apenas começando uma nova caminhada. Apenas.

     

    Gleisi com Ângelo Vanhoni, Tadeu Veneri, Doutor Rosinha e Jorge Samek em
    reunião no início da formação do PT no Paraná

    Lula sempre apoiou Gleisi em suas candidaturas

    Com Paulo Bernardo, ministro, e seus dois filhos



    Publicado por jagostinho @ 12:52



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Uma resposta

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  • Cleiton Alexandre Disse:

    Ela é uma pessoa maravilhosa. O cargo que exerce, é consequencia de bom trabalho e competencia. Esta mulher brilha ao olhos das pessoas.

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