• 07fev

    GAZETA DO POVO”

    Por J.R. Guzzo

     

    Faça as contas: sindicato só servia para extorquir o seu dinheiro

     

    Centrais protestam contra as reformas da Previdência e trabalhista, em 2017. Agora não se vê mais ninguém nas ruas.| Foto: José Cruz/Agência Brasil

    Nada como um pouco de aritmética, dessa mais simples, para melhorar o entendimento de uma porção de coisas na vida, especialmente no Brasil.

    É uma pena, realmente, que o hábito de fazer conta seja tão impopular neste país – isso ainda vai acabar com a gente, porque você pode escapar da saúva, que afinal das contas não acabou com o Brasil, mas não escapa da tabuada.

    Jornalista não gosta de aritmética. Economista não gosta de aritmética.

    Político, então, tem horror de aritmética, o que explica, em boa parte, porque estão sempre fazendo leis para distribuir as riquezas nacionais, mas jamais se lembram de pensar se essas riquezas existem ou não.

    Quem se importa se existem ou não? Se não existirem, não é problema nosso: é problema do “governo”, que vai tirar dos impostos tudo aquilo que nós decidimos dar de presente.

    O fato é que o Brasil fala, fala, fala – e não conta. Se contasse um pouco mais, veria a diferença para o país que algumas somas simples, ensinadas no curso primário, acabam fazendo.

    Muitas vezes elas explicam com perfeição, mais que cinco anos de discurso no Congresso Nacional, como o Brasil pode melhorar dramaticamente quando certos cálculos são alterados.

    “Você tem ouvido falar, ultimamente, de CUT, Força Sindical, UGT e outras organizações de parasitas chamadas de “centrais sindicais?”

    Não? Claro que não – e essa é uma das notícias mais animadoras que a população poderia ter. Não há mais a chantagem de sindicatos que ameaçam greves, nem a “mobilização” para extorquir isso ou aquilo da sociedade.

    Não há diretores sindicais vivendo sem trabalhar. Não há nada disso porque as “centrais sindicais estão acabando. E as centrais estão acabando porque, muito simplesmente, ficaram sem dinheiro.

    Todas elas, como se sabe, viviam de uma infâmia chamada “imposto sindical”, que todo trabalhador brasileiro (e as empresas) tinham de pagar uma vez por ano – fossem ou não sindicalizados, quisessem ou não ser representados pela CUT ou pela “Força”.

    O governo Michel Temer, no que talvez tenha sido o seu melhor momento, conseguiu aprovar a abolição desse imposto – e as centrais, junto com os sindicatos, começaram a valer apenas o que valem, ou seja, a ter a força que deveriam ter por causa da fidelidade financeira dos associados.

    Mas, como se vê, não havia fidelidade nenhuma. Assim que o trabalhador ganhou o direito de não pagar, a maioria dos sindicatos não viu mais um tostão furado. Viraram o que são agora.

    O portal eletrônico “Poder 360” divulgou há pouco alguns números bem simples. Em 2017, durante a vigência do imposto, a CUT, por exemplo, recebeu pouco mais de R$ 62 milhões extorquidos dos trabalhadores.

    Em 2019 recebeu um pouquinho acima de R$ 440 mil, ou 140 vezes menos – uma verdadeira miséria.

    A Força Sindical, que falava tão grosso na política brasileira, levou R$ 51 milhões em 2017 – e em 2019 ficou com menos de R$ 1 milhão.

    A UGT despencou de R$ 46 milhões para também R$ 1 milhão. Fim da linha.

    Quantos tratados de ciência política é preciso ler para descobrir porque a CUT existia e porque não existe mais – não como alguma coisa que tenha um mínimo de relevância?

    Em vez disso, é muito mais eficaz fazer as contas acima.

  • 23set

    DIÁRIO DO PODER

     

    Criação de sindicatos deixou de ser bom negócio: queda chega a 72,6%

    Milhares de sindicatos foram criados de olho na boquinha do imposto obrigatório

     

    A contribuição obrigatória, extinta na reforma trabalhista, fez a fortuna de muitos pelegos "em nome dos trabalhadores".

    A contribuição obrigatória, extinta na reforma trabalhista, fez a fortuna de muitos pelegos “em nome dos trabalhadores”

    Uma das grandes evoluções promovidas pela reforma trabalhista foi o fim do imposto obrigatório, que fez dos sindicatos um grande e lucrativo negócio.

    O resultado foi a queda vertiginosa nos pedidos para abertura de entidades.

    De acordo com Ministério do Trabalho, foram apenas 92 cartas emitidas em 2018, o que representa queda de 72,6% em relação aos criados em 2016, antes da reforma sepultar a fonte de grana fácil.

    A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

    Não foi apenas a proliferação de sindicatos de trabalhadores que caiu.

    A criação das entidades patronais despencou ainda mais: 78,6%.

    Até meio de setembro, o Ministério do Trabalho emitiu 70 autorizações de criação de sindicatos laborais e 11 patronais.

    Na média pós-reforma.

    Só em 2006, o governo Lula autorizou a criação de 9.382 sindicatos.

    Mais de 25 novos sindicatos por dia, incluindo sábado e domingo.

    O Brasil tem o recorde mundial de sindicatos.

    Atualmente, são 16.889, além de 603 federações, 50 confederações e 14 centrais sindicais.

  • 22nov

    ÉPOCA

     

    CUT vende prédio, demite e afunda na maior crise sindical já vivida

     

    A Central Única dos Trabalhadores se adapta aos tempos das vacas magras para o sindicalismo

     

    O presidente da CUT, Vagner de Freitas, em tempos minguantes. Acúmulo de derrotas eleitorais, políticas, judiciais e sindicais –  RICARDO STUCKERT

     

    Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), está cada vez mais longe do poder e mais perto de Deus.

    Para fazer dinheiro, a entidade — a maior das centrais sindicais, braço político do petismo agora derrotado — sairá do prédio próprio no bairro do Brás, em São Paulo, sua sede há 23 anos, para um endereço no centro antigo da cidade.

    No fim de julho, a Executiva da CUT aprovou a venda do local. Avaliado em R$ 40 milhões, o imóvel com sete andares está sendo negociado com a Igreja Mundial do Poder de Deus, que ocupa um quarteirão inteiro do outro lado da rua.

    O negócio ainda não foi fechado, mas Freitas já decidiu pela saída do Brás, o berço do sindicalismo paulista.

    O fim da contribuição sindical obrigatória, levado a cabo pela reforma trabalhista do governo Michel Temer, levou a CUT à bancarrota.

    Apesar de todo o simbolismo da mudança, a decisão pela venda da sede parece fácil, quase corriqueira, diante do desafio de encarar o futuro governo de Jair Bolsonaro.

    Freitas lembrou o dia da votação do impeachment de Dilma Rousseff, quando deputados justificavam seus votos em voz alta no plenário.

    Um deles, Fernando Francischini, então do PSD, votou “pelo fim da CUT e seus marginais”.

    Francischini é um parlamentar próximo ao presidente eleito.

     

    Fernando Francischini, que em seu voto a favor do impeachment de Dilma defendeu “o fim da CUT e seus marginais”, foi eleito deputado estadual pelo PSL – REPRODUÇÃO

     

    Numa sexta-feira nublada do começo de novembro, um almoço de trabalho de Freitas com dirigentes dos maiores sindicatos filiados à central sindical avançou pela tarde.

    Químicos, bancários e metalúrgicos, entre outros, discutiam como dar a volta por cima diante de um governo assumidamente de direita, eleito com uma agenda liberal e com uma pauta que vai contra tudo o que os sindicatos cutistas defendem.

    Preocupam os discursos cada vez mais frequentes contra direitos como 13º salário, apelidados por bolsonaristas de “jabuticabas” — por existirem somente no Brasil, assim como a fruta.

    “Não é terrorismo, não é ameaça. Ele fala o que vai fazer, e não tenho dúvida de que fará. A reforma trabalhista aprovada pelo Michel Temer, para ele, é tímida, e o que ficou ele vai tirar”, disse.

    Freitas não vê possibilidade de moderação por parte do novo governo, mas ele próprio pregou o radicalismo.

    À época do impeachment da petista Dilma Rousseff, falou em pegar em armas contra a deposição da presidente.

    Hoje atribui sua afirmação a um “jargão sindical”.

    “Era a arma da greve, da manifestação e de ocupar Brasília democraticamente. Essa fala ficou démodé”, desconversou.

    As idas e vindas do governo Bolsonaro sobre a manutenção ou a extinção do Ministério do Trabalho são uma demonstração do desdém do eleito com os direitos dos trabalhadores, reclamou Freitas.

    Para o presidente da CUT, o contraste dos tempos atuais com os do governo de Luiz Inácio Lula da Silva não poderia ser maior.

    O PT, que nasceu das greves dos trabalhadores do ABC paulista já na fase final da ditadura militar, era praticamente a CUT no poder.

    Com a vitória de Lula em 2002, os sindicalistas ganharam acesso livre aos corredores de Brasília.

    Ao mesmo tempo, diminuíram a presença nas ruas. Quando lembrado dessa época, Freitas disse que, ao assumir a presidência da CUT, em 2013, já não era mais Lula no poder — e sim Dilma.

    A presidente era mais protocolar e seca, mas Freitas não tem do que se queixar.

    Um ano antes do impeachment, em fevereiro de 2015, ele foi ao Palácio do Planalto para uma audiência agendada com o então secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto, e acabou sendo recebido pela presidente num momento em que as centrais sindicais brigavam, no Congresso, para derrubar Medidas Provisórias (MPs) de interesse do governo.

    As MPs alteravam regras trabalhistas de forma muito mais branda que a reforma trabalhista de Temer. Na época, o Palácio do Planalto classificou o encontro não agendado como “uma cortesia”.

    Apesar da amabilidade, Dilma nunca chegou a ter a intimidade de Lula com o movimento sindical. Nem sempre havia entendimento, e a presidente sempre impôs um distanciamento respeitoso.

    Quem presenciou esse tipo de encontro afirmou que não era raro Dilma encerrar a discussão estabelecendo limites: “Só posso ceder até aí”, avisava.

    Com Temer, o clima mudou completamente. O primeiro sinal de como os ventos parariam de soprar a favor foi uma ligação no celular.

    “Era manhã, bem cedo, eu estava no carro, a caminho da CUT, e o celular tocou. Na linha, uma mulher muito educada, com voz lindíssima, um português da melhor qualidade”, lembrou Freitas.

    “Senhor Vagner”, disse a voz feminina, “eu queria lhe dizer que não é mais política deste governo contar com sua colaboração no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e que, a partir deste momento, o senhor está desobrigado de participar. Agradecemos sua colaboração.”

    “Eu falei: ‘Ok’. E ela: ‘Tenha uma belíssima tarde’, com aquela voz plácida, educadíssima.

    Claramente não era alguém da política, era do cerimonial.

    Tempos depois viria a reforma trabalhista que quebrou a espinha dos sindicatos pelo bolso, com a extinção do imposto sindical.

    A CUT sempre defendeu o fim do imposto, por achar que o trabalhador deveria pagar o que fosse negociado com os sindicatos. Mas o problema foi que o imposto acabou do dia para a noite.

    Entre janeiro a agosto de 2017, antes da reforma trabalhista de Temer, a CUT havia recebido R$ 54 milhões a título de repasse de contribuição sindical.

    No mesmo período deste ano, foram apenas R$ 2,5 milhões. Embora não se sustente apenas por esse imposto, a entidade sofreu o baque.

    A outra fonte de receita — estatutária — vem de mensalidades pagas pelos sindicatos filiados, mas também foi reduzida devido às demissões e pela simples ausência de empregos formais.

    No começo deste ano, Freitas teve de fazer aquilo que, por dever de ofício, tenta evitar que as empresas façam: demitir.

    Com um Plano de Desligamento Incentivado, a CUT demitiu 65 pessoas, cerca de 45% do quadro de pessoal.

    Quem se inscreveu no plano recebeu entre 80% e 100% do salário por ano trabalhado, mais extensão do plano de saúde por três a seis meses e os demais benefícios previstos em lei.

    Sem dinheiro, Freitas disse ser possível que a CUT faça coisas que nunca fez, como abrir seus sites para a venda de patrocínio.

    “A CUT não tem capital financeiro para viver de rentismo, não é indústria para fabricar coisas e vender, não tem herança. Acabou o recurso, você precisa se adaptar, não tem jeito.” A venda da sede no Brás é parte dessa nova fase.

    Freitas afirmou que o maior problema para um líder sindical não é dinheiro, mas deixar de “ouvir as massas”.

    Para quem fez greve antes de receber seu primeiro salário no Bradesco, onde ingressou como caixa, o sindicalista contou que a mais difícil oposição que enfrentou veio das bases.

    Mais precisamente dos bancários, categoria em que despontou para a carreira sindical. O ano era 2004, o segundo do governo Lula, e ele era presidente da Confederação Nacional dos Bancários.

    Negociou com os banqueiros e recomendou aos sindicatos aprovar o acordo, que considerava excelente.

    “Foi a primeira vez que uma assembleia, com 4 mil pessoas, virou de costas para mim. Eles gritavam: ‘Fora, fora’. Aquilo vai ecoar em minha cabeça. Se eu viver 100 anos, vou lembrar.”

    Freitas construiu o que considerava a melhor proposta, muito melhor que a campanha salarial anterior, e achou que tinha cumprido seu papel.

    Mas a categoria vivia um processo de “Lula presidente”, de retomada de mobilizações, e queria fazer a greve.

    O resultado, contou, foi que a oposição cresceu, e ele e seus companheiros quase perderam o controle do sindicato.

    “Quem manda são os trabalhadores, e eles estão sempre certos. Naquela ocasião, não queriam só melhorar o tíquete-refeição, o salário, o plano de carreira. Queriam fazer a greve. Foi o dia em que mais aprendi em minha vida. E me lembrei muito de um grande presidente do Sindicato dos Bancários, o Augusto Campos, que morreu no ano passado. Ele sempre falava: ‘Vagner, na dúvida, vá com a massa’. Eu me esqueci dessa máxima, e a massa me deu uma lição.”

    Olhando para a frente, o que complica a vida de Freitas é que “a massa” está diminuindo.

    Nas grandes cidades, o emprego migra da indústria para os serviços e a configuração sindical se altera. Os bancários, que já foram 1 milhão, são hoje 470 mil.

    Os metalúrgicos do ABC paulista, um símbolo da indústria no Brasil, eram 110 mil em 2010 e hoje não passam de 70 mil.

    Outra área de força da CUT, o Banco do Brasil, perdeu 20 mil trabalhadores apenas por meio de um Plano de Demissão Voluntária (PDV), segundo Freitas.

    Ato do 1º de maio na Avenida Paulista. Nos tempos de vacas gordas, havia shows que atraíam multidões – EDILSON DANTAS / AGÊNCIA O GLOBO

    Não bastasse isso, os pequenos negócios estão cada vez mais como os responsáveis pela geração de renda.

    Um estudo do Sebrae mostrou que, dos 72 milhões empregados no setor privado, 24,7 milhões trabalham em empreendimentos de pequeno porte, com ou sem carteira assinada.

    Ou seja, os trabalhadores estão cada vez mais pulverizados, e não concentrados num único local, dificultando a abordagem dos representantes sindicais e até mesmo sua ação conjunta.

    Em busca de respostas rápidas para o novo governo que toma posse no dia 1º de janeiro, Freitas já pensa numa reformulação total da organização sindical.

    “O desafio é organizar de forma mais racional e menos fragmentada”, disse.

    O exemplo que a CUT mira é o da Alemanha, onde oito sindicatos representam os trabalhadores em todo o país. No Brasil, são cerca de 12 mil entidades.

    Sem fazer alarde, a central sindical já começou a setorizar seus sindicatos em quatro grupos: indústria e construção civil; comércio, serviços e logística; serviços públicos; e rurais.

    Freitas afirmou que as empresas têm o poder de demitir e contratar e acredita que a relação com os trabalhadores amadurece na negociação.

    Para o presidente da CUT, porém, nada melhor que trabalhar com a realidade: “O Bolsonaro tem de começar a governar para o povo saber o que faz. À medida que for fazendo, vamos reagindo. É assim que funciona, não tem outro jeito”.

    Dos tempos do Sindicato dos Bancários, Freitas não guarda apenas ensinamentos. Tem também uma dor de cabeça. O sindicalista participou da criação da Bancoop, a polêmica cooperativa que lançou o prédio no Guarujá onde fica o tríplex que levou Lula à prisão.

    Falida, a Bancoop transferiu vários prédios para a OAS, uma das empreiteiras da Lava Jato. Dono de um apartamento iniciado pela Bancoop, o presidente da CUT é também investigado pelo Ministério Público de São Paulo.

    O caso chegou a ser enviado para a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, mas foi devolvido aos promotores paulistas no fim de 2017, onde permanece como procedimento a ser investigado.

    Em abril de 2016, o apartamento, de 58 metros quadrados e três quartos, que estava em nome da OAS, foi transferido para o nome da mulher de Freitas. Na escritura lavrada no 18º Cartório de Imóveis da capital paulista, consta que a compra foi feita por meio de instrumento particular em 2013, não registrado na época.

    O presidente da CUT disse que esse foi o primeiro apartamento que teve na vida e que tem os comprovantes de pagamento.

    Por sorte, afirmou, não morava lá quando saíram as reportagens, pois manifestantes foram protestar na frente do prédio, mas ficou o constrangimento para ele, a mulher e os filhos.

    Freitas está confiante de que tudo será esclarecido sem problemas no caso do apartamento. Quanto ao governo Bolsonaro, sua avaliação é bem menos otimista.

    “Tentam nos secar financeiramente. Querem nos fazer abaixar a cabeça, mas quero dizer que continuamos aqui, continuamos incomodando”.

    “Defendemos nosso ponto de vista, mas aceitamos o ponto de vista contrário. Somos uma instituição vinda da democracia. Mas fomos forjados na ditadura e temos couro grosso.”

  • 26ago

    O GLOBO

     

    Governo revela que há 480 entidades sindicais milionárias

     

     

    Dados inéditos mostram que setor do comércio lidera arrecadação

     

     

    ricardo-patahDados inéditos divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho mostram que, no ano passado, uma elite de 480 de um total de 9.959 entidades sindicais recebeu, cada uma, ao menos R$ 1 milhão do imposto conhecido como Contribuição Sindical.

    Conforme o GLOBO mostrou no mês passado, os números vinham sendo mantidos em sigilo pelo governo federal, mas foram liberados por determinação da Controladoria Geral da União (CGU), com base na Lei de Acesso à Informação.

    O ranking de arrecadação mostra um predomínio do comércio. Excluindo as centrais, quatro das cinco entidades mais ricas estão ligadas ao setor. O primeiro lugar ficou com o Sindicato dos Comerciários de São Paulo: R$ 29,7 milhões.

    — Esse ranking confirma a importância do setor de comércio e serviços na economia nacional, algo que ainda não foi assumido do ponto de vista político. Fiquei surpreso de sermos os primeiros em arrecadação, mas o fato é que realmente somos grandes em tudo. Temos a maior prestação de serviços do país. Somente no ano passado, oferecemos 203 mil atendimentos médicos e odontológicos — afirmou Ricardo Patah(foto), presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que também comanda a União Geral dos Trabalhadores (UGT), central que no ano passado recebeu outros R$ 39,9 milhões.

    Pela primeira vez, a União disponibilizou os dados das 9.959 entidades que dividiram R$ 2,651 bilhões em 2014. No segundo lugar entre os sindicatos milionários, aparece o Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis de São Paulo), com R$ 29,4 milhões.

    Em seguida, vêm dois outros representantes patronais: a Confederação Nacional do Comércio (CNC), com R$ 26,9 milhões, e a Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP), com R$ 25,2 milhões. O quinto lugar é da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), com R$ 22,7 milhões.

    A Contribuição Sindical tem duas origens: um dia de salário por ano de todos os trabalhadores para os respectivos sindicatos e um percentual sobre o capital social das empresas, na representação dos patrões.

    Os dados não mostram, porém, o faturamento total das entidades, pois elas ainda podem cobrar contribuições adicionais que não têm controle pelo poder público, como mensalidades de associados e outras taxas compulsórias.

    Entre os que mais arrecadaram estão ainda categorias de peso, como o Sindicato dos Bancários de São Paulo (8º lugar, com R$ 15,3 milhões) e os metalúrgicos da capital paulista, com R$ 8,8 milhões, na 19ª posição.

   



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