• 26set

    VEJA.COM

     

    Ex-deputado revela que o petrolão nasceu com aval de Lula e foi mantido por Dilma

     

     

    Pedro Corrêa, ex-presidente do PP, negocia há dois meses com o Ministério Público seu acordo de delação premiada.

     

    Se a colaboração for efetivada, ela pode mostrar que o maior esquema de corrupção da história nasceu mesmo no Planalto

     

    O ex-deputado Pedro Corrêa na CPI da Petrobras
    Parcerias - O ex-deputado Pedro Corrêa pode ser o primeiro político envolvido na Lava-Jato a fechar um acordo de delação premiada com a Justiça(Vagner Rosario/VEJA)

     

    Expoente de uma família rica e tradicional do Nordeste, o médico Pedro Corrêa se destacou, durante quase quatro décadas, como um dos parlamentares mais influentes em negociações de bastidores.

    Como presidente do PP, garantiu a adesão do partido ao governo Lula e – como reza a cartilha do fisiologismo – recebeu em troca o direito de nomear apadrinhados para cargos estratégicos da máquina pública.

    Essa relação de cumplicidade entre o ex-deputado e o ex-presidente é notória. Ela rendeu a Corrêa uma condenação à prisão no processo do mensalão, o primeiro esquema de compra de apoio parlamentar engendrado pela gestão petista.

    Mesmo após a temporada na cadeia, Corrêa se manteve firme no propósito de não revelar o que viu e ouviu quando tinha acesso privilegiado ao gabinete mais poderoso do Palácio do Planalto.

    Discreto, ele fez questão de ser leal a quem lhe garantiu acesso a toda sorte de benesse. Havia um acordo tácito entre o ex-deputado e o ex-presidente.

    Um acordo que está prestes a ruir, graças à descoberta do petrolão e ao avanço das investigações sobre o maior esquema de corrupção da história do Brasil.

    Como outros mensaleiros, Corrêa foi preso pela Operação Lava-Jato. Encarcerado desde abril, ele negocia há dois meses com o Ministério Público um acordo de colaboração que, se confirmado, fará dele o primeiro político a aderir à delação premiada.

    Com a autoridade de quem presidiu um dos maiores partidos da base governista, Corrêa já disse aos procuradores da Lava-Jato que Lula e a presidente Dilma Rousseff não apenas sabiam da existência do petrolão como agiram pessoalmente para mantê-lo em funcionamento.

    O topo da cadeia de comando, portanto, estaria um degrau acima da Casa Civil, considerada até agora, nas declarações dos procuradores, o cume da organização criminosa.

    Nas conversas preliminares, Corrêa contou, por exemplo, que o petrolão nasceu numa reunião realizada no Planalto, com a participação dele, de Lula, de integrantes da cúpula do PP e dos petistas José Dirceu e José Eduardo Dutra – que à época eram, respectivamente, ministro da Casa Civil e presidente da Petrobras.

    Em pauta, a nomeação de um certo Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da Petrobras.

    Pedro Corrêa, José Janene e o deputado Pedro Henry, então líder do PP, defendiam a nomeação.

    Dutra, pressionado pelo PT, que também queria o cargo, resistia, sob a alegação de que não era tradição na Petrobras substituir um diretor com tão pouco tempo de casa.

    Lula, segundo Corrêa, interveio em nome do indicado, mais tarde tratado pelo petista como o amigo “Paulinho”.

    “Dutra, tradição por tradição, nem você poderia ser presidente da Petrobras, nem eu deveria ser presidente da República. É para nomear o Paulo Roberto. Tá decidido”, disse o presidente, de acordo com o relato do ex-deputado.

    Em seguida, Lula ameaçou demitir toda a diretoria da Petrobras, Dutra inclusive, caso a ordem não fosse cumprida.

    Ao narrar esse episódio, Corrêa ressaltou que o ex-presidente tinha plena consciência de que o objetivo dos aliados era instalar operadores na estatal para arrecadar dinheiro e fazer caixa de campanha.

    Ou seja: peça-chave nessa engrenagem, Paulinho não era uma invenção da cúpula do PP, mas uma criação coletiva tirada do papel graças ao empenho do presidente da República.

    A criação coletiva, que desfalcou pelo menos 19 bilhões de reais dos cofres da Petrobras, continuou a brilhar no mandato de Dilma Rousseff – e com a anuência dela, de acordo com o ex-presidente do PP.

  • 23set

    GAZETA DO POVO

     

    Segundo Moro, propina da Repar, em Araucária, abasteceu diretorias da Petrobras e campanha do PT

     

    As propinas da Repar abasteceram duas diretorias da Petrobras e o cofre de campanha do Partido dos Trabalhadores. Foto:- Daniel Castellano/Gazeta do Povo

    As propinas da Repar abasteceram duas diretorias da Petrobras e o cofre de campanha do Partido dos Trabalhadores. Foto:- Daniel Castellano/Gazeta do Povo

     

    As irregularidades nas obras da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, voltaram à tona na última segunda-feira (21).

    Na sentença que condenou o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e outros oito réus da Lava Jato, inclusive o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto, o juiz federal Sergio Moro diz que há provas de pagamento de propina em contratos das diretorias de Abastecimento e de Serviços da Petrobras com o Consórcio Interpar, no valor de R$ 2,8 bilhões.

    De acordo com a sentença, há provas de que cerca de R$ 20,6 milhões foram repassados pelo Consórcio Interpar, formado pelas empresas Setal Óleo e Gás, Mendes Junior e MPE, através de empresas de fachada controladas por Augusto Mendonça para empresas do doleiro Alberto Youssef.

    Para Moro, foi “provado, portanto, acima de qualquer dúvida razoável, o pagamento de propinas, no montante de pelo menos R$ 20.673.653,76 à Diretoria de Abastecimento da Petrobras, com recursos provenientes de antecedentes crime de cartel e de ajuste fraudulento de licitações, no contrato obtido pelo Consórcio Interpar junto à Petrobras”.

    O juiz responsabiliza pelos crimes o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, o executivo Augusto Mendonça e o doleiro Alberto Youssef.

    O juiz também entendeu que é possível comprovar o pagamento de propinas no âmbito da Diretoria de Serviços, comandada na época por Duque.

    Por intermédio do executivo Júlio Camargo teriam sido pagos cerca de US$ 956 mil e 765 mil euros, além de outros R$ 18 milhões por intermédio de Adir Assad, com auxílio de Dario Teixeira e Sonia Branco.

    Doações eleitorais

    De acordo com a sentença de Moro, o Consórcio Interpar também pagou cerca de R$ 4,2 milhões em propina referentes ao contrato com a Petrobras para o Partido dos Trabalhadores (PT).

    Segundo Moro, os pagamentos ocorreram com “utilização de contratos de consultoria simulados para transferência entre o Consórcio Interpar e as empresas de Augusto Mendonça e o seu repasse como se fossem doações eleitorais espontâneas”.

    Investigação no TCU

    Os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) abriram a possibilidade para que 11 contratos da Repar que já tinham sido analisados e arquivados pelo órgão sejam reavaliados.

    A decisão do plenário do TCU foi tomada no último dia 26, mas até agora o tribunal não avançou nas investigações.

    Em 2009, ao fazer uma varredura no pacote de obras da refinaria paranaense, o TCU já havia apontado indícios de irregularidades em 19 contratos, incluindo suspeita de superfaturamento.

    Com base em dados daquele ano, o TCU sustenta que o pacote de 19 obras custou R$ 2 bilhões a mais do que o inicialmente previsto.

  • 19set

    VEJA.COM

     

    Campanha de Dilma recebeu R$ 6 milhões do petrolão, diz deputado

     

     

    Segundo Fernando Francischini, valor consta em proposta de delação premiada feita ao MP pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

     

    Dinheiro ‘ilegal’ teria abastecido campanha de 2010

     

     

     

    Nestor Cerveró durante a CPI da Petrobras na sede da Justiça Federal em Curitiba (PR) - 11/05/2015
    Nestor Cerveró durante a CPI da Petrobras na sede da Justiça Federal em Curitiba (PR) – 11/05/2015(Rodolfo Buhrer/Reuters)

     

    O deputado Fernando Francischini (SD-PR) vai pedir na segunda-feira a convocação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para prestar depoimento na CPI da Petrobras.

    Preso desde janeiro, o ex-diretor tenta negociar delação premiada com o Ministério Público Federal.

    Francischini diz que teve acesso à proposta de delação feita por Cerveró.

    Trata-se de uma espécie de “cardápio” com os tópicos que o candidato a delator se propõe a esclarecer caso feche o acordo com os procuradores da República.

    Francischini diz que Cerveró, em um dos anexos da proposta, faz revelações sobre negociações das quais participou para liberar 6 milhões de reais para a campanha da presidente Dilma Rousseff.

    Segundo Francischini, o dinheiro “ilegal” teria abastecido a campanha de 2010.

    A proposta de delação do ex-diretor da Petrobras, segundo o deputado, inclui ainda revelações sobre cinco “reuniões prévias” que Cerveró teria tido com Dilma Rousseff no período em que a Petrobras estava comprando a Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

    O negócio deu um prejuízo bilionário para a Petrobras. Dilma afirma que votou a favor da compra da refinaria com base em parecer “falho”, feito por Cerveró.

    Ao se dispor a dar detalhes das reuniões prévias com Dilma, quando ela era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Cerveró irá sustentar que ela tinha total conhecimento dos detalhes do negócio envolvendo Padadena.

    Francischini vai pedir ao Ministério Público Federal a cópia de toda a proposta de delação de Cerveró.

    O parlamentar também quer pedir proteção da Polícia Federal para o ex-diretor da Petrobras.

    “É importante que o procurador-Geral da República homologue o mais rápido possível a delação do Cerveró”, diz Francischini.

    “Poderemos comprovar que a presidente Dilma mentiu no exercício do mandato”.

  • 14set

    REVISTA ÉPOCA

     

    Cerveró diz ao MP que contrato em Pasadena rendeu propina à campanha de Lula

     

    O ex-diretor da Petrobras revela, em proposta de delação premiada, como negociou pedágio de R$ 4 milhões com a Odebrecht para a campanha de Lula em 2006

     

     

    (Versão reduzida da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana)

    À mesa de um restaurante decorado com lustres de cristal, obras de arte contemporânea e castiçais dourados, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, três diretores da Petrobras e dois executivos do grupo Odebrecht almoçavam reservadamente às vésperas das eleições de 2006.

    Era um encontro de homens de negócios. Do lado da petroleira, estavam lá os diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque; do lado da maior construtora do país, Márcio Faria e Rogério Araújo.

    Os cinco não falavam apenas de negócios. Falavam também de política.

    Nos tempos de petrolão, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, falar de negócios na Petrobras exigia falar de política: contratos com a estatal, conforme demonstram as provas da Lava Jato, eram frequentemente fechados somente mediante pagamento de propina a políticos do PT, do PMDB e do PP, a depender da diretoria.

    Hoje, a maioria dos cinco comensais está presa em Curitiba, acusada de participação destacada no petrolão.

    Nos idos de 2006, quando transcorreu o almoço, os cinco, seja por dentro, seja por fora, mandavam muito na Petrobras.

    Renato Duque, diretor de Serviços, era homem do PT. Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento, do PP. E Nestor Cerveró, diretor internacional, do PT e do PMDB.

    Naquele almoço, Cerveró era o homem de negócios mais importante. Discutiam-se as obras para modernizar a refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos, cuja metade das ações fora comprada pela Petrobras meses antes.

    No jargão do mundo do petróleo, essas obras são conhecidas como “revamp”.

    E que revamp. No almoço, estimou-­se que ele custaria até R$ 4 bilhões. A refinaria de Pasadena, cuja operação de compra era conhecida dentro da Petrobras pelo codinome projeto Mangueira, não tinha o apelido de “ruivinha” fortuitamente.

    Era um novelo de dutos enferrujados, de aparência avermelhada provocada pela oxidação dos metais. Se a Petrobras fizera um péssimo negócio ao comprar Pasadena, como veio a se confirmar nos anos seguintes, a Odebrecht estava prestes a faturar mais um formidável contrato.

    Decidia-se ali, no restaurante na Praia do Flamengo, que a construtora ganharia o contrato de R$ 4 bilhões.

    Em troca, os executivos da Odebrecht se comprometiam a pagar propina adiantada de R$ 4 milhões à campanha à reeleição de Lula – o mesmo Lula que, conforme revelou ÉPOCA em seu site na sexta-feira, dia 11, passou a ser considerado pela Polícia Federal oficialmente suspeito no petrolão.

    O mensalão nem esfriara, e o PT, liderando o consórcio de partidos, já encontrava no petrolão um substituto mais lucrativo para os negócios da alta política brasileira. 

    A reunião no Rio e o acerto dos R$ 4 milhões foram revelados oficialmente à força-tarefa da Lava Jato pelo protagonista dessa operação: Nestor Cerveró.

    As informações estão registradas na mais recente proposta de delação premiada de Cerveró, em posse dos procuradores da Lava Jato e obtida por ÉPOCA.

    Trata-se de relatos pormenorizados de Cerveró sobre os negócios corruptos que tocaram primeiro na Diretoria Internacional da Petrobras, sob ordens do PT e do PMDB, e, a partir de 2008, na Diretoria Financeira da BR Distribuidora, sob ordens do PT e do senador Fernando Collor, do PTB(leia os resumos dos relatos abaixo).

    Neles, Cerveró afirma que a compra de Pasadena rendeu US$ 15 milhões em propina.

    E envolve no esquema a área internacional, além de outros funcionários da Petrobras, senadores como Delcídio Amaral, do PT, líder do governo no Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros, e Jader Barbalho, ambos do PMDB.

    Para enviar os relatos aos procuradores, Cerveró trabalhou durante quatro dias. Reuniu histórias, resgatou datas de reuniões e valores das operações registradas em documentos e anotações que guarda em sua cela.

    Para corroborar as acusações, a família de Cerveró pretende recorrer a uma pilha de agendas de suas viagens e reuniões realizadas entre 2003 e 2008, período em que ocupou o cargo de diretor internacional da petroleira.

    Esses documentos estão guardados num cofre, à espera de uma resposta positiva dos procuradores da Lava Jato.

    “Do jeito que Cerveró está desesperado, ele entrega até a própria mulher”, diz um agente da Polícia Federal em Curitiba que tem contato com Cerveró.

    Condenado a 17 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, preso há dez meses, Cerveró tenta a delação desde julho.

    É uma negociação difícil e lenta. Envolve os procuradores da força-tarefa em Curitiba e da equipe do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

    Como Cerveró pode entregar políticos com foro no Supremo Tribunal Federal, caso de Delcídio, Renan e Jader, as duas frentes de investigação – Curitiba e Brasília – precisam se convencer da conveniência da delação do ex-diretor.

    Há hesitação em ambas. Apesar dos relatos agora revelados por ÉPOCA, os procuradores esperam – exigem – mais de Cerveró.

    “Ele(Cerveró) continua oferecendo muito pouco perto da gravidade dos crimes que cometeu”, diz um dos investigadores de Curitiba.

    “A delação de Cerveró, para valer a pena, precisa de tempo. Ele ainda promete menos do que sabe”, afirma um procurador da equipe de Janot.

    A situação de Cerveró ficou ainda mais difícil depois de a PGR fechar, na semana passada, o esperado acordo de delação com o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, operador das bancadas do PMDB no Senado e, em menor grau, na Câmara.

    O operador do PMDB, condenado a 15 anos de prisão, deve entregar as contas que foram irrigadas com pixulecos de Pasadena e das sondas contratadas pela área internacional da Petrobras, sob a responsabilidade de Cerveró.

    Eles atuavam juntos. Segundo Cerveró relatou aos procuradores, Baiano representou a bancada do PMDB no Senado no reparte da propina na Diretoria Internacional da Petrobras – e o dinheiro, ao menos US$ 2 milhões, foi parar nas mãos de Renan e de Jader Barbalho em 2006.

    Baiano já admitiu aos procuradores que intermediou propina para os senadores do PMDB em contratos na área internacional – a área do parceiro Cerveró.

    A delação de Baiano, que prometeu entregar comprovantes bancários das propinas, exigirá ainda mais de Cerveró. Ele fechará a delação somente se falar muito.

    Nos relatos aos procuradores, porém, Cerveró já indicou o caminho da propina ao PMDB.

    Segundo ele, o dinheiro foi repassado a Baiano, que, por sua vez, intermediou pagamentos a outro lobista ligado ao PMDB.

    Esse lobista, de acordo com Cerveró, Baiano e um operador do PMDB, ouvido por ÉPOCA, repassou a propina a Renan e a Jader.

    Surpresa: esse lobista, cujo nome ainda não pode ser revelado por razões de segurança, também passou a negociar uma delação com os procuradores.

    A questão na Lava Jato parece ser: quem sobrará para fazer delação?

    Capa edição 901 - A propina de Pasadena (Foto: Revista ÉPOCA/Divulgação)
    Outro lado

    O senador Jader Barbalho nega que tenha recebido propinas de contratos para a Petrobras. “Nunca nem ouvi falar (sobre os navios-sondas)”, diz ele.

    O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral, afirma que jamais fez reunião com diretores da Petrobras junto com o empresário Ricardo Pessôa, da UTC, e nega que recebeu propinasda Petrobras. 

    A Odebrecht diz que “de fato foi consultada, formalmente e não em nenhum tipo de evento social, sobre a possibilidade de formar consórcio com outras construtoras brasileiras para disputar contrato para eventual modernização da refinaria de Pasadena”.

    ‎A companhia diz que tais obras, porém, nunca foram realizadas.

    “Tal convite, por parte da Petrobras, não tem qualquer relação com doações eleitorais que a empresa faz”, diz a nota.

    A companhia ainda esclarece que o contrato assinado em 2010 sofreu alteração no valor “em função única e exclusivamente da alienação, por parte da Petrobras”.

    A empresa diz que todos os questionamentos feitos sobre esse acordo foram esclarecidos.

    Também procurado por ÉPOCA, Lula não retornou as ligações.

    2006 - A parceria entre Lula e a Odebrecht (Foto: Marcos Brindicci/Reuters)
    2007 - O cachê  do pmdb pelo cargo de diretor (Foto: Arquivo/correio do Estado)
    2009 - A fatia de Collor na Petrobras (Foto: AP)
  • 04set

    METRO

     

    Pessoa disse que propinas eram ‘regra do jogo’ | Zanone Fraissat / Folhapress

    O dono da UTC, Ricardo Pessoa, disse nesta quinta-feira à Justiça que “depositava oficialmente na conta do Partido dos Trabalhadores” parte da propina que a empreiteira pagava por obras na Petrobras.

    Foi a primeira vez que Pessoa deu depoimento após prestar delação premiada, em acordo que prevê uma multa de R$ 51 milhões.

    O empreiteiro admitiu que a delação incrimina políticos, sem citar nomes. Os termos estão em sigilo, mas, segundo publicado por alguns veículos,  citariam inclusive a presidente Dilma e o ex-presidente Lula.

    Ao juiz Sérgio Moro, Pessoa contou que a UTC pagou propina por todos os contratos na Petrobras entre 2006 e 2012.

    O empresário diz ter sido chamado de início pelo ex-deputado José Janene (morto em 2010), para “uns três jantares”, onde acertaram propinas ao PP em obras da Diretoria de Abastecimento, de Paulo Roberto Costa.

    O dono da UTC disse que Renato Duque, ex-diretor de Serviços, pediu pouco depois para Pessoa fazer “contribuições políticas” ao PT, por meio do ex-tesoureiro do partido João Vaccari. “Para mim, [quando pagava propina] à Diretoria de Serviços, eu estava pagando ao Vaccari, era a mesma coisa”, afirmou.

    Pessoa ficou preso por cinco meses e foi solto em abril. Ele obteve o benefício de prisão domiciliar e voltou a trabalhar na empresa.

    O empresário admitiu que as construtoras se reuniam para “definir prioridades” entre os grandes contratos da Petrobras.

    Mas negou que o método fraudava todas as licitações: segundo ele, o chamado ‘clube’ se reunia em grandes consórcios, mas às vezes havia empreiteiras ‘aventureiras’ na concorrência.

    “Nós tínhamos a segurança de 70% a 80%. Eu, na UTC, tive pelo menos duas ou três grandes surpresas [licitações vencidas fora da previsão do clube]”, disse.

    O clube não tinha acesso aos preços que a Petrobras estava disposta a pagar por cada obra, e as propostas das empreiteiras ficavam muito caras “quando o projeto era errado, e muitas vezes era”, segundo o delator.

    Vaccarezza é indiciado na Lava Jato

    A PF concluiu ontem o indiciamento de três políticos investigados pela Procuradoria Geral da República: o ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) e os deputados Nelson Meurer (PP-PR) e Vander Loubet (PT-MS).  O trio foi citado como recebedor de propina da Lava Jato, tanto pelo doleiro Alberto Youssef como pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

    Vaccarezza, segundo Costa, recebeu R$ 400 mil de um lobista de uma empresa americana, que forneceu asfalto à Petrobras. Já Loubet teria recebido R$ 1 milhão de Youssef por ordem de Pedro Leoni Ramos, secretário do governo Collor.

    Meurer, por fim, é suspeito de ter recebido R$ 1,65 milhão, também por Youssef.

    O advogado de Meurer disse que não pode se pronunciar antes de ver o relatório. Vaccarezza e Loubet já haviam negado as denúncias quando foram citados.

    José Dirceu

    O Ministério Público Federal deve denunciar hoje o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e os demais envolvidos na Lava Jato ligados ao ex-ministro.

    Dirceu foi indiciado pela PF com mais 13 pessoas, incluindo o irmão e a filha. 

    O grupo é suspeito de ter movimentado ao menos R$ 59 milhões em propinas.

    O próprio Dirceu é apontado como beneficiário direto de R$ 11,8 milhões. 

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