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  • 30out

    51 TONS

     

    O ANTAGONISTA

    Na festa dos seus 70 anos, o ex-presidente em exercício Luísque Inácio Lula da Silva por pouco não viu os agentes da Polícia Foderal apagando as velinhas do seu bolo.

    Lula está com os canas nos seus calcanhares (os quatro) e, além de tudo, seus filhos Lulinha e Luleco estão sendo investigados pelo Ministério Público.

    Para piorar a comemoração, Lula ainda teve que receber a presidanta Dilma Youssef, que foi lhe dar os parabéns em pessoa.

    Parabéns por ter feito dela sua sucessora. Por ter criado Dilma, a Mãe do PAC, Lula será sempre considerado um filho da PUC.

    Apesar dos cortes no programa Minha Casa, Minha Vida, quase rolou um barraco no Instituto Lula.

    Dona Marisa não queria ver a Dilma nem pintada e mandou dizer que ia vaiar, bater panela e botar a presidenta pra fora aos gritos de “Fora, Dilma!”.

    Enquanto isso, o melancólico Luísque Inácio se queixava da Petrobras e defendia pessoalmente o uso do álcool no lugar da gasolina.

    Mas, para Lula, o álcool tem que ter pelo menos 12 anos, o mesmo tempo que o PT está no poder, apodrecendo em barris de Gilberto Carvalho.

    Lula não merecia isso… Merecia muito mais! Foi ele que inventou a Dilma, tida como grande gerenta, quer dizer, geranta.

    Também foi Lula que resolveu apostar no pré-sal, que fica tão no fundo, tão no fundo que levou a Petrobras pro buraco.

    Hoje, a estatal tem que fechar o buraco com uma rolha porque não tem grana para explorar o pré-sal, só explorar o contribuinte.

    Lula só melhorou o seu humor quando recebeu a visita de seus antigos companheiros do sindicato. Sindicato do Crime.

    Agarrado a uma garrafa de 51 (mais ou menos o número da sua rejeição), Luiz Cachácio Lula da Silva relembrou com saudades do dedo que perdeu quando era torneiro mecânico no ABC (as únicas letras que conhece até hoje).

    Por conta desse trágico acidente, Lula, graças a Deus, nunca mais teve que trabalhar na vida.

    Nem quando foi presidente.

    Agamenon Mendes Pedreira é mais velho que o Lula, mas continua fazendo 69.

     

  • 30out

    CLÁUDIO HUMBERTO – DIÁRIO DO PODER

     

     

    LULA RI DA DENÚNCIA CONTRA O FILHO E CONTA LOROTAS
    ELE CULPA A OPOSIÇÃO E DIZ QUE O MAIS IMPORTANTE É MANTER DILMA

     

    ELE CULPA A OPOSIÇÃO E DIZ QUE O MAIS IMPORTANTE É MANTER DILMA. FOTO: LULA MARQUES

     

    Em encontro do Diretório Nacional do PT, ontem, em requisitado centro de convenções em Brasília, ex-presidente Lula riu das denúncias de corrupção envolvendo os filhos Lulinha e Luiz Cláudio, este enrolado na Operação Zelotes, culpou a oposição pela crise e sustentou que o mais importante é manter Dilma no poder.

    No evento, os petistas discutiram “saídas”, e se deliciaram com as mentiras do seu maior líder.

    Lula usou dados falsos do FMI, da economia, da taxa de desemprego e até datas erradas de fundação de universidades na América Latina.

    O ex-presidente chegou escondido ao evento, para evitar os repórteres, e foi embora do mesmo jeito. Mas não deixou de culpar a imprensa.

    Lula diz que a imprensa esconde “conquistas” do PT. Mas, ao citá-las no discurso, exagerou nos números. E mentiu sem constrangimento.

  • 26out

    SINTONIA FINA – PEDRO RIBEIRO – PARANÁ PORTAL

     

    Protesto com pizza, máscaras dos ministros do STF, na frente da casa da senadora Gleisi Hoffmann, em Curitiba

     

    Uma manifestação pacífica e engraçada foi feita neste domingo em frente à residência do casal Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, no bairro do Água Verde, em Curitiba.

    Perto de 30 pessoas, usando máscaras com caricaturas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – Zawaski, Teofoli e Lewandowski – comeram um pizza, simbolizando a sacanagem que acontece no Congresso Nacional quando alguém comete um delito e não é punido, ou seja, acaba em pizza no restaurante mais próximo.

    Com máscaras que também lembram as figuras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e José Dirceu, o grupo de manifestantes foi hilário com a senadora Gleisi representada por uma bruxa.

    Os protestos são motivados pela tentativa da senadora, com apoio do Superior Tribunal Federal, de ter denúncias sobre sua participação em propinas, desviadas da Operação Lava Jato, deixando o juiz paranaense, Sergio Moura, de mãos amarradas e abrindo precedente para que políticos com mandato e imunidade parlamentar, não sejam julgados pelo Ministério Público Federal.

  • 17out

    ÉPOCA

     

    Eduardo Cunha, o senhor do impeachment

     

    Abalroado por denúncias de envolvimento no petrolão, o presidente da Câmara parece derrotado. Mas ainda é ele quem conduz o ritmo do futuro político do país

     

     

    >> Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana

    Uma liminar do Teori Zavascki“, anunciou, faceiro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

    A presidente Dilma Rousseff, que estava reunida com seu vice, Michel Temer, e com ministros e líderes do governo no Congresso, festejou.

    Na manhã da última terça-feira, aquela era a melhor notícia que Dilma poderia receber. Minutos depois, a boa-nova ficou ainda melhor: o Supremo Tribunal Federal havia concedido não uma, mas três liminares.

    Todas suspendiam o rito criado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para a tramitação de um processo de impeachment de Dilma.

    No dia seguinte, já no fim da tarde, a decisão do Supremo era o assunto no cafezinho do plenário da Câmara.

    “Já era”, disse o deputado Arthur Lira, do PP de Alagoas, ao colega do PMDB baiano Lucio Vieira Lima – ambos aliados de Cunha, registre-se.

    Enquanto se serviam em um bufê com saladas, sopas e sanduíches, os parlamentares comentavam que as liminares eram um “balde de água fria”.

    Cunha enfrenta ainda, há duas semanas, sucessivas denúncias de envolvimento no petrolão.

    A olhos inocentes, o presidente da Câmara parecia derrotado. Certamente está sangrando.

    Mas ele ainda é forte, muito forte – e se tornou ainda mais perigoso para o governo Dilma.

    CALMA O presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ele está sereno porque sabe que tem um exército para defendê-lo (Foto: Adriano Machado/ÉPOCA)

    Eduardo Cunha está sereno. “Não vou agir com raiva ou com o fígado”, diz.

    Cunha tem a frieza de quem teceu, durante toda a sua carreira política e em várias frentes, uma rede de proteção digna dos mais ousados equilibristas.

    Na Câmara, trincheira onde hoje atua, Cunha tem, em sua retaguarda, a maior bancada da Casa.

    Enquanto o PMDB tem 66 deputados, o PT 62 e o PSDB 54, Cunha tem 150 parlamentares que lhe devem fidelidade.

    Esse exército tem duas missões: livrar Cunha do processo que ele enfrenta no Conselho de Ética e ajudar a construir a maioria de dois terços necessária para a aprovação do impeachment de Dilma.

    São missões de defesa e de ataque – e o “timing” de uma está condicionado ao “timing” da outra.

    Cunha precisa se defender nos inquéritos contra ele no Supremo Tribunal Federal, onde depende apenas de si mesmo e de seus advogados, e no Conselho de Ética da Câmara, em que pode contar com a artilharia de seus deputados.

    Enquanto isso, Cunha trama a ofensiva contra Dilma, contando com os mesmos canhões.

    O Planalto aprendeu, ainda que tardiamente, a medir o poder de fogo de Cunha. Na semana passada, escolheu Jaques Wagner, ministro-chefe da Casa Civil, e Edinho Silva, da Comunicação Social, como emissários do governo para buscar uma trégua.

    Foram necessárias ao menos duas tentativas frustradas dos dois ministros para que Cunha desse algum sinal de que estava disposto a dialogar com o governo.

    A divulgação de encontros e telefonemas entre os dois lados alimentou equivocados rumores de que um “acordão” seria costurado.

    Tanto o governo quanto o presidente da Câmara negam com veemência a existência e a possibilidade de um acordo.

    Cunha nega, simplesmente, porque não precisa fazer um acordo com o governo. Com os seguidores que tem na Câmara, está confiante em que conseguirá ver o processo contra si arquivado no Conselho de Ética.

    O pedido de abertura do processo argumenta que Cunha quebrou o decoro parlamentar ao mentir sobre a existência de contas suas na Suíça.

    O PMDB já indicou para duas vagas suplentes do conselho os deputados Carlos Marun, do PMDB de Mato Grosso do Sul, e Manoel Junior, da Paraíba, ambos próximos a Cunha.

    Já sua relação com a oposição não está tão fluida quanto há duas semanas. No dia 10, líderes dos partidos de oposição ao governo defenderam oafastamento de Cunha do cargo.

    Na ocasião, Cunha chegou a dizer para eles: “Se eu derrubo Dilma agora, no dia seguinte, vocês é que vão me derrubar”.

    Cunha entende tudo de timing. Embora esteja desconfiado da oposição, ele acredita que ainda pode contar, no Conselho de Ética, com votos do PSDB.

    Nos bastidores, os tucanos resistem em romper com o dono da batuta que pode conduzir o impeachment de Dilma.

    Os votos do PT para se livrar desse processo, portanto, não serão necessários. O Planalto não tem nada a oferecer a Cunha neste momento.

    Nem mesmo um alívio nas investigações da Lava Jato. As acusações contra Cunha chegaram a um ponto incontornável.

    São graves demais para ser abafadas por manobras políticas. Eram quase 17 horas da quinta-feira quando Cunha recebeu uma mensagem pelo celular de um de seus advogados.

    Ele avisava que a Procuradoria-Geral da República havia encaminhado ao Supremo um novo pedido de abertura de inquérito contra Cunha.

    O alvo das investigações são as tais contas mantidas por Cunha na Suíça – contas cuja existência o deputado segue negando.

    O ministro Teori Zavascki aceitou o pedido. O novo inquérito, esclareceu a PGR no dia seguinte, tem como base as informações enviadas pelo Ministério Público suíço, de que foram localizadas quatro contas em nome de Cunha e de sua mulher, Cláudia Cruz.

    Os documentos apresentados pela Suíça e os contratos obtidos na Petrobras mostram que Cunha foi beneficiado por um contrato de US$ 34,5 milhões entre a estatal e a empresa Compagnie Béninoise de Hydrocarbures Sarl (CBH), no Benin, na África.

    Desse montante, foi feita uma transferência de US$ 10 milhões, que tinha como destinatário final Eduardo Cunha.

    A transação foi feita por meio de pagamentos de uma conta, que pertencia a Cunha, a Orion.

    Essa conta recebeu pagamentos de 1,311 milhão de francos-suíços da conta da empresa Acona International Investments, que pertencia a João Augusto Rezende Henriques, um dos operadores do petrolão.

    No pedido, a Procuradoria mostra também que o patrimônio de Cunha evoluiu 214% entre 2002 e 2014. Nesse período, os bens de Cunha passaram de R$ 525.700 para R$ 1,6 milhão.

    O semblante de Cunha era de apreensão ao descobrir que, além de seu nome, estavam listadas no inquérito sua filha, Danielle Cunha, e sua mulher.

    Um possível envolvimento de sua família nas investigações era um dos maiores temores do parlamentar desde o início do vazamento de parte do material enviado do Ministério Público suíço ao Brasil.

    A pessoas próximas, Cunha se disse preocupado com uma eventual investigação de seus familiares em uma ação que corresse em primeira instância.

    Isso, segundo ele, poderia elevar as possibilidades de um pedido de prisão preventivade algum deles, por exemplo.

    O pedido de abertura de inquérito da PGR é assinado por Eugênio Aragão, vice-procurador eleitoral, já que Rodrigo Janot está em viagem – justamente à Colômbia.

    Aragão é ligado ao PT. “Há indícios suficientes de que as contas no exterior não foram declaradas pelas pessoas mencionadas e, ao menos em relação a Eduardo Cunha, de que são produto de crime”, diz um trecho do documento.

    O procurador também pediu a investigação de Danielle por ela ter um cartão de crédito em seu nome que é vinculado a uma das contas no país europeu.

    Perto das 18 horas da quinta-feira, um outro advogado ligou para Cunha, que lhe disse que a intenção era “ir para cima deles”.

    Um dos principais defensores de Cunha, o ex-procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza, aconselhou o deputado a evitar qualquer embate com o atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

    Mas Cunha tem desobedecido ao advogado e atacado Janot, dizendo que as investigações contra ele têm caráter “pessoal”.

    A interlocutores, Cunha trata governo e Janot como “uma só pessoa” e, portanto, vê por trás das ações do Ministério Público, especialmente dos vazamentos das denúncias contra ele, um gesto do governo.

    Em nota na sexta-feira passada, Cunha questiona: “Onde estão as demais denúncias? Cadê os dados dos demais investigados? Como estão os demais inquéritos? Por que o PGR tem essa obstinação pelo presidente da Câmara, agora, covardemente, extensiva a sua família?”.

    “Alguma vez na história do Ministério Público um procurador-geral respondeu a ofício de partido político da forma como foi respondido com relação ao presidente da Câmara, em tempo recorde para ser usado em uma representação ao Conselho de Ética?”.

    “A quem interessa essa atuação parcial do PGR? Onde está a responsabilização dos verdadeiros culpados pela corrupção da Petrobras?”.

    Mas o governo não tem mais como interromper o efeito das ações de Janot contra Cunha.

    A avaliação de parlamentares da base governista é que, ainda que quisesse, a esta altura o PT não teria condições de bancar um acordo com Cunha que fosse capaz de garantir que ele sairá ileso das investigações.

    O presidente da Câmara chegou a pedir a cabeça de Cardozo, a quem atribui parte da responsabilidade pelos vazamentos sobre seu envolvimento com o petrolão.

    O pedido agradaria ao ex-presidente Lula, mas enfrenta resistência de Dilma. Cardozo é um dos poucos homens em quem apresidente ainda pode confiar.

    Lula, por sua vez, é um dos poucos petistas que têm total compreensão do poder de Eduardo Cunha.

    Lula o respeita. Sabe o que significa ter tantos parlamentares como fiéis seguidores, como Cunha tem.

    Lula também teme Cunha, porque seus destinos estão entrelaçados no petrolão.

    Afinal, foi Lula quem nomeou Jorge Zelada para diretor da Área Internacional da Petrobras, a pedido da bancada peemedebista da Câmara.

    O ex-presidente tem atuado como pode para manter os canais de diálogo com Cunha abertos.

  • 17out

    REVISTA ISTOÉ

     

    Dilma & Cunha, um acordo imoral

     

    Na ânsia de salvar seus mandatos, a presidente da República e o presidente da Câmara costuram um acerto que ficará na história das práticas políticas condenáveis.

    Mas o conchavo pode acabar em típico abraço de afogados

     

    Marcelo Rocha e Débora Bergamasco

    A revelação de ISTOÉ, na última semana, de que a presidente Dilma Rousseff reincidiu nas pedaladas em 2015, conferiu data e hora para o pontapé inicial do impeachment.

    O rito já estava desenhado pela oposição. Mas uma decisão do STF suspendendo liminarmente a liturgia do processo, ao mesmo tempo em que embaralhou o jogo do afastamento de Dilma, deu mais poder à caneta do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

    E Cunha, descolado em se valer dos pontos fracos de aliados e adversários, não perde uma chance dessas.

    O tabuleiro do xadrez político foi mais uma vez bagunçado. Os movimentos mais bruscos partiram do Planalto.

    Em tentativas desesperadas de se salvar, o governo da petista já tinha celebrado uma série de acertos espúrios.

    Rolou na lama do varejo político, ao entregar os anéis e os dedos ao baixo clero do PMDB. Demitiu auxiliares que tinha na mais alta conta durante a desastrada reforma ministerial e alçou ao primeiríssimo escalão do Planalto políticos mais alinhados com o ex-presidente Lula.

    Quando parecia que não restava mais nada em termos de conchavos para se safar de um processo de impedimento, Dilma passou a costurar um acordo indecente com Cunha, o deputado enrolado com traficâncias na Petrobras que até outro dia era o seu pior adversário.

    As negociações avançaram depois que o andamento ou não do impeachment passou a depender apenas de uma decisão monocrática do presidente da Câmara. 

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    Assim, de arquiinimigo, o peemedebista virou o malvado favorito de Dilma, do PT e de Lula.

    O acordão choca o País e chega a corar de vergonha os próprios petistas – cujos padrões éticos já não servem de exemplo para ninguém há muito tempo.

    Quem afirma não é um político de oposição, mas o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, do PT.

    Segundo ele, fazer um acordão com Eduardo Cunha, é “entregar a alma ao diabo”.

    O problema chave é que Dilma e Cunha confabulam, treinam jogadas ensaiadas, tentam ganhar tempo, mas nunca estiveram tão fragilizados.

    O acerto entre ambos é tão precário quanto a decisão do STF de cancelar o rito inicial do impeachment – as liminares concedidas por Teori Zavascki e Rosa Weber ainda podem ser derrubadas durante votação do mérito em plenário.

    Dilma não tem poderes para garantir a salvação a Cunha. Mas o governo dispõe de meios políticos para evitar a cassação dele no Conselho de Ética.

    E isso é o melhor dos mundos para Cunha. O que ele mais teme é perder o foro privilegiado e acabar em Curitiba, preso pelas mãos do juiz Sérgio Moro.

    Quem consegue controlar a agenda da Lava Jato?

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    Cunha, por seu lado, pode até não deferir o pedido de impeachment da oposição. A presidente, neste caso, ganharia um respiro momentâneo.

    Nada impede, no entanto, que novas revelações empurrem Dilma ao cadafalso. Nem que um outro presidente da Câmara, em substituição a Cunha, coloque em marcha o processo de impedimento da petista.

    Com ou sem o apoio do governo, dificilmente Eduardo Cunha conseguirá sobreviver.

    Na sexta-feira 16, em parecer enviado ao STF, depois de pedir abertura de novo inquérito, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que há indícios suficientes de que o dinheiro encontrado nas contas no exterior atribuídas ao deputado, sua mulher Cláudia Cruz e filha Danielle Cunha “são produto do crime”.

    As contas de Cunha na Suíça receberam depósitos de pelo menos 4,8 milhões de francos suíços e US$ 1,3 milhão, equivalentes a R$ 23,8 milhões.

    Os documentos apresentados pelo presidente da Câmara para abertura de uma de suas contas levaram o banco Julius Baer a estimar seu patrimônio em mais de 37 vezes do declarado à Justiça Eleitoral.

    No final da semana, a PGR também recebeu das autoridades suíças cópias do passaporte, assinaturas e dados pessoais do presidente da Câmara.

    No material, a Procuradoria identificou uma frota de carros de luxo utilizados por Cunha e família. Entre os veículos, avaliados em R$ 940 mil, há dois Porsches, uma BMW e cinco SUVs.

    Foi incluído na denúncia o teor da delação premiada do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano.

    Em um dos depoimentos da delação, Baiano disse que entregou entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em espécie no escritório do presidente da Câmara.

    O novo revés torna praticamente insustentável a permanência de Cunha no comando da Câmara. E o risco de ele vir a perder o mandato é grande.

    Na semana passada, um grupo de parlamentares do PSOL e da Rede Sustentabilidade protocolou um pedido de investigação contra o peemedebista por quebra de decoro no Conselho de Ética, assinada por cerca de 50 deputados, 32 deles da bancada do PT.

    Artífice, ao lado de Lula, do acordão com Cunha, a presidente Dilma também permanece com uma espada pendendo sobre sua cabeça.

    Na quinta-feira 15, os juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr, integrantes da oposição e dos movimentos de rua protocolaram num cartório de São Paulo um novo pedido de impeachment com base das pedaladas fiscais de 2015 reveladas com exclusividade por ISTOÉ.

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    Em meio às desconfianças sobre a viabilidade do acordão, em curso até o final da semana, Dilma e Cunha pareciam encarnar uma nova versão da parábola do sapo e do escorpião.

    No caso, ao longo da travessia do rio, os dois vão se alternando nos papéis de sapo e escorpião. É difícil identificar quem é quem. E qual deles será o primeiro a ferir de morte o parceiro de jornada.

    Durante a semana, enquanto o ministro Jaques Wagner encontrava-se com Cunha na Base Aérea de Brasília para perguntar o que ele queria receber em troca para salvar Dilma de um impeachment, a presidente da República entabulava o mais duro discurso desde o início da crise contra o que chamou de “moralistas sem moral”.

    Sentindo-se certamente estimulada por uma plateia favorável, composta por integrantes da Central Única dos Trabalhadores, a petista chamou a oposição de “golpista” e teve a ousadia de perguntar:

    “Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?”.

    A fala indignada foi amplamente aplaudida pelos sindicalistas.

    Acordos na surdina e bravatas públicas encenadas são artes do PT.

    Antes do encontro de Wagner na Base Aérea, o chefe da Casa Civil já havia estado com Cunha no dia 7 de outubro, na residência oficial de Cunha na tentativa de reestabelecer o diálogo.

    No início de outubro, conforme apurou ISTOÉ, um outro ministro, de passagem pelo Congresso, foi convidado a se dirigir ao gabinete de Cunha a sós, em uma visita de cortesia – comportamento que em tese faria parte de uma relação natural entre os dois poderes.

    Durante a conversa, o anfitrião deu sinais de que, ao contrário de posicionamentos anteriores, dessa vez haveria brecha e ele toparia construir pontes com o governo.

    Governo e Cunha começavam ali a costurar a aliança para valer.

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    Não foi por falta de tentativa anterior. De maio para cá, enquanto a militância petista detonava o peemedebista nas redes sociais e nas ruas, o governo mandava emissários para seduzir Cunha e deter seus movimentos pelo impeachment.

    Mas o peemedebista, ao não ceder aos encantos das benesses oficiais, não fazia apenas charme. Seus movimentos foram friamente calculados.

    Profundo conhecedor dos meandros políticos, cercou o governo por todos os lados. Indicou aliados para CPIs que podiam constranger o Planalto, entoou um discurso de rompimento sem volta com o PT, descartou participar da reforma ministerial e insinuou o quanto pôde que prosseguiria com o processo de afastamento de Dilma.

    Até conseguir enredar o governo na teia que ele próprio teceu.

    Assim como Dilma, Eduardo Cunha quer manter o cargo e salvar a própria pele. Ele espera do governo e de sua tropa de choque na Câmara ajuda para barrar no Conselho de Ética um eventual processo de sua cassação.

    Na atual circunstância política, e com a Lava Jato a todo vapor, é muito difícil que Cunha escape. Mas o Planalto já hipotecou apoio.

    Por exemplo, na semana passada, Dilma aceitou uma sugestão para empregar na superintendência do Iphan da Bahia uma pessoa indicada pelo deputado José Carlos Araújo (PSD-BA).

    E o que isso guardaria relação com Cunha? Araújo é nada menos do que o presidente do colegiado que vai decidir a sorte do peemedebista: o Conselho de Ética.

    O deputado aguardava a confirmação da vaga para seu apadrinhado havia cinco meses. Na avaliação dos articuladores políticos do governo, o “agrado” fará com que o parlamentar baiano passe a ter “boa vontade” com os interesses governistas.

    Se a orientação for para salvar Cunha, Araújo não hesitará, apostam auxiliares palacianos.

    Na ótica duramente pragmática do presidente da Câmara, a oposição teria bem menos a oferecer. A interlocutores, Cunha disse que a oposição andou algumas casas para trás em seu conceito, o que pode ser considerado um elogio.

    No fim de semana do feriado, sob a avalanche de informações das investigações suíças, os partidos de oposição – PSDB, DEM, PPS e PSB – emitiram uma nota defendendo o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara.

    Cunha retomou as atividades legislativas na terça-feira 13 furioso.

    “‘Se eu derrubo Dilma agora, no dia seguinte, vocês me derrubam”, afirmou o peemedebista em encontro com oposicionistas na residência oficial da presidência da Casa.

    O recado estava dado.

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    Numa outra ponta, percebendo a relação de Cunha com a oposição azedar, Lula entrava em campo para garantir o enlace com o governo.

    Na tarde de quinta-feira 15, o ex-presidente se reuniu com deputados petistas e, em tom inflamados, discorreu sobre a importância de não haver rachas internos no apoio ao presidente da Câmara.

    Orientado por Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, reforçou as articulações para conter a adesão de correligionários ao “fora, Cunha”.

    Ciente dos movimentos de aproximação do governo, em uma conversa com um ministro próximo de Dilma, o presidente da Câmara baixou as cartas.

    Deixou bem claro que poderia segurar o tempo que fosse a apreciação de pedidos de impedimento contra Dilma.

    Em contrapartida, gostaria de ver atendidas algumas de suas exigências. “Nunca vi reforma ministerial sem que se mexa na Justiça e na Fazenda”, verbalizou.

    A crítica ao ministro Joaquim Levy, até semana passada, ainda não havia sido bem compreendida por interlocutores da presidente.

    Mas o plano de derrubar o ministro José Eduardo Cardozo do comando da Justiça é real. A ideia de Cunha é pressionar pela substituição Cardozo pelo vice-presidente da República, Michel Temer, ideia já acalentada pelo ex-presidente Lula.

    Dessa forma, calcula o parlamentar, o novo chefe da pasta poderia exercer maior controle sobre a Polícia Federal, ajudar a segurar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e blindar petistas e peemedebistas contra vazamentos das investigações da Lava Jato.

    Integrantes do governo chegaram a considerar a hipótese. Mas Dilma ainda resiste.

    Cunha tem o que oferecer em troca. Ele controla as três Comissões Parlamentares de Inquéritos com potencial para dar problemas ao governo e ao PT — Petrobras, BNDES e Fundos de Pensão.

    Existe na CPI da Petrobras, por exemplo, requerimento para ouvir Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula.

    A entidade aparece na contabilidade das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.

    Depende apenas de ser agendada, prerrogativa do presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), pupilo de Cunha.

    A oposição investe contra Lula e seus familiares na CPI do BNDES, mas, a depender do PMDB de Cunha, pode ser encerrada sem uma prorrogação e sem ter produzido nada de relevante.

    Ao contrário do governo e do cada vez mais enrolado Eduardo Cunha, os oposicionistas não precisam de uma estratégia para sobreviver.

    Mas já planejam um plano “B” para não sepultar as chances de levar à frente a deposição da chefe do Executivo.

    Consumado o acordão Cunha-PT, não restará outra alternativa ao PSDB, DEM e PPS senão trabalhar para a eleição de um novo presidente da Câmara de reputação ilibada.

    Alguém capaz de entender a grandeza do cargo, sem se curvar a interesses convenientes e mesquinhos.

    Nesta empreitada, não lhes faltarão apoio nas ruas.

    Para o dia 19, já está prevista uma mobilização no Largo da Batata em São Paulo.

    Pode ser o embrião de uma nova mega manifestação.

    Contra estes, não há acordão que resista.

    Fotos: Jorge William/Agência O Globo, ANDRE COELHO/Agência O Globo; Miguel SCHINCARIOL/AFP PHOTO, Pedro Ladeira/Folhapress; Renato Costa/Frame/ Agência O Globo

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