• 18dez

    UCHO.INFO

    CPMI da Petrobras: relatório da oposição responsabiliza Dilma e pede indiciamento de 59 pessoas

    corrupcao_19O relatório paralelo da CPMI da Petrobras apresentado pela oposição nesta quarta-feira (17) pede que o Ministério Público Federal promova a responsabilização civil da presidente Dilma Rousseff por improbidade administrativa, por conta da sua participação na compra da obsoleta e superfaturada refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, como presidente do Conselho de Administração da estatal.

    A mesma providência deverá ser tomada em relação a todos os integrantes da Diretoria Executiva da Petrobras, do Conselho Fiscal e do Conselho de Administração à época da aquisição, que gerou prejuízo de US$ 792 milhões.

    Isso inclui a atual presidente da empresa, Maria das Graças Foster; o diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza; além dos ex-diretores Nestor Cerveró, Renato Duque, Jorge Zelada e Paulo Roberto Costa, delator do esquema.

    O relatório prevê também o indiciamento de 59 pessoas, dentre elas o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto; o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli; o deputado cassado André Vargas; o deputado Luiz Argôlo (SD-BA); o ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte; e a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza.

    36 inquéritos

    A instauração de inquéritos policiais contra 36 pessoas citadas na CPMI também é solicitada para aprofundar as investigações, incluindo a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Fernando Collor de Mello, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações), o presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, o diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, o deputado João Pizzolatti (PP-SC), o ex-diretor da área internacional da petrolífera, Jorge Zelada e o deputado Nelson Meurer (PP-PR).

    Do relatório, que também será entregue ao procurador geral da República, Rodrigo Janot, constam os crimes praticados por cada uma das pessoas, cujo indiciamento ou abertura de inquérito foi pedida.

    Entre os delitos verificados estão lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, dentre outros.

    “Estamos apresentando um relatório completo, bem embasado, e com provas e indícios contra os responsáveis por essa organização criminosa que tomou conta da Petrobras e que também tem braços em outras áreas do governo federal”.

    “Detalhamos todo o esquema montado pelo PT e pelos seus aliados para assaltar os cofres públicos e beneficiar partidos, políticos e empreiteiras. Ao contrário do relatório do governo, chapa branca, o nosso busca punir. É um relatório chapa quente”, resumiu o líder do PPS, deputado federal Rubens Bueno, que é membro titular da CPMI.

    Dilma na mira

    O relatório salienta que a Lei das Sociedades Anônimas “aponta, expressamente, a responsabilidade dos conselheiros” que aprovaram a aquisição da refinaria no Texas, principalmente da presidente do colegiado na época, Dilma Rousseff.

    “Diante disso, propomos o envio do presente relatório ao Ministério Público Federal para que este promova a responsabilização civil e por ato de improbidade administrativa de todos os integrantes da Diretoria Executiva, do Conselho Fiscal e do Conselho de Administração da Petrobras que tenham participado da aprovação da aquisição da Refinaria de Pasadena”, propõe o texto elaborado pela oposição.

    Segundo o relatório, o PT transformou a administração pública “num verdadeiro balcão de negócios”, numa estratégia para “perpetuação no poder”.

     

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    Funcionamento

    O carrossel de corrupção que funcionava na Petrobras contava com a participação de 13 empreiteiras que, agindo em cartel, definiam os participantes e os vencedores das licitações com preços superfaturados.

    “Cinco diretorias da Petrobras eram controladas pelos partidos políticos PT, PMDB e PP”, diz o relatório. Segundo os delatores, complementa o documento, 3% dos contratos dessas diretorias eram destinados às propinas.

    O esquema de corrupção era comandado pelo PT, contaram os delatores à Polícia Federal.

    O relatório oficial, apresentado na semana passada pelo governista Marco Maia (PT-RS), ignorou todos esses fatos e não indiciou ninguém. Por considerar a peça chapa-branca é que a oposição decidiu elaborar um documento alternativo.

    Valores

    Os valores das propinas a serem repartidas entre os partidos do esquema eram acertados em reuniões com a participação dos “agentes políticos ou seus representantes”.

    Pelo PT, quem respondia era o tesoureiro João Vaccari Neto; pelo PMDB, o lobista Fernando Soares e pelo PP – até 2010 – o ex- deputado José Janene. Após sua morte, assumiram a tarefa o doleiro Alberto Youssef e o então diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

    “A Petrobras foi, sim, objeto da sanha de um partido político (PT) que, associado a alguns parlamentares de outras duas agremiações (PMDB e PP), ao longo desses últimos dez anos, só fez engendrar mecanismos criminosos para manter-se no poder, não importando o custo de tal empreitada”, afirma o relatório paralelo.

    O relatório foi confeccionado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e assinado por ele mesmo e pelos líderes Rubens Bueno, do PPS; Antonio Imbassahy (BA), do PSDB; Beto Albuquerque (RS), do PSB, e Mendonça Filho (PE), do DEM.

    Confira a lista dos indiciados e dos pedidos de abertura de inquérito
    Abaixo a relação de parlamentares, servidores e empresários que, em razão do conjunto probante trazido para a CPMI e da individualização da conduta criminosa, foram alvo de indiciamento. São eles:
     

    1. Adarico Negromonte Filho
    2. Agenor Franklin Magalhães Medeiros
    3. Alberto Youssef
    4. André Vargas
    5. Andréa dos Anjos Bastião
    6. Antônio Almeida da Silva
    7. Arianna Azevedo Costa Bachmann
    8. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto
    9. Carlos Alberto Pereira da Costa
    10. Carlos Rocha
    11. Dalton Santos Avancini
    12. Denisvaldo de Almeida
    13. Edilson Fernandes Ribeiro
    14. Eduardo Hermelino Leite
    15. Eliana Regina Botura
    16. Enivaldo Quadrado
    17. Erton Medeiros Fonseca
    18. Esdra Arantes de Oliveira
    19. Eufrânio Ferreira Alves
    20. Fabiana Estaiano
    21. Fernando Antônio Falcão Soares (Fernando Baiano)
    22. Gerson de Mello Almada
    23. Humberto Sampaio de Mesquita
    24. Idelfonso Colares
    25. Jayme Alves de Oliveira Filho (Vulgo “Careca”)
    26. João Cláudio Genu
    27. João Procópio J. P. de Almeida Prado
    28. João Ricardo Auler
    29. João Vaccari Neto
    30. José Adelmário Pinheiro Filho
    31. José Sérgio Gabrielli
    32. José Ricardo Nogueira Breghirolli
    33. José Ricardo Ribeiro Pessoa
    34. Júlio Camargo
    35. Leonardo Meirelles
    36. Luiz Argôlo
    37. Márcio Andrade Bonilho
    38. Márcio Faria da Silva
    39. Marici Azevedo Costa
    40. Mário Lúcio de Oliveira
    41. Mário Negromonte
    42. Mateus Coutinho de Sá Oliveira
    43. Matheus Oliveira dos Santos
    44. Meire Bonfim da Silva Poza
    45. Othon Zanoide
    46. Paulo Augusto Santos da Silva
    47. Paulo Dalmazzo
    48. Paulo Roberto da Costa
    49. Pedro Argese Júnior
    50. Pedro Barusco
    51. Pedro Paulo Leone
    52. Rafael Angulo Lopes
    53. Renato Duque
    54. Rogério Araújo
    55. Sérgio Cunha Mendes
    56. Shanni Bachmann
    57. Soraia Lima da Silva
    58. Vanilton Bezerra
    59. Waldomiro de Oliveira

    Os partidos de oposição solicitaram que cópia do voto em separado fosse encaminhada ao Ministério Público Federal, com o objetivo de embasar a instauração de inquéritos policiais contra pessoas cujos nomes foram citados de forma a ensejar o aprofundamento das investigações. São eles:
     

    1. Alessandra Fernandes Barboza Daniel
    2. Alessandro Seralvo
    3. Antônio Bahia
    4. Cláudio Augusto Mente
    5. Eduardo da Fonte
    6. Eric Kunz
    7. Fernando Collor de Mello
    8. Gleisi Hoffman
    9. Henrique Ferreira
    10. Humberto Costa
    11. Ida A. de Rodriguez
    12. João Mauro Boschiero
    13. João Pizzolatti
    14. Jorge Zelada
    15. Jose Alberto Piva Campana
    16. José Carlos Bumlai
    17. José Carlos Cosenza
    18. José Luiz Pires
    19. José Orlando Azevedo
    20. José Raimundo Pereira
    21. Júlio Faerman
    22. Luciana Mantelmacher
    23. Marcelo Barboza Daniel
    24. Marcelo Carvalho Andrade
    25. Martin F. de Cruz
    26. Michael Reason
    27. Nélson Meurer
    28. Oswaldo Rodrigues Vieira Filho
    29. Paulo Bernardo
    30. Raul Motta
    31. Ronan Maria Pinto
    32. Rubens de Andrade
    33. Sérgio Guerra
    34. Sérgio Machado
    35. Wanderley Gandra
    36. Wyman Leung

  • 10dez

    O GLOBO

    Lava-Jato: Integrantes da CPMI receberam doação de empresas investigadas

    Foto: Ailton de Freitas – O Globo
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    Pelo menos sete dos 16 integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investigou desvio de recursos da Petrobras para beneficiar agentes públicos, receberam doações de empreiteiras e empresas investigadas na Operação Lava-Jato na campanha eleitoral de 2010.

    Ao longo dos trabalhos, a comissão não autorizou a quebra do sigilo bancário das empresas e também não convocou empreiteiros para prestar depoimentos.

    Juntos, os parlamentares receberam R$ 3,46 milhões. O relator da CPMI, deputado Marco Maia (PT-RS), que apresenta hoje o relatório final, recebeu R$ 330 mil.

    Da Mendes Junior Trading, foram R$ 100 mil; da Galvão Engenharia, R$ 30 mil, e da Estre Ambiental, que fez pagamentos a empresas do Grupo Pragmático, que reunia consultorias de fachada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, foram R$ 30 mil.

    O senador Humberto Costa (PT-PE) recebeu R$ 1,53 milhão das empreiteiras Camargo Corrêa, OAS e Galvão Engenharia na campanha para o Senado.

    Em um dos depoimentos de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras afirmou que Costa foi destinatário, em 2010, de parte do dinheiro desviado da estatal e que seria da “cota do PP”.

    O senador, que foi ministro da Saúde no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, negou.

    DELAÇÃO PREMIADA

    Na semana passada, outro depoimento de delação premiada, do executivo Augusto Mendonça Neto, da Toyo Setal, acrescentou detalhes do funcionamento do esquema montado na diretoria de Engenharia e Serviços, comandada pelo ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.

    Segundo ele, Duque mandou que depositasse valores de propina diretamente na conta do PT, como doação legal ao partido.

    Ao mencionar a doação legal para campanhas que vem sendo apurada no âmbito da Operação Lava-Jato, o Ministério Público Federal assinalou que o mecanismo pode ser uma forma de lavagem de dinheiro de propina.

    Procurado pelo GLOBO, Costa encaminhou resposta, por meio de sua assessoria, na qual afirma que todos os recursos recebidos por sua campanha ao Senado foram declarados e que a prestação de contas da campanha foi aprovada.

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra ainda a doação de R$ 500 mil feita pela Camargo Corrêa à campanha de 2010 da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e de R$ 400 mil para o deputado André de Paula (PSD-PE).

    O senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu, por sua vez, R$ 150 mil em doação da Camargo Corrêa Cimentos. O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) recebeu R$ 300 mil da UTC Engenharia, e Carlos Sampaio (PSDB-SP), R$ 250 mil da Fidens, que participou do consórcio GSF, formado pelas empresas Galvão Engenharia, Serveng Civislan e Fidens Engenharia para as obras da Usina Premium de Bacabeira, no Maranhão, obra que consumiu mais de R$ 1,5 bilhão em quatro anos e que não saiu da fase de terraplanagem.

    A assessoria de Maia distribui nota afirmando que, em função do relatório final, não poderia atender a pedidos da imprensa ontem e que seria injusto atender apenas “um ou poucos jornalistas em particular” antes da finalização do trabalho da CPMI.

    A assessoria de Vanessa Grazziotin afirmou que a senadora é contra o financiamento privado de campanhas e que foi autora do projeto de lei, aprovado pelo Senado, que proíbe doações de empresas em dinheiro, ou por meio de publicidade, a candidatos e partidos políticos.

    O senador Ciro Nogueira também encaminhou nota afirmando que cumpriu rigorosamente o que determina a legislação eleitoral e que as contas foram aprovadas pelo TSE.

    “As captações de campanha são apresentadas com a máxima transparência e estão disponíveis para serem acessadas por qualquer cidadão”, afirmou. Os demais parlamentares que receberam dinheiro em duas campanhas foram procurados e não se manifestaram.

    REPASSE A PARTIDOS

    Na delação premiada, Mendonça Neto afirmou que parte da propina foi depositada diretamente para partidos, não para candidatos.

    Na campanha de 2010, o diretório do PMDB do Maranhão, representado na CPMI pelo senador João Alberto Souza, recebeu R$ 1,2 milhão (R$ 900 mil da Queiroz Galvão e R$ 300 mil da Camargo Corrêa).

    O diretório de Rondônia recebeu doações da Queiroz Galvão (R$ 500 mil) e da Iesa Óleo e Gás (R$ 200 mil). O diretório da Paraíba recebeu R$ 200 mil da Camargo Corrêa Cimentos.

    O PMDB tem representantes de Rondônia e Paraíba na comissão: os senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Vital do Rêgo (PB), que preside da CPMI.

    Também receberam doações de empresas investigadas na Operação Lava-Jato o diretório do PT no Acre (R$ 500 mil) e o PTB de São Paulo (R$ 300 mil).

    O partido que mais recebeu, no entanto, é de oposição: o PSDB de Minas Gerais, que levou R$ 5,780 milhões em doações das empresas Camargo Corrêa, Alusa, Odebrecht, Queiroz Galvão, Fidens e Mendes Junior.

    O senador tucano Antônio Aureliano, que não foi eleito, era o segundo suplente do falecido Eliseu Resende e permanece no cargo até fevereiro de 2015.

  • 02dez

    UOL/NOTÍCIAS

    O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró negou à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista que investiga a corrupção na estatal que tenha recebido propina.

    Ele voltou a afirmar que não tem ciência do esquema de corrupção na empresa. As afirmações foram feitas na tarde desta terça-feira (2), durante acareação com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras.

    “Desconheço qualquer esquema de corrupção. Ratifico que não recebi propina”, afirmou Cerveró, a exemplo do que fez em depoimentos à CPI em maio, junho e setembro deste ano.

    Questionado sobre se não há esquema de corrupção ou se ele apenas não tem conhecimento, Cerveró respondeu. “Eu desconhecia [a existência]. Pelo fato de não conhecer, não havia.”

    A acareação está sendo feita porque Costa teria dito, em delação premiada, que Cerveró recebia propinas e fazia parte dos desvios na Petrobras, o que o ex-diretor da área internacional sempre negou.

    A suspeita é que a compra de 50% da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006, tenha relação com o esquema.

    O TCU (Tribunal de Contas da União) considera a aquisição um péssimo negócio em função dos prejuízos causados à estatal. Cerveró foi o responsável pelo parecer que avalizou a compra da refinaria.

    O ex-diretor da Petrobras integrava o Conselho de Administração da Petrobras, órgão na época presidido pela então ministra Dilma Rousseff, que qualificou de “falho” o documento elaborado pelo ex-diretor.

    Em todas as oportunidades, o ex-diretor negou que participou ou tinha conhecimento do esquema na estatal.

    Em outros depoimentos à CPI da Petrobras, Cerveró isentou Dilma e, mais de uma vez, afirmou que a compra de Pasadena foi um bom negócio, já que estaria dando lucro atualmente, de acordo com ele. O mesmo foi dito por Paulo Roberto Costa.

    Hoje, questionado pelo líder da oposição, deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Cerveró responsabilizou o Conselho de Administração da Petrobras pela compra da refinaria e não quis posicionar-se quando questionado se Dilma tem responsabilidade pela compra de Pasadena.

    “Confirmo que o conselho é responsável pela compra de ativos”, disse Cerveró. “Confirmou então”, comentou Imbassahy.

    Propina

    Costa, que era de outra área da Petrobras, teria admitido que recebeu US$ 1,5 milhão a título de propina só pela compra da refinaria de Pasadena.

    Por conta disso, os parlamentares questionaram Cerveró como pode ele, que era da área responsável pela aquisição, não ter recebido propina se um diretor de outra área recebeu US$ 1,5 milhão.

    “Eu não recebi nada. Eu fiz o procedimento normal”, disse. “Não houve nenhum recebimento da minha parte. Inclusive isso não consta da colocação feita pelo TCU”, disse.

    Já Paulo Roberto Costa ratificou as declarações dadas em delação premiada à Justiça Federal.

    “Os depoimentos são diametralmente opostos. Alguém está mentindo aqui provavelmente pela segunda vez aqui na CPMI”, afirmou o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA).

    Em outra delação premiada, Julio Camargo, executivo da Toyo Setal, teria afirmado que Cerveró recebeu propina de Fernando Soares, o Fernando Baiano, suspeito de ser o operador do PMDB no esquema da Petrobras.

    ex-diretor da estatal teria ficado com uma parte de US$ 40 milhões que Fernando Baiano teria recebido para intermediar dois contratos com Cerveró. Suspeita-se que o dinheiro foi enviado ao Uruguai em contas do ex-diretor da Petrobras.

    Hoje, Cerveró admitiu que conhece Fernando Baiano, mas negou saber se ele atuava como intermediário de partidos políticos.

  • 02dez

    UOL/NOTÍCIAS

    Em depoimento nesta terça-feira (2) à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da estatal, declarou-se “arrependido”, afirmou que sua família o convenceu a fazer a delação premiada e disse que o esquema de desvios na Petrobras repete-se no Brasil inteiro.

    Na sessão de hoje da CPI, Costa está sendo submetido a uma acareação com Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da empresa.

    Apesar de afirmar que, mais uma vez,não responderá às perguntas dos parlamentares, Costa fez um desabafo, que começou quando ele disse que todas as indicações de diretores da Petrobras, desde o governo de José Sarney (1985-90) até a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), foram políticas.

    “Isso aconteceu em todos os governos. Todos! Com todos os diretores da Petrobras. Se não tivesse apoio político, não chegava a diretor. Isso é fato”, disse.

    Na sequência, declarou-se arrependido por ter aceito participar do esquema de corrupção para chegar ao cargo de diretor.

    “Era um sonho meu chegar a diretor ou até a presidente da companhia”, disse.

    “Me arrependo amargamente. Infelizmente, aceitei uma indicação política para assumir a diretoria de abastecimento. Estou extremamente arrependido de ter feito isso. Se tivesse a oportunidade de fazê-lo, não faria novamente. Aceitei esse cargo e ele me faz estar aqui onde estou hoje”, disse.

    O ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa avisou, na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista da Petrobras, que não irá responder a nenhuma pergunta feita pelos parlamentares, a exemplo do que fez em outro depoimento à CPI. A sessão da comissão está sendo realizada nesta terça-feira (2). “Vou fazer alguns esclarecimentos, mas não vou responder a nenhuma pergunta devido ao processo que estou passando”, disse Costa, em referência à delação premiada que faz à Justiça Federal Pedro Ladeira/Folhapress

    Costa disse também que esquemas semelhantes ao da Petrobras ocorrem no “Brasil inteiro”. “Não se iludam. Isso que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro. Em ferrovias, portos, aeroportos. Tudo. Acontece no Brasil inteiro.”

    O ex-diretor da Petrobras disse que não responderia às perguntas dos parlamentares porque já disse tudo o que sabe na delação premiada.

    “Não tem nada da delação que eu falei que eu não confirme. A delação é um instrumento sério. Não pode ser usado de artifício, mentira, coisa que não seja possível de, à frente, confirmar.”

    Em seguida, Costa disse que provas estão aparecendo e que, na época oportuna, outros envolvidos no esquema serão conhecidos. Ele disse foram 80 depoimentos em mais de duas semanas de delação.

    “Vários fatos foram apresentados, e os que não foram apresentados eu indiquei quem poderia falar sobre os fatos.” Ao final do desabafo, afirmou ter sido convencido pela família, e não pelos advogados, a fazer a delação.

    “Quem me colocou com clareza para eu fazer a delação foi minha esposa, minha filha, meus genros e meus netos. Falaram pra mim: ‘Paulo, por que só você? E os outros? Cadê os outros? Você vai pagar sozinho?’. Fiz a delação para dar um sossego a minha alma e por respeito e amor à minha família.”

    Em várias momentos de seu depoimento, Costa disse que o esquema na estatal estava o “enojando”.

    Delação premiada

    Em delação premiada, Costa e o doleiro Alberto Youssef afirmaram que o esquema de desvios na Petrobras beneficiava partidos da base aliada, como PT, PMDB e PP.

    Os delatores também disseram que as maiores empreiteiras do país montaram um cartel para controlar as licitações. Os desvios chegavam a 3% dos contratos, segundo ambos.

    As denúncias feitas por Costa e Youssef, além de outras provas, resultaram na prisão de 24 diretores e executivos de empreiteiras e um agente da Polícia Federal em novembro.

    Destes, 13 permanecem detidos. Parlamentares e governadores de vários partidos foram citados pelos delatores e estão sendo investigados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), já que possuem prerrogativa de foro.

    Acareação

    A acareação está sendo feita porque Costa teria dito, em delação premiada, que Cerveró recebia propinas e fazia parte dos desvios na Petrobras. A suspeita é que a compra de 50% da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006, tenha relação com o esquema.

    O TCU (Tribunal de Contas da União) considera a aquisição um péssimo negócio em função dos prejuízos causados à estatal. Cerveró foi o responsável pelo parecer que avalizou a compra da refinaria.

    O ex-diretor da Petrobras integrava o Conselho de Administração da Petrobras, órgão na época presidido pela então ministra Dilma Rousseff, que qualificou de “falho” o documento elaborado pelo ex-diretor.

    Em todas as oportunidades, o ex-diretor negou que participou ou tinha conhecimento do esquema na estatal.

    Em depoimentos à CPI da Petrobras, Cerveró isentou Dilma e, mais de uma vez, afirmou que a compra de Pasadena foi um bom negócio, já que estaria dando lucro atualmente, de acordo com ele. O mesmo foi dito por Paulo Roberto Costa.

    Em outra delação premiada, Julio Camargo, executivo da Toyo Setal, teria afirmado que Cerveró recebeu propina de Fernando Soares, o Fernando Baiano, suspeito de ser o operador do PMDB no esquema da Petrobras.

    O ex-diretor da estatal teria ficado com uma parte de US$ 40 milhões que Fernando Baiano teria recebido para intermediar dois contratos com Cerveró. Suspeita-se que o dinheiro foi enviado ao Uruguai em contas do ex-diretor da Petrobras.

    Além disso, segundo reportagem da revista “Veja”, Cerveró morou em um apartamento no Rio de Janeiro avaliado em R$ 7,5 milhões que pertence a uma offshore com sede no Uruguai.

    O ex-diretor da Petrobras nega que tenha havido irregularidade e afirma que era inquilino do imóvel, pelo qual pagava cerca de R$ 8.000 por mês.

  • 21nov

    RADAR ON-LINE/LAURO JARDIM/VEJA.COM

    Sigilos quebrados

    Sigilos quebrados

    Na matemática do apertado placar da quebra dos sigilos de João Vaccari Neto, na terça-feira, na CPMI da Petrobras, quatro parlamentares que formalmente deveriam ser da base aliada provaram mais uma vez que, na hora do aperto, votam com a oposição.

    Ataídes Oliveira, Ênio Bacci, Gim Argello e Lúcio Vieira Lima somaram-se aos oito da oposição e garantiram o placar de 12 favoráveis à quebra, frente a 11 contrários.

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