• 09jul

    DIÁRIO DO PODER

     

    Conselho de ética avalia cassação de Maria do Rosário por quebra de decoro

     

    Deputada foi denunciada por simular ‘agressão’ no meio do plenário da Câmara

     

    Conselho de ética avalia cassação de Maria do Rosário por quebra de decoro

    Conhecida pelo estilo teatral e especialista em “denunciar” opositores, Maria do Rosário (PT-RS) agora terá de encarar o Conselho de Ética da Câmara.

    Ela foi denunciada pelo presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), por haver esbarrado de propósito em deputados para depois acusá-los de “agressão”.

    Mas, desta vez, a parlamentar petista levou a pior porque toda a aparente armação foi filmada.

    A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

    Tudo aconteceu na sessão de 16 de maio, quando o ministro Abraham Weintraub esclarecia o contingenciamento de verbas para Educação.

    O deputado Julian Lemos filmava o plenário quando a petista caminhou em sua direção até esbarrar nele, que reagiu: “Tá doida?”.

    Lemos continuou filmando e flagra Maria do Rosário esbarrando de propósito em Eder Mauro (PSD-PA), a quem acusaria de “agressão”.

    No documento de dez páginas, no qual enumera argumentos e a previsão legal de punição, Luciano Bivar pede a cassação da petista.

     

  • 15jun

    G1/BBC

     

    Deputada pede que russas não façam sexo com estrangeiros para evitar filhos mestiços

     

    Tamara Pletnyova, líder do Comitê para Famílias do Parlamento russo, argumenta que crianças mestiças ‘sofrem’ demais na Rússia.

     

    Torcedores brasileiros tiram foto com russas, em Moscou (Foto: Ricardo Senra/BBC News Brasil)Torcedores brasileiros tiram foto com russas, em Moscou (Foto: Ricardo Senra/BBC News Brasil)

    Torcedores brasileiros tiram foto com russas, em Moscou (Foto: Ricardo Senra/BBC News Brasil)

    À imprensa local, a parlamentar Tamara Pletnyova disse que transar com estrangeiros aumenta o risco de que as russas se tornem mães solteiras de filhos mestiços.

    “Essas crianças mestiças sofrem e sofreram desde os tempos soviéticos “, justificou Pletnyova.

    “É uma coisa se eles são da mesma raça, mas outra bem diferente, se eles são de uma raça diferente. Eu não sou nacionalista, mas mesmo assim sei que as crianças sofrem. As crianças são abandonadas, e é isso, acabam ficando aqui com a mãe”, afirmou a deputada do Partido Comunista KPRF, que costuma apoiar o presidente Vladimir Putin em votações importantes.

    Os comentários geraram controvérsia. Os russos brancos, segundo o censo de 2010, correspondem a 81% da população do país – o restante inclui minorias étnicas como turcos e mongóis.

    ‘Filhos da Olimpíada’

     

    O comentário da deputada foi motivado por uma pergunta relacionada aos chamados “filhos da Olimpíada” de Moscou, em 1980.

    O termo é considerado pejorativo e normalmente é a associado a russos de ascendência africana, latina ou asiática – que sofrem preconceito no país, principalmente em cidades do interior.

    A frase sugere que estas pessoas teriam sido concebidas durante os Jogos, por mulheres russas que se relacionaram com estrangeiros. Nos anos 1980, ainda sob a régua do comunismo soviético, métodos contraceptivos eram raros no país.

    Ainda segundo Pletnyova, as russas devem “se casar por amor, independente de sua etnia”.

    A FIFA estima que 1 milhão de turistas estrangeiros visitem o país durante a Copa do Mundo, que começa oficialmente nesta quinta-feira, em Moscou, com partidas em 11 cidades, até 15 de julho.

    Nem a FIFA nem o Comitê Organizador da Copa do Mundo comentaram as declarações.

    Um estudo divulgado recentemente pelas ONGs russas Fare Network e Sova Centre, em Moscou, aponta para um aumento de manifestações racistas nos estádios que serão usados durante a Copa.

    Segundo relatório, 19 menções a “macaco” e canções neonazistas foram identificadas nos estádios entre 2017 e 2018.

    Entre 2016 e 2017, segundo o levantamento, apenas duas menções do tipo haviam sido registradas.

    O estudo é realizado desde 2012.

  • 06out

    THE WASHINGTON POST

     

     

    Guarda os seus pertences em sacos de plástico.

    Vagueia pelas ruas de Washington.

    Mas Alfred Postell é, muito provavelmente, o sem-abrigo mais qualificado da cidade.

    Tem diplomas, prémios e certificados suficientes para encher um armário.

    O que lhe aconteceu?

     

     

    SEM ABRIGO

     

     

    O juiz pousou o olhar no sem-abrigo acusado de dormir em frente a um edifício de escritórios na Baixa de Washington. Era um sábado à tarde do início de Abril e no Tribunal de Instância Superior, diante do juiz Thomas Motley, estava Alfred Postell, diagnosticado com uma esquizofrenia.

    Postell tinha o cabelo um pouco comprido e grisalho. A barriga saía-lhe das calças. A barba estava desalinhada.

    “Tem o direito de permanecer em silêncio”, disse-lhe um oficial, de acordo com a transcrição da acusação.

    “Qualquer coisa que diga, sem ser ao seu advogado, pode ser usada contra si.”
    “Eu sou advogado”, respondeu Postell.

    Motley ignorou aquela declaração bizarra, pesando se Postell, acusado de invasão de propriedade, apresentaria risco de fuga

    “Tenho de voltar [à barra]”, protestou Postell, oferecendo uma explicação: “Passei o exame na Catholic University, fui admitido no Constitution Hall. Prestei juramento como advogado no Constitution Hall em 1979; licenciei-me em Harvard em 1979.

    Isto já chamava a atenção de Motley. Também ele se licenciara na Faculdade de Direito de Harvard em 1979. “Sr. Postell, eu também”, disse-lhe Motley. “Eu lembro-me de si.”

    Este sem-abrigo — que guarda os seus pertences em sacos de plástico brancos, vagueia por um cruzamento da Baixa e às vezes dorme numa igreja — estudou juntamente com o chefe do Tribunal Supremo, John G. Roberts, e o antigo senador do Wisconsin Russ Feingold.

    Todos eles se licenciaram em Harvard em 1979. Motley (que não quis ser entrevistado para este artigo) fez uma breve pausa antes de concluir: “Não tenho qualquer escolha neste caso.” Ordenou que o antigo colega fosse para a prisão até que as acusações contra ele estivessem resolvidas.

    Numa cidade com milhares de sem-abrigo, é possível que Postell seja o mais qualificado deles todos. Diplomas, prémios e certificados enchem um armário no apartamento da sua mãe, como artefactos enterrados de uma vida perdida. Tem três licenciaturas: Contabilidade, Economia e Direito.

    Numa noite de Verão, senta-se dentro de um McDonald’s, com uma toalha branca enrolada na cabeça como um turbante. Ouvi-lo falar da sua vida é como irromper num sonho. Ao princípio tudo parece normal. Mas rapidamente as coisas entram no caos. A cronologia vem aos soluços.

    Pensamentos incongruentes colidem uns com os outros. “Charleston”, diz ele, “eu tinha propriedades lá, na cidade. Os campos de algodão ficavam fora dos limites da cidade. Os campos de algodão: ficavam fora dos limites da cidade. Apanhei algodão uma única vez na minha vida. Mas os campos de algodão ficavam para lá dos limites da cidade. Eu vivia dentro da cidade. Tínhamos propriedades lá. Herdámos a propriedade. Pouco depois, conduzi até San Diego, Califórnia. Estava apaixonado por uma rapariga.”

    Todas estas frases remetiam para o mesmo ponto. Ancoravam Postell nas águas turbulentas da esquizofrenia. Postell, dizia ele a si próprio e aos outros, tinha estudos. Trabalhava duramente. Saía-se bem.

    Nasceu em 1948, único filho de uma mãe costureira e pai instalador de toldos. Cresceu a saber o que significa a privação. Era um rapaz normal, diz a mãe, Ruth Priest, mas sempre focado e motivado.

    WASHINGTON POST

    Queria mais do que os pais tinham. Por isso, depois de terminar o liceu, juntou um emprego a um curso no Strayer College. Os êxitos levavam a êxitos. Passou no exame e conseguiu trabalho como gestor de auditorias numa empresa de contabilidade, a Lucas and Tucker, onde diz que recebia um salário anual de 50 mil dólares (42 mil euros), o que na altura era muito dinheiro.

    Mas não ficou por ali. Foi para a University of Maryland tirar o curso de Economia. E, ainda antes de se licenciar, apresentou uma candidatura a Harvard — e foi aceite.

    “Parecia que a cada dois anos eu ficava a saber que tinhas subido mais um patamar”, escreveu E. Burns McLindon, um gestor importante de Bethesda, no Maryland, que foi professor de Postell em Strayer, numa carta que ele emoldurou.

    Foi em Strayer que recebeu o Prémio Aluno de Excelência. “O teu caso”, escreveu McLindon, que morreu em 2012, “serve de verdadeiro exemplo aos nossos jovens de hoje para que encontrem dentro deles determinação e ambição para ter sucesso”.

    Folhear o livro online do ano de 1979 da Harvard Law School é um exercício semelhante a ver “Antes de eles serem famosos”. Lá está John Roberts com uma massa de cabelo.

    Lá está o sorridente Ray Anderson, que se tornou vice-presidente executivo das operações de futebol da NFL (Liga Nacional). Lá está Thomas Motley, 24 anos, activo na Associação de Estudantes Negros, de fato e gravata.

    E lá está Alfred Postell. Tem 31 anos, mais velho do que a maioria, usa um bigode bem cuidado e tem já entradas no cabelo. Tem o olhar de um homem bem sucedido na vida. E que espera ainda muito mais.

    O colega Marvin Bagwell, vários anos mais novo, lembra-se dele a chegar às aulas de sobretudo e laço enquanto os outros se arrastavam, de olhos sonolentos. “Havia nele uma dignidade muito discreta”, diz Bagwell, agora vice-presidente de uma grande empresa de seguros. “Era brilhante e conseguia fazer perguntas introspectivas que iam ao âmago da questão.”

    O mesmo sentimento foi expresso por outros cinco colegas. “Trabalhava com muito afinco e era extremamente disciplinado”, comenta Piper Kent-Marshall, há muito conselheiro da Wells Fargo. E vestia-se imaculadamente e cheio de aprumo. “Não me espantaria se alguém me dissesse que fazia manicure”, comentou outro colega de turma.

    Por isso, os licenciados de Harvard ficaram tão surpreendidos quando souberam do seu destino. Como é que este homem — tão articulado, tão elegante — acaba numa existência invisível nas franjas da capital do país?

    “É uma história incrivelmente trágica e triste”, diz Kent-Marshall, “porque na Faculdade de Direito ele era um dos melhores alunos e um homem muito, muito, muito inteligente e charmoso”.

    Se houver pistas para o que terá precipitado a queda de Postell na esquizofrenia, estão enterradas nos anos após a licenciatura, quando voltou a Columbia.

    Aceitou um emprego num escritório que era então conhecido como Shaw Pittman Potts & Trowbridge, um escritório respeitado que no ano anterior tentara sem sucesso recrutar a futura juíza do Tribunal Supremo Sonia Sotomayor.

    Naqueles anos, a empresa estava a expandir-se muito rapidamente. Quando Postell chegou, segundo duas pessoas que trabalhavam lá na altura, ele era o único advogado negro do escritório. Devido à sua formação em Contabilidade, foi colocado na equipa fiscal e rapidamente conheceu um jovem advogado chamado Frederick Klein.

    Foram contratados com um ano de diferença. Ambos ganhavam 35 mil dólares. Klein ficou impressionado com a forma como Postell se vestia. “Era muito urbano”, diz Klein, que agora está no DLA Piper Global Law Firm. Era culto, atencioso, discreto.

    Postell era tão discreto que, na verdade, vários advogados que trabalharam na Shaw Pittman não se lembravam de nada acerca dele. Klein e outros dois que se recordavam não conseguiram, ou não quiseram, dizer porque é que poucos anos depois de o ter contratado a empresa o deixou partir.

    “Não fico muito confortável por estar a falar nisto”, comentou por email Martin Krall, que chegou a ser sócio da Shaw Pittman. “Já foi há muito tempo, já não sou sócio há mais de 20 anos e não tenho acesso aos arquivos do pessoal, se é que ainda existem.”

    Talvez o fato de poucos se lembrarem do que aconteceu a Postell seja aquilo que trai a sua doença. A esquizofrenia assusta. Algumas pessoas, especialmente as bem sucedidas como ele, conseguem esconder os sintomas durante meses. Enquanto a vítima se retira da vida social e do trabalho, mergulhando no isolamento, familiares, amigos e colegas podem nem sequer dar por nada.

    E depois há um corte. Os psicólogos referem-se a este momento como “surto psicótico” ou “primeiro surto”. É quando se quebra a ligação com a realidade que a vida se divide nestas duas categorias distintas: antes e depois.

    “Infelizmente, o declínio rápido não é invulgar”, afirma Richard Bebout, director do Green Door, um centro de saúde mental que trabalha com sem-abrigo. “Conheço pessoas que tiraram Medicina, fizeram a faculdade e licenciaram-se com as melhores notas e, de repente, vêm-se abaixo. É como a história de John Nash em Uma Mente Brilhante.

    A velocidade com que acontece pode deixar as famílias sedentas de respostas.

    “Ele tinha todas aquelas coisas chiques, um bom barco que costumava velejar por todo o lado”, diz uma familiar, LaTonya Sellers Postell. “Estava a viver uma vida de ricos. E, de repente, foi-se abaixo. Ninguém sabe exactamente o que aconteceu… Perdeu todos os seus bens materiais. É de loucos. Absolutamente de loucos.”

    Nem a sua mãe, de 85 anos, consegue explicar o que aconteceu. Um dia, uma escuridão abateu-se sobre o filho, diz Priest. Não parava de dizer que ia ser preso. Achava que a polícia estava atrás dele. E a seguir teve uma má separação da mulher que amava. Pouco tempo depois, teve o seu surto psicótico.

    WASHINGTON POST

    “Eu tinha medo”, conta a mãe. “Ele corria lá para baixo e eu perguntava: ‘O que se passa? O que se passa?’ E tentava abaná-lo um bocado para o trazer de volta. E ele começava a chorar… E desde então foi por aí abaixo, abaixo, abaixo.”

    Quando achou que já não conseguia tratar dele, a mãe foi procurar uma pastora evangélica local, Marie Carter, que o acolheu em casa, em meados dos anos 1980.

    A sua filha, agora com 60 anos, achou que Postell ficaria lá por algumas semanas ou meses. Mas ele ficou décadas, passando dias inteiros à frente da televisão ou vagueando por um parque próximo, a ver as pessoas passar.

    É estranho, como 30 anos passam depressa. A única marca que Postell deixou no registo público durante esse período foi em forma de acusações criminais. Foi acusado de roubo em 1989 pelo tribunal de Ocean City. Também teve outras acusações menores na década de 1990. Mas, para além disso, foi um fantasma.

    “Entras numa empresa, tens prestígio”, diz Postell. “E quando perdes essa posição é como um suicídio. É o fim. É a atrofia. Ou, como diz um contabilista, é para se tornar obsoleto. Sabes o que isso quer dizer? Obsolescência. Para além da tua vida útil. Eu estava para lá da minha vida útil.”

    Postell ficou à deriva. Todos os dias passava pelas mesmas montras. Uma delas era a loja de café Avondale — até ser barrado pelo dono, levando à sua detenção em Abril de 2014. Postell acabou por ir parar ao Brawner Building, na Baixa.

    A polícia prendeu-o lá por duas vezes, acusando-o de invasão de propriedade privada. Alegações que, ao fim de 30 anos, levarão Postell a encontrar-se novamente com Thomas Motley.

    Depois de se licenciar em Harvard, Motley foi trabalhar para a Steptoe & Johnson, um importante escritório de advogados em Washington. Depois, tornou-se delegado federal do Ministério Público, até ser nomeado pelo Presidente Bill Clinton.

    No dia em que Motley ficou frente a Postell, o sem-abrigo não o reconheceu. Tinham passado demasiados anos. Mas diria mais tarde que se lembrava de Motley nas aulas. (Mas não se lembra do presidente do Supremo, Roberts.)

    Em Junho, foi ilibado de umas das acusações de entrada ilegal. Outra foi retirada. E assim passa novamente a maioria dos dias no edifício Brawner, perto da Farragut Square. Rhett Rayos, o gerente do edifício, diz ter esperança de que Postell “receba o apoio e serviços que precisa”.

    E há esperança. A equipe de saúde mental da Green Door começou a trabalhar com ele, tal como a Pathways to Housing, outra organização que ajuda sem-abrigo. A mãe tentou juntar algum dinheiro para o tirar da rua.

    Mas nada disso parece interessá-lo quando numa manhã recente está sentado sozinho à porta do Brawning Building. Tem espalhados jornais aos pés. Agarra num.

    “O jornal usou o termo ‘troglodita’”, diz. “Troglodita: Homem das grutas.”

    Depois, perde-se nas suas memórias. “Vivi num prédio de apartamentos na Presidential Towers. Poderia ser considerado um homem das grutas. Tinha varanda. Uma varanda no último andar. Um apartamento no último andar das Presidential Towers. Podia ser considerado um homem das cavernas.”

  • 01set

    UOL – NOTÍCIAS

     

    Cansou do mundo moderno?

    Santuário isolado na Espanha busca zelador

     

     

    • Ferran Llorens/Creative Commons

      A ermida fica sobre uma montanha da Catalunha, na Espanha

    • A ermida fica sobre uma montanha da Catalunha, na Espanha

    Cansado da vida frenética e materialista das grandes cidades?

    A chance para ter uma existência mais desapegada e espiritual pode estar na Espanha: um santuário católico isolado em cima de uma montanha na região da Catalunha está precisando de alguém para tomar conta, durante um ano, de sua rústica estrutura, que data da Idade Média.

    Trata-se de uma ermida (uma pequena igreja cercada por uma área rural quase que totalmente desabitada) batizada de Santuari Mare de Déu de la Roca e que fica localizada na remota região de Mont-roig del Camp, a mais de 130 quilômetros de Barcelona.

    Divulgação/Patronat Mare de Déu de la Roca

    O ermitão terá que cuidar da igreja do santuário espanhol

    O anúncio do emprego, colocado no Facebook da entidade que cuida da ermida, diz que o candidato, para conseguir o trabalho, deve deixar para trás qualquer aspecto “imoral e incivilizado” do mundo. “O candidato terá que realizar as funções próprias de um ermitão durante um ano, mantendo o santuário em bom estado de conservação”, diz o comunicado.

    A pessoa contratada também será responsável por atender os fiéis que, de vez em quando, visitam o templo. Por isso, é essencial falar catalão e ter conhecimentos religiosos. O anúncio, porém, não fala sobre salário, mas é garantido que o ermitão terá alimentação, um teto e muito isolamento durante 365 dias.

    Mais informações: www.facebook.com/patronat.marededeudelaroca

    Divulgação/Patronat Mare de Déu de la Roca

    Quarto do futuro ermitão do santuário

  • 01fev

    FOLHA.COM – ESTELITA HASS CARAZZAI  ENVIADA ESPECIAL AO NORTE DO PARANÁ

    De colonização alemã, a cidade de Rolândia, no norte do Paraná, tem pouco mais de 60 mil habitantes e um calor de 35 graus no verão.

    Em meio a casas em estilo germânico, produção de salame e Oktoberfest, vivem agora cerca de 200 muçulmanos, que percorrem as ruas de terra vermelha vestindo túnicas e taqiyahs (gorros de oração).

    Chegado nos últimos cinco anos, o grupo integra nova onda migratória de islâmicos, que tem mudado a cara de pequenas cidades do Paraná e já provocou a abertura de pelo menos nove mesquitas e casas de oração.

    “Brasil, muito bom. Tudo gente boa, trabalho. Só ruim feijão, tudo dia feijão [sic]”, afirma o bengalês Abdus Samad, 29, no país há dois anos.

    Os novos islâmicos são de países africanos e asiáticos, como Bangladesh, Paquistão e Gana, e fogem da instabilidade política ou da pobreza.

      Eduardo Anizelli/Folhapress  
    Muçulmanos durante reza na mussala (casa de orações) em Rolândia, no norte do Paraná
    Muçulmanos durante reza na mussala (casa de orações) em Rolândia, no norte do Paraná

     

    Em cidades como Rolândia, procuram trabalho em frigoríficos que fazem o abate halal de frangos, obrigatório para muçulmanos e feito preferencialmente por fiéis.

    Antes do abate, realizado manualmente e com um único corte, é preciso dizer: “Em nome de Deus, Deus é maior”.

    O norte do Paraná, onde a Folha esteve, tem grande concentração de frigoríficos halal, que vêm aumentando exportação para países muçulmanos –por isso precisam da mão de obra.

    Com os novos islâmicos, o Estado também é o segundo em templos muçulmanos no Brasil, só atrás de São Paulo.

    Os novos imigrantes são na maioria homens, têm entre 20 e 30 anos, e trabalham com afinco. Adesivos com a inscrição “funcionário do mês” decoram a casa do bengalês Atiquer Rahman, 24.

    Com o salário, eles compram celulares para falar com a família, enviam dinheiro e pagam as contas. Por causa do fuso em relação à terra natal, preferem trabalhar de madrugada, geralmente no setor de limpeza dos frigoríficos.

    Muitos dividem o aluguel em até seis pessoas. Cozinham, comem no chão, por costume, e fazem as cinco orações diárias que prega o Alcorão em tapetinhos em casa.

    Para achar a direção de Meca, à qual devem se voltar, usam a bússola do celular.

    Embora a comunidade hoje seja receptiva, no começo alguns moradores fechavam a janela quando os imigrantes passavam. Mas eles relevam o receio inicial.

    Dizem que os brasileiros não estão acostumados a estrangeiros, mas que, quando conhecem, “respeitam mais”, como afirma o paquistanês Haji Muhammad, 36.

    COIOTES

    Muitos dos imigrantes chegaram ao Brasil pelas mãos de coiotes, gastando até R$ 20 mil.

    Em Bangladesh, havia anúncios em jornais que prometiam salários de R$ 5 mil.

    De avião, chegaram à Bolívia e depois atravessaram a fronteira brasileira de ônibus, a pé ou até a nado, cruzando rios.

    Aqui, não viram nada da promessa de bons ganhos e emprego imediato.

    A maioria teve de pedir ajuda para sobreviver nos primeiros dias e, agora, recebe entre R$ 1.000 e R$ 1.500 ao mês.

    Hoje, dizem que o Brasil é a sua casa. A maioria recebeu visto de permanência definitiva do governo federal.

    Alguns já se renderam ao sertanejo, popular na região. Outros abrem um sorriso quando se fala em churrasco –desde que seja com abate halal e sem carne de porco.

    O bengalês Sumsul Hoque Khokon, 28, que abriu um salão de beleza há duas semanas, mostra a foto do jogador Neymar.

    “Corto igual ele, se quiser”, a R$ 10.

    ABRIGO

    A comerciante Maria Teixeira Navarro, 75, tem oito filhos. Mas é chamada de mãe por quase 50 homens espalhados pela cidade de Jaguapitã, no norte do Paraná.

    “Mãe, mãe, senta aqui”, dizem a ela bengaleses e paquistaneses, imigrantes que vivem na cidade há dois anos e que se afeiçoaram tanto à aposentada que a adotaram como parte da família.

    “Ela é igual de mãe. Nunca vi isso. É igual de família”, comenta o paquistanês Haji Muhammad, 36, com algumas incorreções na língua portuguesa.

    Maria é uma das “mães” que os muçulmanos emigrados ao Brasil adotaram como suas.

    Há outro casal de “pais” em Jaguapitã. Em Rolândia, cidade vizinha com 200 imigrantes, um casal de aposentados também foi batizado de forma parecida.

    São brasileiros que ajudaram os jovens recém-chegados com comida, roupa, emprego e com a própria casa.

    É o caso de Maria. O paquistanês Muhammad e o conterrâneo Shafiq Urehman Khan, 39, moram na residência dela, nos fundos. Só pagam a conta de água.

    Kahn foi o primeiro a chegar. “Ele estava dormindo embaixo de um pé de manga. Vi e falei: ‘Não pode ficar assim'”, diz Maria.

    Botou o paquistanês para dentro de casa. Muhammad veio alguns meses depois.

    Com o tempo, todos os imigrantes acabaram se acostumando a frequentar a casa da aposentada.

    GESTOS

    No começo, só se comunicavam por gestos, lembra Maria. “Eles falavam aquele buru-bururu enrolado.”

    Começaram a melhorar com a TV. “Assistiam e perguntavam o que era aquilo, o que era aquilo outro. Que nem criança quando está começando a ver as coisas. Aí foram aprendendo.”

    Hoje, Khan ajuda no comércio que a aposentada mantém na frente do imóvel e brinca com seus netos.

    No começo, houve resistência. A própria família reclamou. “Falavam: nossa, a senhora vai pôr um homem estranho dentro de casa? Esses homens são perigosos”.

    Embora a comunidade hoje seja receptiva aos imigrantes, no começo alguns moradores fechavam a janela quando eles passavam.

    “Tinham medo! Achavam que era homem-bomba”, delata Maria.

    “O povo, não todo mundo, desconfia”, diz o padre Constantino Borg, 67, que era pároco em Jaguapitã à época.

    “Mas são irmãos, nada a ver.”

    Aos poucos, a resistência passou. Houve até arrecadação de cesta básica para ajudar os imigrantes.

    Eles relevam o receio inicial. Dizem que os brasileiros não estão acostumados a estrangeiros, mas que, quando conhecem, “respeitam mais”, como afirma Muhammad.

    “Eu trabalho, eu não sou preguiçoso, respeito, nunca fumado, nunca drogado… Aí você respeita.”

    “Eles são muito educados”, diz a comerciante Rose Fahr, 60, cuja loja é vizinha da casa de bengaleses em Rolândia.

    “Deixam o chinelinho na porta e só compram no dinheiro, à vista.”

    CHARLIE

    Quando o assunto é o atentado ao jornal francês Charlie Hebdo, os muçulmanos não escondem a tristeza com a forma como o profeta Maomé foi tratado pelos cartunistas. Mas se opõem com firmeza ao terrorismo.

    “O profeta nunca brigou com ninguém”, afirma Muhammad.

    A única coisa que as mães e pais postiços ainda não conseguiram fazer pelos filhos estrangeiros foi arrumar namoradas.

    O pedido é constante –pela tradição muçulmana, a família do noivo escolhe a pretendente.

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