Um defende facilitar o porte de armas para todos, diminuir a maioridade penal e priorizar relações diplomáticas do Brasil com Israel, Estados Unidos e Europa.

O outro quer reduzir a presença de armamentos em todo o país, fazer com que a pena de prisão só valha para crimes graves e propõe retomar o foco da política externa na América do Sul e África.

Na última pesquisa CNT/MDA, divulgada no último dia 22, os entrevistados que tinham Lula como primeira opção foram questionados sobre em quem votariam caso o ex-presidente seja impedido de concorrer, sendo substituído pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), atual vice na chapa.

Nesse cenário, metade dos eleitores de Lula entrevistados se disseram indecisos ou inclinados a votar em branco/nulo.

Da outra metade, 17,3% votariam em Haddad, 11,9% iriam para Marina Silva (Rede), 9,6% apostariam em Ciro Gomes (PDT) e 6,2% responderam que, se o líder petista não concorresse, migrariam o voto para Bolsonaro.

Na prática, o deputado do PSL ganharia 2,3 pontos percentuais.

O que explica essa migração de votos de um candidato visto como de esquerda para outro de direita?

Cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que há uma lógica por trás da migração de eleitores de Lula para Bolsonaro.

Segundo o professor da Universidade de Brasília (UnB) Lucio Rennó, o perfil desse eleitor é o de pessoas de classe média baixa que sentiram melhorias no governo Lula, mas que não são de esquerda, nem têm compromisso de lealdade com o PT.

Ao mesmo tempo em que enxerga no ex-presidente a lembrança de tempos melhores, essa parcela do eleitorado se identifica com o discurso de Bolsonaro em prol da “ordem” e da “tolerância zero” com o crime.