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  • 23ago

    FOLHA DE SÃO PAULO

     

    Voluntários de Bolsonaro espalham ‘Bolsa Palavra’ para vender candidato

     

    Grupo explora periferias reais e virtuais para driblar orçamento e tempo de TV enxutos

     

    Olá, boa tarde, você teria um minutinho para ouvir a palavra de Bolsonaro?

    Se a esquerda tem o Bolsa Família, é com a “Bolsa Palavra” que Carla Ferreira Ramos, pretende arrebatar um rebanho eleitoral para seu candidato, Jair Bolsonaro (PSL).

    Da esq. para a dir.: os voluntários da campanha bolsonarista Alessandro Santos, 44, Bruna Lisboa, 29, Décio Luiz, 44, Fernando Fernandes, 32, Ricardo Amorim, 39 e Carla Ferreira, 45, no Monumento aos Pracinhas, no Rio

    Da esq. para a dir.: os voluntários da campanha bolsonarista Alessandro Santos, 44, Bruna Lisboa, 29, Décio Luiz, 44, Fernando Fernandes, 32, Ricardo Amorim, 39 e Carla Ferreira, 45, no Monumento aos Pracinhas, no Rio – Raquel Cunha/Folhapress

    Carla, mais conhecida como Charlo, é tida como decana entre voluntários da campanha presidencial do deputado.

    A brincadeira de “espalhar a palavra” começa em Vila Valqueire, subúrbio carioca onde mora esta cabeleira de 45 anos, e se espalha por rincões virtuais.

    “Como é que eu vou convencer a pessoa de que Bolsonaro é uma boa pessoa para presidente?” Dizer que ele é “ficha limpa”, de “fora do sistema” e “bom pai” ajuda.

    Mas tiro e queda mesmo é lembrar que seu candidato é contra o desarmamento.

    “Esse [argumento] aí, então, é o que as pessoas mais absorvem. Dá para notar que a população quer voltar a ter arma em casa, até por causa do aumento da violência”, afirma.

    Se há demanda pelo discurso bolsonarista, a oferta de “pregadores” de Jair Messias Bolsonaro, 63, também não é pouca,  diz Rodrigo Amorim, 39.

    Vice de Flávio Bolsonaro em 2016, quando o primogênito de Jair concorreu a prefeito do Rio, ele ajuda a coordenar um movimento marcado pela descentralização. 

    Quantos voluntários são, nem eles mesmo sabem. Não há uma liderança central, não quando você está lidando com uma frota sobretudo online.

    Amorim desliza o dedo pela tela de seu celular: eis grupos de WhatsApp receptivos à “palavra” de Bolsonaro.

    São dezenas deles, de nomes como Maçonaria Operativa, Eu Sou o Mito, Direita True e Opressores 1.0.

    Tática essencial para um candidato com 1% dos blocos de 12 minutos e 30 segundos de propaganda eleitoral na TV e com previsão de gastar na campanha uma quantia irrisória perto da dos adversários —Bolsonaro já estimou um custo de R$ 1 milhão.

    O PT, de R$ 50 milhões, e o PSDB, R$ 43 milhões, por exemplo.

    Um dos principais desafios do batalhão voluntário, segundo Amorim, é rechaçar um expediente em geral atribuído ao presidenciável e seus aliados.

    “A gente se defende muito das fake news. E a grande protagonista delas é a imprensa: nos tacham de fascistas, sexistas, homofóbicos. Falam coisas do tipo, Bolsonaro não participará de debate nenhum, reduzirá direitos das mulheres.”

    Décio Luiz, 44, militante pró-Bolsonaro, usa boné que remete a 'Make America Great Again', slogan de Donald Trump

    Décio Luiz, 44, militante pró-Bolsonaro, usa boné que remete a ‘Make America Great Again’, slogan de Donald Trump – Raquel Cunha/Folhapress

    Polêmicas de verve moral também abastecem o bolsonarismo.

    Na semana passada, o que tirava o sono do pessoal: uma recepção a calouros num campus da UFF (Universidade Federal Fluminense).

    Circulava pela internet a foto de um slide projetado em telão dali. Lia-se: “Dedo no cu e gritaria”.

    “Eu me esforço para colocar meu filho na universidade pública, achando que assim ele vai ter qualificação boa, aí ele vai e se esbarra numa situação como essa”, reclama Charlo.

    Ela é uma das várias facetas desta turma eclética, que abrange do “doutor” ao “motoboy”.

    A Folha encontrou com seis voluntários num monumento militar do Rio —isso enquanto uma banda do Exército marchava e tocava o Hino Nacional, uma “feliz coincidência” para eles.

    A cabeleireira da Vila Valqueire, por exemplo, tem uma queda pela monarquia. Torcia para que o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança fosse o vice de Bolsonaro.

    “Sou a guerrilheira da direita”, disse esta filha de um petista que fundou o sindicato da UFRJ.

    Charlo conta que seu estranhamento com a ideologia de berço veio na leva dos protestos de 2013.

    “Começaram a nos xingar de fascista, de coxinha. Aí percebi que eu era de direita e não sabia.”

    Um dos fatores de conversão à direita, afirma, foi ver militantes seminuas da Marcha das Vadias, de proposta feminista, quebrarem estátuas de Nossa Senhora durante a visita do papa Francisco ao Rio naquele ano —uma delas chegou a esfregar uma imagem católica nas genitais.

    Uma gota d’água para Charlo.

    Autônoma na área de marketing, Bruna Lisboa, 29, foi criada numa comunidade de Campo Grande, a 50 km da zona sul carioca. Mostra uma foto sua, branca, com a avó, de pele preta.

    “Venho de uma família predominantemente negra. Não temos o perfil [de recorrer a cotas], a gente acredita em meritocracia, que estudar faz diferença. Ninguém é menor por causa da cor”, diz a integrante das comunidades virtuais Bolsogatas e Musas de Bolsonaro. 

    O advogado Fernando Fernandes, 32, é o acadêmico da turma. Com mestrado em filosofia política na UERJ, nas redes sociais se define como “liberal entre conservadores, conservador entre liberais e direita chucra para os demais”. 

    O círculo intelectual não pode ser um clubinho que só aceita a esquerda como sócia, diz Fernandes, ex-eleitor de Lula e ex-UJS (União da Juventude Socialista), do PC do B.

    Hoje, avalia, a direita “sai de um conservadorismo do senso comum e passa a ter leitura política”.

    Livros como “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” (do colunista da Folha Leandro Narloch) e “O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota” (Olavo de Carvalho) seriam prova disso, diz.

    Candidato a deputado estadual no Rio, Amorim acha que a direita está enfim “saindo do armário”, após um longo inverno esquerdista.

    Por exemplo: quem disse que secretarias de Direitos Humanos são uma prerrogativa do polo de lá? 

    Ele já chefiou essa pasta em Nilópolis. E o fez “sem mimimi, sem embarcar em discursos de ódio, que são deles [progressistas], não nossos”, afirma. “Não tinha campanha de passar mão em vagabundo.” 

    Não na sua gestão. Quando o disque-denúncia trazia algo sobre abuso policial, “olhava com muitos olhos antes de tomar atitude. Ninguém combate criminalidade jogando flor”.

    O grupo tem vacinas para as várias pechas que grudam em seu candidato. Bolsonaro é racista? Sério?

    “O sogro dele é azul-marinho, não é nem preto”, diz Amorim a respeito de Paulo Negão, como Bolsonaro costuma se referir ao pai da esposa.

    Que fique claro: “Claro que tem racismo no Brasil”.

    “O negro egresso da senzala vai para uma camada mais baixa”, ele afirma.

    Mas falar em “negricídio”, aí já seria forçar a barra.

    “Ninguém anda na rua e leva um tiro por ser um. Não tem ‘morre aí, negão!’”

    E a Bolsa Palavra continua.

    Publicado por jagostinho @ 13:55



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