A deputada Christiane Yared só rompeu o silêncio quase 24 horas depois do acidente que matou Bernardo Carli, o filho mais novo da família Carli.

E as palavras dela foram de solidariedade, dirigidas principalmente à Ana Rita, a mãe. “Nenhuma mãe merece passar por isso”, disse.

Bernardo é irmão de Fernando, o ex-deputado que provocou o acidente de trânsito mais famoso do Paraná, onde morreram o filho de Chistiane, Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos, condutor do Honda Fit, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos, ocupante do mesmo automóvel.

Nesses 9 anos, Yared se tornou uma mãe-coragem, sob a marca de frases fortes e cabelos desarrumados, para levar o autor do acidente para a prisão.

Inconformada com a lentidão da Justiça, colocou a boca no mundo, e por conta dessa batalha, elegeu-se deputada Federal mais votada do Paraná e ensaia candidatura ao Senado em Outubro.

No júri popular de Carli Filho, no ano passado, em Curitiba, se recusou a depor, porque na verdade já tinha dito o suficiente durante a luta para punir Carli Filho.

De fato, Christiane não se conteve para revelar, sempre publicamente, que a família Carli nunca a procurou para prestar qualquer solidariedade.

Era uma das maiores queixas, ao lado do que considerava o poder da família, de tradição na política e abastada, para pagar bons advogados e evitar a punição do filho.

Mesmo condenado a 9 anos e 4 meses de prisão, Carli Filho permanece em liberdade, por conta de recursos ainda a serem julgados.

Diante da segunda tragédia da família Carli, Christiane Yared se calou por longo tempo.

Aos mais frios, ou aos mais crentes, pode parecer que o filho de Yared foi vingado.

Para ela, que ainda chora a morte do filho Gabriel, a dor é conhecida.

E tão aguda que, talvez, depois de batalha tão árdua para punir o causador do acidente, ela tenha se tornado a pessoa que mais compreende o que a família Carli sofre neste momento.

Nenhuma mãe merece passar por isso”.

É o que pode, dolorosamente, falar agora.