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  • 09ago

    ISTOÉ

     

    A desfaçatez de Lula

     

    O petista freqüenta o sítio de Atibaia desde quando era presidente. Esteve no local 270 vezes. Reformas foram realizadas por empreiteiras a seu pedido. Mesmo diante de provas irrefutáveis, Lula insiste no discurso de que nada sabia

     

    A desfaçatez de Lula

     

     

    Dezembro de 2010. Lula ainda era presidente. Dona Marisa, falecida no início deste ano, procurou Emílio Odebrecht, dono da Construtora Odebrecht, e pediu para que a empreiteira reformasse o sítio de Atibaia, onde o então presidente passaria a descansar depois que deixasse a Presidência.

    “Vou para o meu sítio”, contou Lula a amigos. O patriarca da empreiteira ordenou, então, que Alexandrino Alencar, diretor da companhia, se encarregasse das benfeitorias.

    Com a propriedade moldada a seu feitio, o petista e sua família passaram a frequentar o local religiosamente. Em seis anos, esteve no sítio por 270 ocasiões.

    Até a eclosão das denúncias contra ele, ao se manifestar sobre o paradeiro do ex-presidente, sua assessoria emitiu pelo menos 12 notas oficiais em que afirmava com todas as letras que o petista passaria os fins de semana “em sua casa de veraneio em Atibaia”.

    Ou seja, até ser acossada pela Lava Jato, a família Lula não tinha o menor constrangimento em reconhecer o imóvel como seu.

    A retórica se ajustou à luz dos novos fatos.

    Agora, perto de ser condenado de novo em primeira instância, Lula, que se tornou réu pela sexta vez na última semana, recorre a subterfúgios para negar o óbvio ululante:

    que o sítio lhe pertence e foi repaginado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht como contrapartida a obtenção de contratos na Petrobras.

    No total, as empreiteiras gastaram R$ 1,025 milhão nas reformas do sítio, conforme concluiu o juiz Sergio Moro, ao aceitar, na terça-feira 1, a denúncia contra Lula por corrupção e lavagem de dinheiro.

    Em seu despacho, Moro afirmou que o ex-presidente “teria participado conscientemente do esquema criminoso. Como parte de acertos de propinas destinadas à sua agremiação política, o grupo Odebrecht e o grupo OAS teriam pago vantagem indevida ao ex-presidente Lula consubstanciada em reformas no sítio de Atibaia por ele utilizado”.

    Formalmente, o sitio está registrado em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios de Lulinha.

    Mas extraoficialmente, “a propriedade é de Lula”, diz o juiz.

    “O sítio passou a sofrer significativas reformas ainda em 2010, durante o mandato presidencial e que prosseguiram até 2014”, lembrou Moro. Lá, foram feitos investimentos “sempre com o conhecimento de Luiz Inácio”.

    Para comprovar que Lula é o verdadeiro dono do sítio, o MPF anexou ao processo mensagens eletrônicas trocadas entre o caseiro da propriedade, conhecido como Maradona, com seguranças do ex-presidente.

    Uma delas falava que “um pintinho” havia sido atropelado pela “perua”.

    O MPF ainda incluiu na denúncia que, quando a PF fez buscas no local, roupas e bens pessoais do petista e de dona Marisa estavam guardadas no quarto do casal.

    Até uma camisa do Corinthians, escrito Lula nas costas, foi apreendida. Também foram encontradas notas fiscais de compra de material de construção – em nome de Marisa.

    Em outra devassa feita no imóvel de Lula em São Bernardo, a PF apreendeu uma minuta da escritura de compra e venda do sítio.

    Estava lá a digital do advogado de Lula, Roberto Teixeira, a quem coube preparar o documento de compra e venda em nome de Fernando Bittar.

    Um verdadeiro “batom na cueca”, como se diz no jargão policial quando há provas irrefutáveis de um crime.

    A reforma de R$ 1 milhão

    • O MPF afirma que Lula é o verdadeiro dono do sitio de Atibaia
    • A propriedade, no entanto, está em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios de seu filho Lulinha
    • O imóvel está avaliado em R$ 1, 5 milhão
    • Mas, a pedido de Lula, a Odebrecht, a OAS e seu compadre José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,025 milhão para reformar a propriedade
    • Lula diz que não é dono do local, mas nos últimos 6 anos esteve lá 270 vezes
    • Em emails, o caseiro do sítio, Maradona, comunicava os seguranças de Lula até sobre a morte de “pintinhos” na propriedade
    • Em buscas em seu apartamento, a PF encontrou uma minuta da escritura do sítio



    Publicado por jagostinho @ 14:02



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