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  • 07abr

    VEJA.COM

     

    Moro vê problema em salvadores da pátria: ‘Isso é muito infantil’

     

    Em entrevista a jornal argentino, juiz da Lava Jato afirmou que ele é só parte de um processo e que a Operação já “cruzou metade do rio”

     

    Juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro (Evaristo Sá/VEJA.com)

    O juiz federal Sergio Moro afirmou, em entrevista ao jornal argentino Clarín, que considera um problema os brasileiros acreditarem em “salvadores da pátria”.

    O magistrado, que frequentemente é lembrado como super-herói em manifestações pró-Lava Jato e tietado em lugares públicos, se queixou do “foco demasiado” que dão à sua pessoa e lembrou que ele apenas faz parte de um processo.

    “Nós temos um problema no Brasil — não sei se isso acontece também na Argentina — de crer em salvadores da pátria. Isso é muito infantil. É preciso construir as instituições dia a dia”.

    “Acredito que exista um foco demasiado na minha pessoa, quando existe uma polícia que investiga, um Ministério Público que acusa, e no poder judiciário há outros tribunais que revisam minhas decisões”.

    “Somos todos parte de um processo”, afirmou o magistrado, que esteve nesta semana em Buenos Aires para uma conferência na Universidade Católica da Argentina (UCA). 

    Perguntado sobre quanto tempo durará a Lava Jato, Moro respondeu que, da parte do caso que compete a ele, as investigações já estão “bastante avançadas”.

    “Já cruzamos metade do rio. O problema é que vão surgindo novas provas, porque é uma corrupção sistêmica”.

    “E não se pode esconder nada debaixo do tapete. A Lava Jato um dia vai terminar. E teremos que seguir: pode haver novos casos de corrupção e a historia não se acaba”, afirmou.

    Ressaltando que leva de seis meses a um ano para condenar ou absolver um investigado, Moro discorreu sobre os problemas da morosidade na Justiça.

    Explicou que o excesso de garantias constitucionais e possibilidade de recursos foram criados para evitar os abusos cometidos durante as ditaduras militares.

    “Mas agora estamos na democracia e os atos de corrupção também são um atentado a democracia. Muitos poderosos se servem desse sistema para buscar a impunidade. A maioria dos crimes de corrupção não são descobertos”, completou.

    Críticas

    O juiz também reconheceu se incomodar com críticas “não muito procedentes” feitas a ele e à Lava Jato, especialmente as que o acusam de partidarismo.

    “Apesar de a opinião pública brasileira estar, majoritariamente, a favor das operações, há uma minoria mais crítica e ruidosa que às vezes incomoda. Principalmente quando se tenta relacionar meu trabalho como se tivesse uma intenção político-partidária”, disse

    Questionado sobre as suspeitas que envolvem o grupo Odebrecht, que também atua na Argentina, Moro comentou que as empresas envolvidas (não citou-as nominalmente) tiveram uma postura agressiva no início da investigação, mas depois decidiram assumir os seus erros e ressarcir os cofres públicos.

    Para ele, concluiu, “uma empresa regenerada é melhor que uma empresa falida”.



    Publicado por jagostinho @ 09:15



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