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  • 25abr

    GIZMODO

     

    Ouça trechos da música que ficou perdida por cerca de mil anos

     

     

    Um antigo repertório de músicas perdidas desde o século XI foi reconstruído por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

    Ele se chama Songs of Consolation, e foi uma releitura em música medieval da obra-prima A Consolação da Filosofia, do filósofo romano Boécio.

    Naquela época, era comum atribuir uma melodia para os textos de obras clássicas, como as escritas por Horácio e Virgílio.

    Isto era feito para memorizar e ritualizar os textos, que muitas vezes consistiam de canções de amor e lamentos.

    Você pode ouvir dois pequenos trechos da obra nos vídeos a seguir.

    É algo quase onírico, e a letra em latim evoca imagens de monges na Idade Média cantando em suas catedrais.

     

    Reconstruir o Songs of Consolation não foi fácil, e exigiu muitos anos de trabalho árduo.

    As músicas foram registradas nele usando neumas, símbolos que representavam a notação musical na Idade Média, antes de surgir a forma moderna de notas musicais.

    A reconstrução só foi possível devido à redescoberta de um manuscrito do século XI que foi roubado de Cambridge e esteve perdido por quase um século e meio.

    O musicólogo Sam Barrett, da Universidade de Cambridge, passou as últimas duas décadas identificando as técnicas utilizadas nesses versos.

    A recuperação da folha que faltava, que esteve em uma biblioteca alemã desde a década de 1840, permitiu a Barrett reconstruir toda a obra.

    “Depois de redescobrir a folha das Canções de Cambridge, só restava o salto final em som”,diz Barrett em comunicado.

    “Os neumas indicam o sentido melódico e detalhes da entrega vocal sem especificar cada passo, e isso representa um grande problema. Os vestígios de repertórios perdidos sobrevivem, mas não a memória auditiva que servia de apoio para eles. Sabemos os contornos das melodias e muitos detalhes sobre como elas eram cantadas, mas não o timbre preciso que compunha as músicas.”

    Com a folha recuperada, Barrett conseguiu reunir cerca de 80% a 90% da melodia.

    Ele então recrutou o grupo musical Sequentia, que se especializa em música medieval, para ouvir como realmente eram as músicas, e para refinar seu trabalho inicial de reconstrução.

    “Ben [Bagby, da Sequentia,] experimenta várias possibilidades e eu reajo a elas, e vice-versa”, diz Barrett.

    “Quando eu o vejo trabalhar com as opções que uma pessoa do século XI tinha, é realmente sensacional; às vezes você só pensa ‘é isso!’. Ele traz o lado humano do quebra-cabeça intelectual que eu estava tentando resolver durante anos de frustração contínua.”

    A música inteira tem mais de uma hora, e foi tocada na íntegra neste sábado (23) na Universidade de Cambridge – foi a primeira apresentação ao vivo da peça em quase mil anos.

    Por enquanto, não há um vídeo do evento disponível na internet.

    [Universidade de Cambridge]

    Foto: o manuscrito perdido (Biblioteca da Universidade de Cambridge)



    Publicado por jagostinho @ 18:32



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