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  • 09nov

    VEJA.COM

     

    A carreira de Luís Cláudio da Silva, o caçula de Lula

     

    Ex-auxiliar de preparador físico, ele disse em depoimento à PF que recebeu 2,4 milhões de reais de uma empresa de lobby por projetos lastreados em um conhecimento que, para os investigadores, demonstrou não ter

    Luís Cláudio Lula da Silva
    Luís Cláudio da Silva: a bolada foi pagamento por “pesquisas, avaliações e elaboração propriamente dita” de trabalhos sobre a Copa e a Olimpíada(Reginaldo Castro/Lancepress/VEJA)

     

    Os policiais ele não convenceu. Na quarta-feira passada, Luís Cláudio Lula da Silva, filho caçula do ex-presidente Lula, entrou acompanhado de quatro advogados na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

    Das 3 e meia da tarde às 7 e meia da noite, ele se empenhou em convencer o delegado Marlon Cajado, responsável pela Operação Zelotes, de que os 2,4 milhões de reais que recebeu entre 2014 e 2015 do escritório de lobby Marcondes & Mautoni eram referentes a pagamento por “trabalhos prestados” por sua empresa, a LFT Mar­keting Esportivo.

    A Marcondes & Mautoni é suspeita de ter negociado com autoridades do governo a renovação de uma medida provisória que, decretada em 2014, prorrogou benefícios para empresas do setor automotivo – o grosso da clientela do escritório.

    Seu principal sócio, Mauro Marcondes Machado, está preso desde o último dia 26.

    Segundo Luís Cláudio, os trabalhos prestados à Marcondes & Mautoni consistiram em projetos de “pesquisa, avaliações setoriais e elaboração propriamente dita”, com “foco relacionado à Copa do Mundo (2014) e à Olimpíada” do Rio (2016).

    Para justificar o fato de a LFT, que não possui nenhum funcionário registrado, ter sido escolhida para executar tão bem remunerado trabalho, Luís Cláudio alegou que sua “expertise não se restringe à formação superior em educação física” – ele se formou pela FMU, em São Paulo -, mas “tem lastro na prestação de serviço, por cinco anos ininterruptos, em quatro dos mais destacados clubes de futebol”: São Paulo, Palmeiras, Santos e Corinthians.

    Luís Cláudio de fato passou pelos quatro clubes, sempre levado por amigos do pai, mas em nenhum deles desempenhou atividade que pudesse ter utilidade nos projetos que diz ter desenvolvido para o escritório hoje sob investigação da PF.

    O caçula de Lula entrou no São Paulo como estagiário no departamento amador do clube, e dali em diante, nos demais times onde esteve, nunca passou de auxiliar de preparador físico.

    “Ele desempenhava funções simples, como colocar os cones no gramado para os treinos dos jogadores e acompanhar as sessões de musculação dos atletas”, contou um ex-colega do Palmeiras (esse mesmo colega lembrou também que, apesar do cargo modesto, “Lulinha”, como era chamado pelos colegas, raramente perdia uma viagem com o time na temporada de jogos).

    Depois de cinco anos de clube em clube, Luís Cláudio abriu a LFT Marketing Esportivo, em fevereiro de 2011.

    Um de seus primeiros clientes foi o Corinthians, cujo presidente à época, Andrés Sanchez, era próximo de Lula. A função da LFT era captar patrocínio para os esportes amadores do clube.

    Foi essa mesma aptidão para atrair recursos que levou a LFT a ser convidada a associar-se ao ex-locutor André Adler, que fez a carreira comentando eventos esportivos e morreu em 2012.

    Sua empresa promovia jogos de futebol americano em um torneio chamado Touchdown. Essa nova sociedade, afirma a defesa de Luís Cláudio, aproximou-o da Marcondes & Mautoni.

    Depois que a Touchdown perdeu o patrocínio que a Hyundai ofereceu ao torneio por dois anos, o caçula de Lula teria procurado a consultoria para garimpar novos recursos no setor automotivo.

    Acabou saindo de lá com o contratão de 2,4 milhões de reais para fazer pesquisas sobre a Copa e a Olimpíada, ainda que nenhum dos temas se beneficie de conhecimentos sobre jogos de futebol americano ou colocação de cones no campo.

    Luís Cláudio diz ter se aproximado da Marcondes & Mautoni apenas há alguns anos, mas a relação entre o dono da empresa e seu pai vem de longa data.
    O lobista Mauro Marcondes conhece o ex-presidente desde o fim da década de 70, quando trabalhava na Volkswagen e Lula era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
    A Polícia Federal acredita que ele manteve contato com o petista pelo menos até agosto de 2013, período em que estaria “negociando” a medida provisória que favoreceu seus clientes com impostos mais baixos.

    Dois pontos do depoimento do filho de Lula foram considerados pela polícia particularmente “inconsistentes” e “pouco convincentes”.

    Para os investigadores, a natureza da LFT não justificaria sua contratação para a finalidade alegada.

    E, ainda que esse trabalho tivesse sido encomendado e realizado, o preço atribuído a ele parece anormal.

    O passado recente do filho caçula do ex-presidente Lula registra uma trajetória ascendente e fulminante.

    Já seu futuro, a contar pela reação dos inves­tigadores ao seu depoimento, parece bem menos promissor.

    (Com reportagem Severino Motta)

    Publicado por jagostinho @ 09:13



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