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  • 01out

    COLUNA DE AUGUSTO NUNES – VEJA.COM

     

     

    José Dirceu endossa o impeachment: ‘Qualquer deputado pode pedir à Câmara a abertura de processo contra o presidente

     

     Dizer que isso é golpe é falta de assunto’

     

     

    José Dirceu, em nome do PT e de aliados, entrega a Michel Temer, então presidente da Câmara, o pedido de impeachment contra Fernando Henrique Cardoso

    25 de agosto de 1999: ao lado de Lula e Miguel Arraes, com o apoio do papagaio-de-pirata Agnelo Queiroz, da esforçada coajuvante Marina Silva (no canto esquerdo) e de vários figurantes, o deputado José Dirceu entrega ao presidente da Câmara, Michel Temer, o documento que propõe o impeachment de FHC

     

    Presidente do PT, José Dirceu caprichou na pose de defensor da pátria em perigo ao tentar justificar o que acabara de fazer naquele 25 de agosto de 1999.

    “Qualquer deputado pode pedir à Mesa a abertura de processo de impeachment contra o presidente da República”, declamou depois de entregar ao presidente da Câmara, Michel Temer, o documento que propunha o afastamento de Fernando Henrique Cardoso, reeleito dez meses antes.

    “Dizer que isso é golpe é falta de assunto”.

    Se os celebrantes de missa negra acreditassem nos sermões que Lula lhes sopra, o PT de 2015 teria a obrigação de enxergar no PT de 1999 um bando de golpistas a serviço do capitalismo selvagem — e o PT do século 20 teria o dever de achar que o PT do século 21 sofre de falta de assunto.

    Mas vigaristas sem cura não perdem tempo com o que disseram, dizem ou dirão.

    No vídeo abaixo, uma amostra da reação indignada de Dirceu ao arquivamento do pedido de impeachment, o comandante da tropa petista no Congresso afirma que FHC descumpriu promessas de campanhas, favoreceu esquemas corruptos, conduziu a economia a um beco sem saída e fez concessões absurdas ao PMDB, fora o resto.

    Quem ouve o samba do mineiro doido deduz que, em 1999, FHC era uma Dilma Rousseff em miniatura, com terno, gravata e cérebro.

    Com a expressão colérica recomendada a quem repetia de meia em meia hora que o PT “não róba nem dexa robá”, o orador trata com igual ferocidade a gramática e o chefe de governo que considera incapaz de governar.

    A perda do cargo seria um castigo até brando para FHC, brada o pregador de cabaré. (Por tais critérios, que punição mereceria Dilma Rousseff além do impeachment? Duzentas chibatadas? A guilhotina?)

    Passados 16 anos, o moralista amoral curte a segunda temporada na cadeia. Descobriu-se que o guerreiro do povo era o disfarce do corrupto onipresente.

    A herança bendita de FHC está em frangalhos. Por tudo isso e muito mais, o vídeo virou uma perturbadora relíquia histórica.

    É outra prova de que, durante longos anos, os bandidos do faroeste à brasileira assumiram o controle do lugar e fizeram o diabo sob os aplausos do rebanho na plateia.

    Pena que o reincidente engaiolado não tenha tempo nem ânimo para comentar o que andou fazendo em 1999.

    Absorvido por uma guerra particular, o guerrilheiro de festim agora luta para safar-se da cadeia.

    Abre o bico apenas para conversar com vizinhos de cela ou com o advogado.

    E só pensa no impeachment do juiz Sérgio Moro.

     

    Publicado por jagostinho @ 13:17



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