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  • 26ago

    BLOG DE REINALDO AZEVEDO – VEJA.COM

     

    Até o mês passado, Dilma chamava corte de ministérios de “lorota”.

    Ou: Quando o passado condena e ilumina

     

    A presidente Dilma Rousseff tem 7.895 coordenadores políticos. Logo, não tem nenhum. A redução dos ministérios — dez seriam cortados — e de cargos de confiança do primeiro escalão — talvez mil — foi anunciada de maneira meio tímida e atrapalhada pelos ministros Nelson Barbosa e Gilberto Kassab, do Planejamento e Cidades, respectivamente.

    Se for para valer, obviamente o próprio governo deveria ter dado mais atenção e peso à coisa. Ao perceber o erro crasso de comunicação, Dilma chamou ao Palácio repórteres de três jornais: Folha, Estadão e O Globo.

    Pois é…

    Disse a governanta:
    “Queremos melhorar gestão, detectar em quais pontos há sobreposição de função. Obviamente, você tem uma derivada por obter eficiência, que é resultar na redução de gastos. Se não fica demagógico. Você não faz só isso. Temos uma meta. Achamos, à primeira vista, porque precisamos fazer todos os cruzamentos, que conseguimos reduzir dez ministérios. Mas não é só ministério que a gente quer reduzir. Em cada um dos ministérios, mesmo aqueles que, eventualmente, não serão objeto da reforma, teremos uma ação sobre eles. Queremos reduzir secretarias. Queremos reduzir sobreposição de órgãos nesses ministérios. Tem ministério com número de secretarias que foram sendo ampliadas ao longo dos anos. Então, agora, vamos passar todos os ministérios a limpo. Olhando, justamente a dimensão.”

    Que coisa. Durante a campanha eleitoral, Dilma afirmou que reduzir ministérios era coisa de mentalidades tecnocráticas. No mês passado, ela concedeu uma entrevista à Folha em que classificava essa proposta de “lorota”.

    Podemos refrescar a memória com dois vídeos. Há um ano, no Estadão, a então candidata à reeleição sugeria que o corte na estrutura administrativa do governo federal era coisa de quem queria suprimir pastas da área social. Vejam o vídeo.

    Ela estava, obviamente, respondendo a Aécio Neves, que foi claro na campanha eleitoral: 

    Dilma que não venha com conversa! Não basta fazer um mea-culpa mixuruca. É preciso muito mais do que isso. Se for o caso, ela tem é de pedir desculpas. Posso até aceitá-las por essas coisas em particular.

    Mas acho que ela precisa deixar o governo. O motivo legal é a agressão à Lei 1.079, a Lei de Responsabilidade. O motivo político é o escancarado estelionato eleitoral, mais uma vez evidenciado.

    Olhem aqui: uma das funções do jornalismo é exercitar a memória. Na entrevista desta segunda, Dilma afirmou o seguinte sobre a reforma da Previdência:
    “A pergunta é a seguinte: nós vamos ter que fazer reformas? O governo tem gastos obrigatórios. 55% desses gastos são com a Previdência Social. Esses gastos com a Previdência são frutos do fato que nos últimos 13 anos tivemos uma ótima evolução. Primeiro, aumentou a expectativa de vida em quatro anos e meio. Segundo, as pessoas hoje têm uma taxa de mortalidade menor. Temos uma situação etária que mudou. Teremos que encarar, mais cedo ou mais tarde, essa situação. Quanto mais tarde, pior para o País. O padrão de crescimento que teve até aqui não vai durar. Não é aquele mais. Não é aquele para a China, para os Estados Unidos. Não é para ninguém. E vamos ter que nos adaptar nessa travessia. Nós não queremos a Grécia, queremos?”.

    Em 2012, ano em que houve a primeira despencada no preço das commodities, Dilma participou, na França, do Fórum Pelo Progresso Social. Lula estava presente. Diante de seu mentor, acreditem, ela atacou severamente o corte de gastos inclusive nos países ricos.

    Sim, senhores: Dilma dava aula aos europeus sobre como deveriam proceder com suas respectivas economias, afirmando que os cortes de benefícios feitos por lá para enfrentar a crise afetavam o estado de bem-estar social. Lula cofiava o bigode, como se fosse o autor de uma modelo alternativo de economia.

    Eis o vídeo. Volto em seguida.

    Eram tempos em que os valentes batiam no peito para declarar que o Brasil estava imune à crise e que havíamos descoberto por aqui um jeito só nosso de fazer as coisas, que servia de inspiração ao mundo.

    Economistas em penca advertiam para o desastre em curso. Nada! Seriam todos pessimistas, neoliberais e invejosos. A popularidade da giganta ultrapassava a casa dos 70%. Hoje, está em 7%.

    Não, senhores! Não tentem chamar a arrogância daqueles tempos — e faz tão pouco tempo! — de ignorância.

    Não aceito! Ainda que assim fosse, isso só tiraria o aspecto doloso da coisa.

    Uma presidente que confessa ter errado tão monumentalmente ao ler os dados da economia do seu país e do mundo é, então, de assombrosa incompetência.

    Mais uma razão para ir para casa.

    Dilma é vendida por aí como uma leitora voraz.

    Que bom! Há uma infinidade de livros.

    Que ela se divirta longe de nós.



    Publicado por jagostinho @ 13:49



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