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  • 24ago

    VEJA.COM

     

    Jarbas: Se Dilma não renunciar, impeachment é inevitável

     

     

    Uma das vozes mais combatidas dentro do PMDB, Jarbas Vasconcelos cobra o afastamento da presidente para o país retomar a economia e respirar melhor’

     

     

    Jarbas Vasconcelos
    Jarbas Vasconcelos: “O país ainda não chegou ao fundo do poço, mas vai chegar”(Sérgio Dutti/AE/VEJA)

     

    Em cinco meses, o governo da presidente Dilma Rousseff já enfrentou três grandes manifestações que emparedaram a gestão petista.

    Sem nenhuma sinalização do arrefecimento da insatisfação popular, com outra marcha nacional agendada para setembro, o Palácio do Planalto continua sem uma agenda que recupere a popularidade da presidente ou tire a economia da recessão.

    No cenário político, aliados tentam se descolar do governo para não serem tragados para a turbulência.

    E a Operação Lava Jato chega cada vez mais perto do alto escalão. Esse panorama, na avaliação do deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), antecede uma pressão popular e tornará a gestão de Dilma insustentável.

    “Ela deve sair pelo caos que o país está, e foi ela que o levou. O país ainda não chegou ao fundo do poço, mas vai chegar”, afirma o ex-governador de Pernambuco.

    “Quer queira ou não, o impeachment virá, embora eu ache que seja um processo explosivo e traumático”, diz.

    O peemedebista também não poupa os presidentes da Câmara e do Senado, seus correligionários Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL).

    Para ele, Cunha deve ser afastado imediatamente do posto.

    Leia a entrevista ao site de VEJA:

    Em meio a crise do governo, o presidente do Senado se destacou como um dos principais fiadores do governo. Essa parceria é duradoura?

    >>>   O Renan, até bem pouco tempo, era talvez o mais contundente político contra o governo. Ele devolveu a medida provisória da reoneração da folha e se posicionou várias vezes contrário ao ajuste fiscal no aspecto de que poderia provocar desemprego.

    E depois fez essa travessia, que está muito marcada por interrogações. No fundo, do jeito que ele fez uma travessia, ele faz outra.

    Não existe problema em relação a isso. O problema maior hoje está dentro da Câmara.

    Por que?

    >>>   Porque nós temos uma pessoa altamente comprometida com a corrupção, com a lavagem de dinheiro e a formação de quadrilha.

    Com Eduardo Cunha, a gente teve um primeiro semestre muito medíocre. A Câmara realmente trabalha muito, mas de forma desordenada e precária.

    Votou coisas importantes como terceirização, maioridade penal e reforma política às pressas.

    Além disso, conduziu de forma autoritária, buscando muitas vezes um caminho falsamente ético e moral para se votar as coisas.

    E no final do semestre fez aquele rompimento destrambelhado com a presidente, que já está com menos de 10% de aprovação, como se ser presidente da Câmara e oposição a Dilma pudesse se compatibilizar.

    E agora foi pego na denúncia. Uma pessoa dessa não tem a menor condição moral e ética para conduzir a Câmara.

    Há outros deputados que respondem a inquérito e são réus, mas nenhum deles está presidindo a Casa. É incompatível com a função.

    Sobre essa relação de Cunha com a corrupção, o senhor refere-se exclusivamente à denúncia do MP ou isso é tratado internamente?

    >>>   Eu sabia que ele era lobista, que tinha envolvimento com algumas coisas, mas não desse nível que está começando a se desnudar através da denúncia do Ministério Público.

    Ele distribuiu uma nota em que tenta imputar o governo de articular contra ele. Isso é uma história de carochinha.

    Que condições tem Dilma, lá embaixo, quase no fundo do poço, de comandar qualquer coisa?

    O senhor acha que já há condições para o impeachment de Dilma?

    >>>   Eu acho que a gente deveria evitar o impeachment, que é uma coisa traumática. Ela deve sair pelo caos que o país está, e foi ela que o levou.

    O país ainda não chegou ao fundo do poço, mas vai chegar. E vai chegar porque os pressupostos da economia estão todos desajustados, com perspectiva de inflação alta, desemprego e redução de salários.

    E haverá um aperto geral que vai ser maior ainda. Então isso tudo leva a um caminho para a gente forçá-la a renunciar.

    A Dilma não tem formação para isso, foi guerrilheira e não quer abrir mão. Mas ela vai chegar a um ponto de pressão popular e de dentro do próprio governo que não vai ter saída.

    E o Cunha não pode nunca presidir esse impeachment, até porque ele é suspeito em relação a ela, já que assumiu uma bandeira de oposição e está envolvido em corrupção.

    O lugar de se explicar sobre isso não é da tribuna da Câmara. É no tribunal.

    Mas a crise acaba com a renúncia?

    >>>   O Brasil vai passar por um processo de ajustamento, com a retomada da economia, o país respirando melhor e um apelo para que a Lava Jato chegue ao término.

    Tudo isso pode acontecer com a saída dela. O caminho será institucional e tem de ser com Michel Temer.

    E, se ela não renunciar, o impeachment é inevitável. Ele vem quer queira ou não, embora eu ache que seja um processo explosivo e traumático.

    Com qual embasamento?

    >>>   Com o embasamento legal que vai aparecer com o Tribunal de Contas da União e com a Lava Jato.

    A Camargo Corrêa fez um entendimento para denunciar as coisas.

    Como isso pode não bater no Planalto?

    Temos de aguardar a Lava Jato ser concluída, ainda tem muita coisa pela frente.

    E qual o posicionamento do Temer sobre essa proposta?

    >>>   Eu não cheguei a aprofundar a conversa com o Temer sobre isso. Ele me disse que o compromisso com a Dilma era com o ajuste fiscal.

    Isso já está encerrando. Então, na minha opinião, o Temer tem de ter um papel de equilíbrio, saber do papel que ele tem a cumprir, que pode ser chamado a fazer uma travessia mais longa, um governo de entendimento nacional, e que isso não é fácil.

    O país não aguenta mais Lula, PT e Dilma. Não tem condições de continuar esse processo comandado por essas coisas.

    O senhor também pensa que Renan Calheiros deve ser afastar da presidência da Casa?

    >>>   Ele sequer foi denunciado. Mas, esse abraço dele com o governo me lembra uma história que eu ouvi falar em Pernambuco.

    Falava-se de alguém que tinha feito muita besteira, era um náufrago e iria se abraçar até com um tronco pensando que é gente.

    Esse é o encontro de Renan com a Dilma. No fundo, eles vão se entender.

    Mas, se o país caminhar para a renúncia, não tenha dúvidas de que o Renan se afasta dela.

    Quando o senhor fala que o país vai chegar ao fundo do poço, remete-se também ao Legislativo?

    >>>   Em meio a crise, bem ou mal, o poder Legislativo funciona. O Judiciário, até agora, tem tido uma boa conduta e não há porque suspeitar que ele vá deixar de julgar poderosos.

    E a primeira instância tem sido um exemplo de dignidade e de correção com a figura do juiz Sérgio Moro.

    Então só o que não está funcionando é o governo. A crise está lá.

    O senhor tem um posicionamento duro em relação ao seu partido. Há alguma retaliação?

    >>>   Eu pago um preço por isso, como não receber projetos para relatar. Eu sou uma pessoa isolada. Mas eu sabia do risco que estava correndo.

    Mas o senhor cogita trocar de partido?

    >>>   Não, não. Prefiro ficar no PMDB como dissidente. Porque não teve reforma política, que foi uma piada, e não se criou condições de fazer partidos para valer no Brasil.

    A candidatura do senhor à prefeitura vem sendo ventilada. Quais seus próximos passos políticos?

    >>>   Não está nos meus projetos voltar a ser candidato à prefeitura. Eu nunca disse que admitia ser candidato a prefeito.

    Não sei o que vai acontecer amanhã, o que vai acontecer em outubro. Imagina discutir a eleição em 2016.

    Eu tenho uma barreira mental que não consigo.

    Dentro de uma crise dessa discutir uma eleição municipal é coisa bem menor.



    Publicado por jagostinho @ 14:37



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