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  • 26jun

    CANZIANFERNANDO CANZIAN – É repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de política, do “Painel” e correspondente da Folha em NY e Washington. Vencedor de dois prêmios Esso.

    Meio ano sob Dilma 2 e já temos uma boa ideia de onde a presidente nos meteu com suas políticas do primeiro mandato e o estelionato da campanha que a reelegeu.

    A ruína é grande, se espalha e mina as bases do que sustentou a melhora de vida dos brasileiros nos anos Lula.

    O Brasil investe pouco como proporção do PIB (18%; o ideal seriam 25%) e tem baixíssima produtividade (menos de 1/4 da americana). Como crescemos e distribuímos renda nos últimos anos?

    De certo modo, quase “artificialmente”, via crédito bancário ao consumo e expectativas futuras otimistas.

    Esses fatores “contaminaram” positivamente a economia, criando um círculo virtuoso de mais crédito ao consumo e à casa própria, melhores reajustes salariais e crescimento.

    Ao longo dos 12 anos de Lula e Dilma 1, o estoque de crédito no Brasil cresceu a uma velocidade média de quase 20% ao ano (a alta chegou a 30,7% em 2008).

    Foi algo “nunca antes visto na história desse país”. O que trouxe uma sensação de inesgotável prosperidade.

    O volume de crédito no Brasil mais que dobrou no período, passando de 25% do PIB para 55% (R$ 3 trilhões).

    Os prazos médios dos financiamentos foram alargados de 7,3 meses para 38 meses, levando as prestações a caberem cada vez mais no bolso dos consumidores.

    Haveria uma avenida para crescer nessa área. O total de crédito concedido no Brasil equivale à metade do que há nos países desenvolvidos.

    Mas crédito é como bicicleta. Para não cair, depende de mais emprego, salários, expectativas positivas e crescimento contínuos.

    Mas vamos no sentido contrário agora com um ajuste para contornar a explosão de gastos públicos e descontrole da inflação sob Dilma.

    Em 2015, a taxa de aumento do crédito deve cair a menos da metade do ritmo dos 12 últimos anos.

    Voltaremos ao patamar do pior ano sob Lula (9% em 2003). Dificilmente esse quadro mudará tão cedo.

    Ao baixo investimento e produtividade soma-se agora a falta do “estimulante” do crédito, que era em boa medida causa e consequência das expectativas positivas de consumidores e empresários.

    Os efeitos sobre o emprego vão se acentuar.



    Publicado por jagostinho @ 15:21



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