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  • 12maio
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    Chegamos aos vinte anos do projeto que vem transformando o Atlético Paranaense. Vinte anos de trabalho quase ininterrupto.
    Vinte anos levantando a cada dia com a missão e o compromisso de fazer um clube cada vez mais forte e indo dormir com a percepção de que ainda há muito o que fazer.
    Mesmo durante o hiato de três anos que atrasou todo o planejado e dificultou o caminho com uma administração desastrosa que nos levou à segunda divisão e a inúmeros prejuízos, o projeto continuava vivo na minha cabeça e na de muitos atleticanos que entenderam nossas reais necessidades.
    Mas mesmo assim, são vinte anos, de modo geral, de avanços. Sempre, em todos eles, esticando o cobertor curto, dando nó em pingo d’água, nos virando para conseguirmos crescer sempre e diminuir essa desvantagem histórica entre nós e os clubes que já ocupam espaço entre os grandes do Brasil há mais tempo.
    Não sei mais o que é viver sem pensar nisso. Buscar soluções. Imaginar caminhos. Tudo o que não podem é dizer que um dia sequer deixei de trabalhar para que o Atlético Paranaense chegasse onde nem o mais otimista atleticano há vinte anos poderia imaginar.
    Não é fácil querer crescer de maneira sólida num cenário viciado, cheio de feudos e refratário à mudanças, que é toda a estrutura do futebol brasileiro.Diriam que é até loucura, burrice, um trabalho de Sísifo, devido ao tamanho do desafio. E nós vamos como sempre, enfrentando tudo, quebrando barreiras, nos incluindo à fórceps, e hoje em dia, independente de um mau momento como agora, é impossível não reconhecer que o Atlético Paranaense é, sim, uma das forças do futebol nacional, por tudo o que evoluiu em desempenho nos campeonatos nacionais e internacionais.Mas sempre com muito sacrifício. E eu tenho para mim que esse era o único caminho a ser seguido. E foi com extremo sacrifício, meu e de todos os atleticanos, que concluímos recentemente a transformação da nossa modesta Baixada em uma Arena Fifa, um monumento extraordinário que representa perfeitamente às nossas aspirações.

    E foi assim, luta a luta, que o Atlético Paranaense chegou ao patamar onde está hoje. E nesse louco esporte em que toda a conquista é pouca e num sopro as coisas caem no esquecimento, parece que sempre ocupamos este lugar, e não que um dia nem tão distante fomos um clube meramente municipal, com conquistas esparsas relegadas ao âmbito estadual, chegando até a ser a terceira força nesse modesto cenário.

    As cobranças de agora são como se já ocupássemos o patamar que ainda estamos tentando chegar, que é o dos times que todo o ano disputam os títulos importantes.

    Nossa infra estrutura, que é a melhor do Brasil e uma das melhores do mundo, e alguns resultados muito bons no futebol, fizeram muitos acreditarem que já temos condições de encher as prateleiras de títulos nacionais e internacionais e montar time com grandes nomes.

    Não, ainda não podemos, não da forma como gostaríamos. Somos o Atlético Paranaense, um clube em busca do seu verdadeiro lugar.

    E estamos muito, mas muito próximos de chegar lá. Digo que ainda este ano já começaremos a sentir os benefícios de tudo o que projetamos.

    Este é, a rigor, o primeiro ano que atravessamos sem ter que peregrinar por estádios e sofrer com a falta da nossa casa, desde 2012.

    Será o primeiro desde que nossa administração reassumiu, que jogaremos os campeonatos tendo todos os nossos mandos na Arena.

    E oxalá que nenhuma punição nos faça passar pelo que enfrentamos no ano passado, sendo alijados de tantos mandos por gente que se diz atleticana, que ama o Atlético “até a morte”, mas que no fundo pensa mais em si do que no clube.

    Por isso gostaria de convidar os atleticanos que desejam o bem do Atlético Paranaense, para que refletissem sobre o quanto foi difícil chegar até aqui: a busca da matemática para fazer o estádio viável sem se ajoelhar a empreiteiras (que não só exploram alguns clubes brasileiros que aceitaram suas condições, como exploram também nosso país), a batalha para vencer a mentalidade auto-deletéria arraigada em muitas mentes no nosso estado, tocar uma obra desse porte em meio uma avalanche de ameaças à não realização da Copa do Mundo em Curitiba, todo o pessimismo, toda onda contra, todo o atraso.

    E enquanto isso, tendo que tocar também um time de futebol de série A, que retornou à elite em 2012, classificou-se para sua quarta Libertadores em 2013, e em 2014, com um time majoritariamente de jogadores muito jovens e de baixo investimento, ficou numa ótima oitava colocação num dos campeonatos mais difíceis do mundo, o Brasileiro.

    Mas aqui estamos. Mesmo cheios de calos, aqui estamos.

    Mesmo depois de tudo isso, parece que todas essas coisas já estavam aí, que tudo surgiu por geração espontânea.

    Toda a estrutura, os avanços significativos no futebol, o primeiro estádio com teto retrátil da América Latina, construído sem investidores e sem empreiteiros, o melhor centro de treinamentos do país, as revelações da base, a estrutura profissionalizada do clube, os acordos, as parcerias, as inovações, de repente é como se tudo tivesse surgido por encanto.

    Hoje dizem “não quero estádio, quero título”, como se não tivesse sido a estrutura o que deu condições ao clube de ter um Caldeirão para vencer o Brasileiro em 2001.

    A mesma estrutura que nos faltou para vencer a Libertadores em 2005. Foi o crescimento a partir do investimento em estrutura que fez com que esses mesmos torcedores acreditassem que poderiam exigir o que estão exigindo de nós hoje em dia.

    E que os fez ficarem tão mal acostumados a ponto de não valorizarem e, sim, depreciarem coisas importantes que fizermos por conta de resultados infelizes em campeonatos.

    Chegam ao cúmulo de reclamar da cor das cadeiras do estádio, fazendo uma relação canhestra entre a vontade de vencer de um time e a cromoterapia. Uma celeuma sobre objetos que num estádio cheio sequer apareceriam.

    São vinte anos tentando provar que o ovo não nasce antes da galinha. Que é preciso a maciça participação de sócios em todos os momentos para o sucesso pleno.

    Que a cultura de participação apenas mediante resultados em campo, esperando sempre que o clube faça antes, e não se voluntariando em prol do clube primeiro, é um ponto chave para o fracasso de um programa de sócios.

    E isso me deixa cansado e até frustrado. Enquanto alguns clubes do país superam os cem mil, nós temos uma debandada grande do nosso quadro de associados.

    O que vão fazer quando a maré melhorar? Se associar novamente? E assim ficar nessa gangorra, se associando e se desassociando, torcendo de um jeito mimado?

    Investimentos fora da realidade podem, contando com a sorte e o “Sobrenatural de Almeida” de Nelson Rodrigues, levar a uma conquista esporádica.

    Mas sem uma retaguarda forte estruturalmente, seríamos frágeis e o que conseguiríamos seria um sonho numa noite de verão para em seguida nos afundarmos em dívidas e numa situação difícil de reverter.

    Se há desequilíbrio, não demora muito a bolha explode. Essa é a razão de termos levado o Atlético Paranaense a este projeto.

    Porque quando formos realmente investir fortemente em futebol, como gostaríamos e como a torcida exige, o façamos de uma maneira que possamos fazer sempre, todo ano, sem quebrar, sem destruir o patrimônio, sem deixar um clube estropiado para o sucessor, como é comum no futebol brasileiro.

    Mas chegou a hora. Depois de noventa e um anos de clube, sendo destes vinte anos do projeto que mudou nosso futuro, chegou a hora da maioridade.

    Precisamos nos manter confiantes de que os nossos melhores momentos estão para acontecer. É essa a chama que alimenta o sucesso do projeto.

    Uma esperança que se sustenta por tudo o que nós já fizemos e pela perspectiva do que poderemos fazer.

    Tenho minha carga de responsabilidade por fazer a torcida ficar assim exigente e mais intolerante a maus momentos. Mas a luta continua.

    Mesmo com esse início de ano de difícil acerto financeiro, com o não cumprimento das obrigações de Estado e Prefeitura com as obras da Copa.

    Mesmo com as mudanças nas regras nas negociações de jogadores, que limitam a participação de parceiros para a contratação de atletas.

    Mesmo com o clima de turbulência política no país que prejudica a obtenção de acordos e parcerias com investidores estrangeiros.

    Mesmo com a retração econômica do Brasil e do mundo, mesmo com o mercado de jogadores operando em valores completamente irreais, eu me mantenho no firme propósito de fazer o Atlético Paranaense, aquele mesmo Trétis que era o sem-terra, que não tinha onde treinar, que fazia bingo pra arrecadar fundos e comemorava vitória em Atletibas como títulos, um gigante do continente.

    Isso é um processo em andamento e um caminho sem volta.

    Vamos em frente, nenhum clube fez o que nós fizemos no mundo, tamanha mudança de status, de patrimônio, marca e títulos em tão pouco tempo.

    E para quem pensa que haverá momentos em que a luta amaine, que um dia será mais fácil digo: a luta nunca vai parar.

    Quanto maiores nos tornamos, maiores as responsabilidades. E quando estivermos levantando o título mundial que vislumbramos acontecendo em um período de até dez anos, veremos que valeu a pena.

    E no dia seguinte, o Clube Atlético Paranaense recomeçará a sua faina, sem temer a própria morte, rumo ao infinito.

    O Clube Atlético Paranaense não é para os fracos.

    MARIO CELSO PETRAGLIA

    Presidente do Conselho Administrativo do Clube Atlético Paranaense

    Publicado por jagostinho @ 17:21



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