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  • 06maio

    REINALDO AZEVEDO 2BLOG DE REINALDO AZEVEDO – VEJA.COM

    Babalorixá vai à TV e faz firula como no tempo em que tomava Black Label na Fiesp e pinga com os operários.

    E se dá mal!

     

    Luiz Inácio Lula da Silva, sim, ele mesmo!, acaba de criar, com a sua fala irresponsável no horário político do PT um problemão para a presidente Dilma.

    E já tomou um contra-ataque. Não tem jeito: os “companheiros” não perceberam que não ditam mais a pauta.

    O que aconteceu?

    Na televisão, Lula foi à TV, como se fosse um líder da oposição, e afirmou que os deputados estavam retirando direitos dos trabalhadores.

    Em suma: em vez de se pronunciar como um homem das instituições, resolveu falar como chefe de facção, tentando jogar a população contra o Parlamento.

    Sim, Lula se referia principalmente ao projeto das terceirizações, mas foi ambíguo o bastante para colocar o Congresso na mira.

    Leonardo Picciani (PMDB-RJ), líder do PMDB na Câmara, aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Casa, acaba de anunciar que o PMDB não aceita mais votar nesta quarta a MP 665.

    E não o fará enquanto o PT não definir a sua posição, não feche questão em favor do pacote fiscal e não pare de tentar jogar a população contra o Congresso.

    Xeque-mate!

    Leonardo Picciani ironizou: afirmou que o seu partido se deixava, então, convencer por Lula, obedecendo a sua orientação.

    Já foi o tempo em que o PT votava uma coisa no Congresso e dizia outra para o distinto público. Aliás, essa é uma prática antiga de Lula, desde quando era sindicalista.

    Quando chefiava o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e negociava com o então Grupo 14 da Fiesp, lá no fim dos anos 70 e início dos anos 80, fechava acordo com os empresários, em reuniões regadas a Black Label, mas fazia discurso radical para as massas, segurando a greve por mais algum tempo, até começar a recuar e aprovar a proposta que havia sido negociada com o copo.

    Depois comemorava com a pobrada com uma pinguinha.

    Nessa brincadeira, muita gente perdeu o emprego, enquanto Lula pavimentava seu caminho para a Presidência da República.

    Agora, há um Cunha no meio do caminho. No meio do caminho, há um Cunha.

    A única esperança mesmo dos companheiros é que Rodrigo Janot consiga quebrar as pernas do presidente da Câmara.

    Para isso, no entanto, precisará contar com os votos do Supremo. Vamos ver.

    Cunha anunciou que a sessão que vai discutir a MP 665 começará ao meio-dia desta quarta.

    O dia certamente será quente. O PT, em suma, vai ter de decidir se pertence à base ou não.

    O deputado Hildo Rocha (PMDB-MA) fez a ironia final:

    “Lula acaba de enterrar o ajuste fiscal. Se o ex-presidente Lula é contra retirar direitos dos trabalhadores, quem somos nós, simples deputados, para contrariar o líder?” 

    Publicado por jagostinho @ 09:11



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