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  • 22mar

    ISTOÉ

    Governo federal e PT planejam concentrar ainda mais as verbas de publicidade a veículos favoráveis à presidente Dilma

    Em movimentos distintos, mas extremamente preocupantes, o governo federal e o PT deram mostras na semana passada de que estão determinados a instalar no Brasil um modelo de censura aos meios de comunicação feito com dinheiro público.

    Algo parecido com o que ocorre na Argentina, onde a presidente Cristina Kirchner usou seus recursos para enfraquecer o principal grupo de mídia do país, o Clarin, e na Venezuela, nação na qual o presidente Nicolás Maduro silencia qualquer veículo com ímpeto oposicionista.

    As ações observadas ao longo dos últimos dias por aqui apontam para a tentativa de asfixiar financeiramente os veículos que mantêm uma posição independente e crítica – como determinam as regras de uma imprensa de qualidade – e não se colocam a serviço da administração sob o comando da presidente.

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    VINGANÇA
    Rui Falcão, presidente do PT, quer punir os meios de comunicação que, segundo ele, teriam apoiado os protestos

    Uma das estratégias para minar o fôlego dessas publicações é reduzir a verba publicitária a elas destinada pelo governo federal.

    Esta ação ganha a alcunha de “guerrilha política”, em um documento do Planalto que ficou conhecido esta semana.

    O texto, vazado da Secretaria de Comunicação da Presidência, recorre a outras tantas expressões belicosas para explicar o que o governo pretende fazer.

    Boa parte disto, por sinal, já está adotado no tratamento com publicações não alinhadas com Dilma ou o PT.

    O oposto também está se tornando uma prática: a oferta sistemática de anúncios de estatais a sites, blogs e outros veículos simpáticos à administração da presidente.

    O documento do Planalto explicita, sem o menor pejo, a opção pelos amigos da corte: “A guerrilha política precisa ter munição vinda de dentro do governo, mas ser disparada por soldados de fora”

    Um dos indícios de que o método pode se aprofundar como forma de ação em relação à mídia veio pelas palavras do presidente nacional do PT, Rui Falcão.

    Reunido com a bancada do partido para avaliar as conseqüências das manifestações do domingo, 15 de março, Falcão defendeu que o governo restrinja ainda mais as verbas publicitárias aos meios de comunicação que, na sua opinião, teriam apoiado o ato ou convocado a população a sair as ruas.

    “Não se enganem. O monopólio da mídia não será quebrado apenas nas redes sociais. Isso é uma ilusão”, disse o dirigente petista.

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    CERCO
    Berzoini, à esq., quer a regulação da mídia. Traumann defende anúncios em veículos que defendem Dilma

    Falcão levantou a bandeira de que é preciso haver uma quebra do que ele considera um monopólio das comunicações.

    “Isso deve ser feito por meio de uma nova política de anúncios para os veículos da grande mídia”, afirmou.

    Para defender sua tese, o político reclamou da Rede Record. “A Record, que sempre teve simpatia maior por nós, no domingo começou em rede aberta a convocar a manifestação.”

    O documento da Secretaria de Comunicação, comandada pelo ministro Thomas Traumann, descreve as dificuldades do governo em relação à comunicação e a classifica como “errada e errática”.

    O texto é dividido em três partes: “onde estamos”, “como chegamos até aqui” e “como virar o jogo”.

    É neste último trecho que residem sugestões de concentrar ainda mais os gastos com os veículos parceiros. Aponta-se ainda a necessidade de se investir na publicidade feita na cidade de São Paulo, administrada pelo petista Fernando Haddad.

    “A publicidade oficial em 2015 deve ser focada em São Paulo, reforçando as parcerias com a prefeitura. Não há como recuperar a imagem do governo Dilma em São Paulo sem ajudar a levantar a popularidade do Haddad.”

    A leitura que se pode fazer disso é que a solução desenhada para a crise de comunicação enfrentada pelo governo Dilma é financiar, com dinheiro público, aqueles que o defendem.

    A divulgação do documento aprofundou a confusão política das últimas semanas. Traumann saiu de licença horas após o vazamento. Era previsto que voltasse ao trabalho na segunda-feira 23, mas se especulava que poderia ser o próximo a deixar o governo.

    A oposição reagiu. O senador Aloysio Ferreira (PSDB-SP) pediu a demissão do ministro, anunciou que pedirá a sua convocação para depor na Comissão de Comunicação do Senado e irá requerer uma investigação ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

    “Ele está propondo uma ação conjunta e coordenada entre a divulgação institucional de atos do governo, cargo do órgão federal, e os blogs ditos progressistas, com a finalidade de destruir a reputação de adversários, num verdadeiro terrorismo ideológico”, disse.

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    Quem pode se fortalecer com a polêmica é o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, parte da cota do PT do ministério.

    O partido tem interesse em concentrar as ações de comunicação do governo e a pasta hoje comandada por Traumann é fundamental nesta política.

    Ela responde pelas relações do governo com todos os veículos e também pela publicidade institucional. O investimento total de propaganda do governo federal foi de R$ 2,3 bilhões.

    Berzoini defende a regulação da mídia, um projeto antigo do PT que enfrenta resistência dos que defendem a liberdade plena de expressão e também do PMDB, da base aliada de Dilma.

    A questão é que o governo ainda não convenceu ninguém de que seu propósito não é o de domesticar a imprensa livre do País.

    A movimentação do PT e do Planalto esta semana serve para ampliar esta desconfiança, pois o uso de dinheiro público (que deveria servir para campanhas de interesse público)para favorecer políticos e partidos ofende a Constituição.

    E esta é uma das fronteiras que distingue os regimes democráticos dos autoritários.



    Publicado por jagostinho @ 13:41



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